Morre reverendo Jesse Jackson, proeminente ativista dos direitos civis e ex-candidato presidencial, aos 84 anos nos EUA
O reverendo Jesse Jackson, figura central no movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos e duas vezes candidato à presidência, faleceu na manhã de terça-feira aos 84 anos. A informação foi divulgada pela família Jackson, que emitiu um comunicado destacando seu papel como um líder dedicado aos oprimidos e marginalizados.
A família Jackson expressou que seu pai foi “um líder servidor — não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados em todo o mundo”. A nota também ressaltou a crença inabalável de Jackson na justiça, igualdade e amor, elementos que, segundo eles, inspiraram milhões e devem ser honrados pela continuidade de sua luta.
O reverendo Jamal Bryant, pastor sênior da Igreja Batista Missionária Novo Nascimento em Stonecrest, Geórgia, prestou homenagem a Jackson, chamando-o de “meu super-herói” e um modelo de postura, paixão e propósito. Bryant compartilhou que, enquanto outros colegas aspiravam ser figuras como Michael Jordan, ele se espelhava em Jesse Jackson desde a infância.
Nascido em Greenville, Carolina do Sul, em 8 de outubro de 1941, Jesse Louis Jackson foi filho de uma mãe adolescente solteira. Destacou-se academicamente no ensino médio e obteve um diploma de bacharel em sociologia em 1964. Posteriormente, aprofundou seus estudos teológicos no Seminário Teológico de Chicago, onde também recebeu um mestrado honorário.
A trajetória de ativismo de Jackson se iniciou enquanto era estudante no Seminário de Chicago, com o envolvimento na Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC) após o Reverendo Martin Luther King Jr. estabelecer uma filial na cidade. Apesar de sua ascensão dentro do movimento, o Instituto de Pesquisa e Educação Martin Luther King Jr. da Universidade de Stanford aponta que Jackson e King tiveram divergências pontuais.
Pouco antes do assassinato de King, ele chegou a criticar Jackson por seguir uma agenda própria, em vez de se alinhar totalmente ao grupo. A despeito do desapontamento do mentor, os dois acabaram se reconciliando. Jackson estava no Lorraine Motel, em Memphis, conversando com King no momento do assassinato do líder dos direitos civis, em 4 de abril de 1968.
Após deixar a SCLC em 1971, Jackson fundou seu próprio grupo, o People United to Save Humanity (PUSH). Mais tarde, em 1984, estabeleceu a National Rainbow Coalition, que se uniu à PUSH para formar a Rainbow/PUSH Coalition na década de 1990. Ele também criou o Wall Street Project, voltado para oportunidades econômicas para minorias.
Jackson se candidatou à presidência pelo Partido Democrata em 1984 e 1988. Embora não tenha vencido, suas campanhas foram marcadas por um apoio expressivo. Kimberly Anne Powell, da Universidade do Norte de Illinois, destacou em 1989 que, até 1984, nenhuma pessoa negra havia liderado uma campanha presidencial importante, e que a campanha de 1988 de Jackson representou uma candidatura séria que desafiou estereótipos.
Em 2001, Jackson admitiu um caso extraconjugal que resultou no nascimento de um filho, pedindo desculpas públicas por suas ações e comprometendo-se a oferecer apoio à criança. Anos depois, em 2013, seu filho, Jesse Louis Jackson Jr., ex-congressista, declarou-se culpado de desviar cerca de US$ 750.000 de suas campanhas para despesas pessoais, sendo condenado a 30 meses de prisão.
Em novembro de 2017, Jesse Jackson anunciou publicamente seu diagnóstico de doença de Parkinson, informando ter notado os primeiros sintomas alguns anos antes. “Após uma série de exames, meus médicos identificaram o problema como doença de Parkinson, a mesma doença que venceu meu pai”, declarou Jackson na época, conforme citado pela CNN, descrevendo o reconhecimento dos efeitos da doença como “doloroso”.
Em abril de 2024, foi reportado que Jackson também havia sido diagnosticado com paralisia supranuclear progressiva, uma condição neurológica relacionada ao Parkinson que afeta mobilidade e fala. Devido a essas questões de saúde, Jackson reduziu suas aparições públicas. Contudo, ele participou da Convenção Nacional Democrata de 2024 como delegado por Illinois, onde foi homenageado. Subindo ao palco em uma cadeira de rodas aos 82 anos, Jackson fez um sinal de positivo para a plateia que o aplaudia, sem realizar um discurso.
A família Jackson solicitou que sua memória seja honrada pela continuidade da luta pelos valores que ele defendia.


