Dezenas mortas na Nigéria: violência de Domingo de Ramos atinge comunidades cristãs

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Violência atinge comunidades cristãs na Nigéria no Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos foi marcado por uma onda de violência mortal em comunidades cristãs na Nigéria. Um ataque em Jos, no centro do país, e ações retaliatórias subsequentes resultaram na morte de mais de uma dúzena de pessoas, intensificando os conflitos nas regiões do Meio-Oeste e norte do país.

O ataque inicial ocorreu na noite de domingo, por volta das 20h, na área de Anguwan Rukuba, em Jos Norte. Homens armados não identificados abriram fogo em um bar e restaurante lotado, conforme relatos do Comitê Estadual da Cruz Vermelha de Plateau. Nurudeen Hussaini Magaji, secretário da organização, confirmou que pelo menos 12 pessoas morreram no local.

Escalada da violência e diferentes contagens de vítimas

Após o tiroteio, a violência se intensificou quando uma multidão se formou e começou a atacar pessoas que passavam ou estavam em estabelecimentos comerciais. O líder comunitário juvenil local, Mangalle Idris, relatou à AFP que a multidão atacou transeuntes e comerciantes, resultando em outras 10 mortes estimadas. As autoridades apresentaram diferentes números de vítimas: Jos North Deputy Council leader Kabiru Sani indicou um total combinado de 27 mortos. Já a Open Doors UK informou 14 mortes no local e mais 13 em um hospital. A emissora Arise TV citou relatos sugerindo que o número de mortos poderia chegar a 40.

Responsabilidade e especulações sobre os ataques

Nenhuma organização reivindicou oficialmente a autoria do ataque. Especulações nas redes sociais apontam para fazendeiros Fulani ou gangues criminosas. A publicação Truth Nigeria atribuiu a violência ao Boko Haram, mas essa informação não foi confirmada pelo exército nigeriano até meados da semana.

Violência se espalha para outras regiões

A violência não se limitou a Jos. Na mesma noite, na vila de Kahir, em Kagarko County, no sul de Kaduna State, atacantes armados invadiram uma festa de casamento, matando pelo menos 13 pessoas e sequestrando outras. A área é predominantemente cristã.

No início da semana anterior, militantes, supostamente de grupos Fulani radicais, atacaram a Igreja Católica de São Tiago Maior em Adu, no distrito de Takum, Taraba State. Eles vandalizaram a propriedade, quebraram janelas e danificaram edifícios paroquiais, incluindo a reitoria. Judd Saul, líder da organização Equipping The Persecuted, afirmou que mais de 90.000 cristãos no distrito de Takum fugiram de suas casas devido à intensificação da violência no sul de Taraba.

Alertas ignorados e outros incidentes

Segundo a Truth Nigeria, alertas sobre possíveis ataques foram emitidos em 10 e 21 de março, mas as autoridades não tomaram medidas preventivas. Outros incidentes violentos incluíram uma explosão, possivelmente de um dispositivo explosivo improvisado, perto de Woro, em Kaiama district, Kwara State, na segunda-feira anterior, que matou pelo menos uma pessoa e feriu várias. A região já havia sofrido um massacre em fevereiro com mais de 160 vítimas.

Na terça-feira seguinte, militantes de Lakurawa supostamente emboscaram forças de segurança em Kebbi State, matando nove soldados, um policial e um civil após atraí-los com um pedido de socorro falso. Também na terça-feira, suspeitos militantes Fulani atacaram Mararara, Nasarawa State, matando seis residentes e incendiando casas em uma comunidade a menos de 32 quilômetros de Abuja. Analistas de segurança sugerem que este ataque pode indicar coordenação entre milícias Fulani e grupos extremistas como o Estado Islâmico na Província da África Ocidental.

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