Síria cancela celebrações de Páscoa após ataques sectários a cristãos em Suqaylabiyah
Comunidades cristãs na Síria decidiram cancelar as celebrações de Páscoa deste ano após incidentes de violência sectária ocorridos no fim de semana na cidade de Suqaylabiyah. Os eventos foram suspensos para evitar novos confrontos e garantir a segurança da população local.
O estopim da violência, conforme relatos locais, ocorreu quando dois homens, identificados como muçulmanos de uma cidade próxima, teriam abordado mulheres cristãs. A reação dos moradores levou à expulsão dos indivíduos, que retornaram posteriormente acompanhados por dezenas de homens em motocicletas, alguns deles armados. Testemunhas apontam que o grupo atacou a cidade, causando a destruição de um santuário dedicado a Maria, além de danos a residências, veículos e estabelecimentos comerciais.
Há informações que indicam a participação de membros das forças de segurança nos acontecimentos. Apesar de o governo sírio ter, anteriormente, expressado a intenção de garantir os direitos das minorias religiosas em meio à instabilidade pós-conflito, as forças governamentais intervieram durante o episódio e conseguiram impedir a continuidade dos ataques.
As principais igrejas da região, incluindo a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Siríaca, confirmaram oficialmente o cancelamento das celebrações de Páscoa. A informação foi divulgada pelo portal Christian Today.
Em resposta aos atos, a organização Cristãos Sírios pela Paz emitiu um comunicado:
“Conclamamos os sírios de todos os segmentos a permanecerem unidos e rejeitarem o sectarismo e a divisão. Encorajamos também as autoridades sírias a promulgarem as leis necessárias para criminalizar o sectarismo e o discurso de ódio.”
A entidade também solicitou que o governo adote medidas para fomentar o diálogo nacional e a responsabilização dos envolvidos.
O presidente da organização Christian Solidarity Worldwide, Mervyn Thomas, comentou sobre a situação:
“Encorajamos as autoridades sírias a intensificarem os seus esforços no combate ao extremismo e ao discurso de ódio. Instamos também a comunidade internacional a instar o governo sírio a cumprir a sua obrigação de proteger todos os cidadãos e a produzir melhorias mensuráveis nos direitos humanos.”
A instabilidade na Síria e a presença de diversos grupos armados continuam a impactar a vida da população, incluindo a liberdade religiosa e o direito de expressão e reunião.
