El Niño entra em fase de fortalecimento com previsão de intensidade histórica e impactos globais
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a formação do El Niño na última semana. O fenômeno climático, que tem sua força esperada para os próximos meses, pode alcançar níveis de intensidade históricos. Essa confirmação se baseia em observações contínuas de elevação das temperaturas no Oceano Pacífico.
Jon Gottschalck, chefe do ramo operacional do Centro de Previsão Climática da NOAA, explicou que a constatação de temperaturas elevadas, consistentes e em toda a bacia do Pacífico é um forte indicativo da chegada do El Niño. O fenômeno natural é impulsionado, segundo o meteorologista Joe Bastardi, da WeatherBELL Analytics, por um aumento na atividade geotérmica submarina desde os anos 1980 e 1990, com as aberturas no fundo do oceano liberando calor.
Existe uma probabilidade de 63% de que o El Niño deste ano se iguale ou supere o evento recorde de 1997. Alguns cientistas já o denominam de “Super El Niño”. Gottschalck ressalta que o evento “está marcando muitas caixas” em termos de desenvolvimento, mesmo nesta fase inicial, embora reconheça que as condições podem mudar. Um El Niño desta magnitude tende a elevar a temperatura média global em aproximadamente meio grau Fahrenheit, podendo desencadear tempestades, ondas de calor e secas.
Bastardi, por sua vez, alerta contra o alarmismo climático, lembrando que eventos extremos sempre ocorreram e que o El Niño traz consigo tanto benefícios quanto prejuízos. Ele projeta que, assim como em 1997, o El Niño atual deve minimizar a atividade de furacões no Atlântico, um ponto positivo para os Estados Unidos. Aquele evento histórico resultou em um inverno mais ameno em diversas regiões do país, o que se traduziu em custos menores com aquecimento e uma redução significativa nos gastos anuais com desastres climáticos.
A expectativa é que este El Niño traga precipitação essencial para a agricultura e para estados americanos afetados pela seca, com destaque para Califórnia, Novo México e Arizona. No entanto, a costa oeste da América do Sul poderá registrar um aumento na incidência de furacões, com a umidade chegando ao sudoeste dos EUA e ajudando a combater condições de seca. Globalmente, o El Niño deve resultar em um clima ligeiramente mais quente e úmido, com variações específicas dependendo da localização geográfica.
