Wesley, jovem da periferia de Salvador, conquista 1° lugar em Medicina na USP após estudar sozinho com celular e livros, agradece a Deus e abre vaquinha para custos

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Wesley de Jesus Batista, 23 anos, saiu da periferia de Salvador e alcançou o sonho de entrar em Medicina na Universidade de São Paulo, conquistando a vaga mais disputada do curso.

Ele estudou sozinho, usando apenas materiais gratuitos, livros do colégio e um celular, e transformou uma rotina rígida de estudos em resultado, envolvendo a família e a fé no processo.

O registro do momento em que soube da aprovação, ao lado dos pais, viralizou nas redes sociais, atraindo doações e atenção para a vaquinha que ele abriu para custear a mudança a São Paulo, conforme informação divulgada pelo G1.

Rotina de estudo, sacrifícios e recursos improvisados

Formado no ensino médio em 2019 em escola pública, Wesley não teve condições de pagar cursinho, então montou um cronograma rígido para recuperar lacunas acadêmicas.

Ele contou ao G1, “Vindo do ensino público eu sabia que havia muitas lacunas, então comecei com organização mesmo. Organizei um cronograma com as temáticas que eu tinha que trabalhar.”

Sobre a maratona diária, o jovem relatou, “Eu estudava de cinco da manhã até 23 horas da noite, às vezes entrava madrugada adentro e dormia com a cara no livro. Minha mãe me acordava no dia seguinte, eu estudava na mesa da cozinha nessa época”, mostrando a disciplina que o levou à aprovação.

Sem computador em casa, Wesley usava o laboratório da escola para fazer simulados do Enem, e lembrou que, “Utilizava a sala de vídeo e informática, e um notebook que o diretor oferecia para estudar lá. Esse foi o início da minha trajetória para contornar todos os problemas que eu tinha e já conseguia reconhecer”, conforme relatos ao G1.

Motivação pessoal, fé e repercussão

Filho de um pedreiro e de uma empregada doméstica, ele atribui parte da escolha pela Medicina à experiência pessoal com saúde, quando convivia com asma crônica na infância e passou por várias idas ao hospital.

Wesley disse que, no contato com profissionais, começou a vislumbrar a carreira médica e se imaginar realizado nela, um impulso que manteve seu foco durante anos de estudo.

Ao comentar a aprovação, ele relatou ao G1 a surpresa e a emoção, “As emoções estão à flor da pele. A incredulidade veio, ela bateu, mas depois que eu vi o resultado e vi que era realmente eu que estava na lista, fiquei em choque. Não esperava que tivesse toda essa repercussão!”

Em entrevista ao UOL News, ele reforçou a gratidão à família e à fé, “Eu gostaria de deixar uma mensagem pros meus pais e para o público. Eu agradeço muito a eles por ter chegado até aqui, sem o apoio deles não teria chegado aqui, seria mais um dentro das estatísticas ruins. Agradeço sobretudo a Deus, que é meu alicerce e minha base, sem Ele eu tenho certeza que não teria conseguido”.

Nas redes sociais, Wesley também escreveu, “Agradeço a Deus por ter me permitido alcançar o que, muitas vezes, parecia ser inatingível. Batalha após batalha sendo vencida, com bastante esforço e resiliência no meio do processo. Jesus Cristo, meu porto seguro, e a consistência sempre estiveram lado a lado comigo de mãos dadas, me fazendo companhia e não me permitindo esmorecer no caminho árduo que percorri. A Deus, sou eternamente grato por estar vivendo o extraordinário, fruto de muita luta e gana de vencer!”

Vaquinha e custos da mudança para São Paulo

Após a aprovação, Wesley lançou uma arrecadação online para cobrir despesas dos seis anos de curso em São Paulo, incluindo aluguel, alimentação, transporte, material didático e custos básicos.

A mobilização surge diante da necessidade concreta de se manter em outra cidade por um período longo, enquanto cursa uma graduação altamente exigente, sem recursos pessoais para custear a mudança e a manutenção.

Impacto, desigualdade e a mensagem que fica

A trajetória de Wesley destaca desigualdades no acesso a materiais e cursinhos preparatórios, e mostra como disciplina, organização e redes de apoio podem alterar trajetórias.

Mais do que a conquista individual, a história tem gerado debates sobre políticas de apoio a estudantes de baixa renda, e serve como exemplo de que decisões pessoais, fé e esforços coletivos podem abrir portas antes consideradas inacessíveis.

As informações desta reportagem foram compiladas a partir de relatos publicados pelo G1 e pela entrevista concedida ao UOL News, com trechos e declarações citados conforme divulgado por essas fontes.

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