Psicóloga Darci Lourenção ressalta o discipulado intergeracional como essência para a cultura do Reino
A psicóloga Darci Lourenção enfatiza o princípio bíblico do discipulado entre gerações como fundamental para a edificação de uma cultura eclesial saudável, que ela define como a “cultura do reino”. Em um artigo que encerra uma série alusiva ao mês da mulher, Lourenção argumenta que, apesar das novas gerações possuírem maior acesso à informação e tecnologia, a dinâmica do Reino de Deus sugere um fluxo inverso: mulheres mais experientes devem transmitir sabedoria às mais novas.
Lourenção baseia sua reflexão em Tito 2:3-5, onde o apóstolo Paulo instrui as mulheres mais velhas a ensinarem o que é bom às mais jovens. Segundo a psicóloga, esta não é uma recomendação cultural, mas um chamado espiritual essencial para a formação de indivíduos maduros, saudáveis e alicerçados na verdade.
A atualidade, marcada por um excesso de informação e desorientação emocional, torna este princípio da cultura do reino ainda mais relevante, segundo a autora. Do ponto de vista pastoral, ninguém amadurece sozinho no Reino; a maturidade cristã é construída no convívio, na escuta e na partilha de vida, promovendo a transferência de conhecimento e sabedoria.
As mulheres mais experientes carregam vivências, superações e aprendizados que podem guiar outras, conforme a visão da psicóloga. Na esfera psicológica, Lourenção aponta a necessidade humana de referências. Em diversas fases da vida, mulheres buscam modelos para compreender sua identidade e direcionar suas trajetórias.
Uma referência saudável, amorosa e fundamentada na Palavra fortalece a identidade, diminui inseguranças e promove equilíbrio emocional. A falta dessa mentoria pode resultar em confusão, solidão e na repetição de padrões disfuncionais.
A relação entre Noemi e Rute é apresentada como um modelo bíblico de discipulado intergeracional. Diante das adversidades, Noemi ofereceu orientação prática e intencional a Rute, conduzindo-a a um caminho de restauração, honra e futuro. “Mais do que um conselho circunstancial, havia discernimento espiritual: Noemi enxergava além da dor e conduzia Rute a um caminho de restauração, honra e futuro”, escreve Lourenção.
A psicóloga conclui que a cultura do Reino se consolida com a disposição mútua para ensinar e aprender, reconhecendo o encontro entre gerações como o catalisador do amadurecimento espiritual. Ela convida à reflexão com as perguntas “quem você tem discipulado — e de quem você tem aprendido?”.
