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sexta-feira, 6 março 2026

Primeira-dama da Nigéria contesta narrativas de genocídio cristão e aponta causas complexas para violência

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Primeira-dama da Nigéria rejeita alegações de genocídio cristão e descreve violência como multifacetada

A Nigéria, um dos locais mais perigosos para cristãos globalmente, é palco de um debate intenso sobre a existência de genocídio. Em entrevista exclusiva, a Primeira-dama, Oluremi Tinubu, que também é pastora pentecostal, confrontou as alegações de extermínio sistemático de cristãos, conforme apurado pela CBN News.

“Eu não acho que sim”, declarou Tinubu em mais de uma ocasião ao ser questionada sobre a ocorrência de genocídio. Ela contextualizou a violência como resultado de conflitos regionais de longa data, pobreza, terrorismo e instabilidade política, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando em 2027.

“Quando você tem terroristas e pessoas sequestrando por dinheiro, e quando o mundo joga uma narrativa de que é genocídio cristão, os terroristas vão se aproveitar disso e começar a atacar igrejas”, explicou a Primeira-dama, ressaltando a complexidade da situação.

A Nigéria apresenta uma divisão notável entre o norte majoritariamente muçulmano e o sul predominantemente cristão. Críticos argumentam que, embora milhares de muçulmanos também tenham sido vítimas fatais, os cristãos sofrem ataques desproporcionais. Além das mortes, há relatos de sequestros para resgate, perda de propriedades e casas de oração, e em alguns casos, mulheres e jovens são forçadas a casamentos.

A própria Oluremi Tinubu já enfrentou ameaças, inclusive tendo sido chamada de “pagã” por um clérigo muçulmano, o que ela compartilhou como um exemplo das nuances das divisões religiosas. O fato de ter contado com apoio de pessoas do norte para sua defesa demonstra uma complexidade maior do que a usualmente retratada.

Apesar de rejeitar o rótulo de genocídio, a Primeira-dama expressou gratidão pela intervenção dos Estados Unidos, elogiando as ações do ex-presidente Donald Trump, como os ataques a esconderijos terroristas no Dia de Natal. “Nós agradecemos ao Presidente Trump pelo que ele fez por nós. Este foi o primeiro Natal em que ninguém foi atacado”, disse ela, ecoando o sentimento de líderes cristãos nigerianos.

A administração atual do Presidente Bola Tinubu, marido da Primeira-dama e muçulmano, autorizou operações militares conjuntas ampliadas, intensificou o compartilhamento de inteligência com os EUA e anunciou planos para contratar 20.000 novos policiais e agentes de segurança. No entanto, céticos apontam que essas medidas podem ser tardias, considerando as dezenas de milhares de vidas perdidas e milhões de deslocados.

Em sua visita a Washington em fevereiro, Oluremi Tinubu buscou fortalecer as relações bilaterais e promover o comércio. Na ocasião, o ex-presidente Trump a reconheceu publicamente no National Prayer Breakfast, descrevendo-a como “muito respeitada” e elogiando suas atuações como líder nacional e pastora cristã.

Em casa, Tinubu utiliza seu casamento inter-religioso de quase 40 anos como um modelo de coexistência. “Se eu vou aproveitar meu casamento, Jesus tem que entrar e me dar essa paz. Meu marido é um bom homem”, afirmou.

Como ex-senadora, educadora, autora e apresentadora de podcast, Tinubu declara que sua missão se baseia na fé, focando na reconstrução do país através do engajamento juvenil, educação e saúde feminina. Contudo, a persistente violência na Nigéria levanta dúvidas se o governo conseguirá conter o derramamento de sangue e convencer a comunidade internacional de seu compromisso sério no combate ao terrorismo e à violência religiosa. Para muitas famílias enlutadas e desabrigadas, a resposta não pode esperar.

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