Relógio do Juízo Final avança para 85 segundos, o ponto mais próximo da meia-noite desde 1947, apontando IA, armas nucleares e mudanças climáticas como ameaças combinadas
O Boletim do Conselho de Ciência e Segurança dos Cientistas Atômicos atualizou o indicador simbólico que mede o risco de catástrofe global para 85 segundos antes da meia-noite.
Os especialistas afirmam que fatores antigos, como armas nucleares e mudanças climáticas, se somam a tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial, que amplifica a desinformação e fragiliza respostas coletivas.
As informações foram divulgadas pelo Boletim do Conselho de Ciência e Segurança dos Cientistas Atômicos, conforme informação divulgada pelo Boletim do Conselho de Ciência e Segurança dos Cientistas Atômicos.
Por que o Relógio avançou
Os cientistas apontam uma combinação de elementos que elevou o nível de alerta para o mais alto desde a criação do Relógio, em 1947.
Entre os fatores citados estão as tensões nucleares globais, a persistência de altas emissões e eventos climáticos extremos, e o avanço desregulado de tecnologias disruptivas, incluindo a IA e a biotecnologia.
Durante o anúncio, a jornalista Maria Ressa afirmou que o mundo vive um “armagedom informativo”, impulsionado pelo avanço das redes sociais e da IA generativa, tecnologias que, segundo ela, não estão “ancoradas em fatos”.
Ela também disse, “Os seres humanos foram mercantilizados por uma indústria predatória e extrativista”, destacando o papel das plataformas digitais e da IA na deterioração do debate público.
O peso da inteligência artificial
A avaliação do Boletim destacou o impacto da inteligência artificial no aumento da rapidez e do alcance da desinformação, e como isso mina instituições e a capacidade de cooperação internacional.
Os cientistas alertam que a IA não é apenas uma ferramenta neutra, e que seu uso sem regulação pode acelerar crises políticas, sociais e até amplificar riscos de segurança.
Dados e histórico do Relógio
O símbolo do Relógio do Juízo Final foi criado em 1947, quando estava 7 minutos antes da meia-noite, refletindo as tensões da Guerra Fria.
Nos últimos anos, o ponteiro tem se aproximado continuamente da meia-noite, com registros recentes informados pelo Boletim, 2020: 100 segundos antes da meia-noite, 2023: 90 segundos, 2025: 89 segundos, 2026: 85 segundos, o mais crítico até hoje.
Os pesquisadores enfatizam que o Relógio não é uma previsão literal, mas um alerta simbólico para mobilizar líderes, formuladores de políticas e a sociedade civil a agir de forma coordenada.
Possíveis caminhos para reduzir o risco
Embora o cenário pareça grave, a diretora do Boletim, Alexandra Bell, afirmou que há caminho para solução, dizendo, “Cada segundo conta, e estamos ficando sem tempo, É uma verdade difícil, mas esta é a nossa realidade”.
Bell também destacou que os problemas são feitos pelo homem e, portanto, podem ser resolvidos, afirmando, “Não há uma única solução elegante para qualquer um dos problemas que estamos enfrentando, mas esses problemas são solucionáveis”.
Segundo o Boletim, retornos no ponteiro do Relógio no passado aconteceram quando cientistas, especialistas e o público exigiram ação, mostrando que políticas de controle de armas, mitigação climática e governança de tecnologia podem reduzir riscos, se houver coordenação internacional.


