Polícia de Porto Alegre abre inquérito para apurar falas discriminatórias de Peninha contra evangélicos, sugerindo restrição de voto.
A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, localizada em Porto Alegre, deu início a um inquérito para investigar o escritor e historiador Eduardo Bueno, conhecido como Peninha. A apuração visa determinar se o intelectual cometeu crimes de discriminação religiosa através de declarações feitas em vídeo e publicadas em seu canal no YouTube.
As declarações sob investigação sugerem que a comunidade evangélica deveria ter o direito ao voto restringido. De acordo com o delegado Vinicius Naham, responsável pelo caso, as falas de Bueno se enquadram no artigo 20 da Lei Federal 7.716/89, que define crimes de discriminação ou preconceito religioso. O interrogatório de Eduardo Bueno está agendado para ocorrer até o mês de março.
No vídeo, intitulado “Com Mil Raios” e divulgado em 28 de fevereiro, Peninha fez comentários irônicos sobre um incidente envolvendo um raio durante uma manifestação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A partir daí, ele expandiu sua crítica para a participação política de evangélicos em geral.
“Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar pastando junto com o pastor. Devia ser proibido evangélico votar, porque eles não votam para pastor! Por que eles têm que votar para vereador, para deputado estadual, etc.?”, afirmou Eduardo Bueno no vídeo.
Em resposta às declarações, o Instituto Brasileiro de Direito Religioso (IBDR) emitiu uma nota pública repudiando o conteúdo, classificando-o como “discriminação religiosa e incitação ao ódio”.
Paralelamente à investigação no Rio Grande do Sul, o deputado estadual Leonardo Siqueira (NOVO-SP) protocolou uma representação junto ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Siqueira solicita a apuração do caso por possível “discurso de ódio” e “intolerância religiosa”, argumentando que as falas ultrapassam os limites da liberdade de expressão e causam dano coletivo. O parlamentar também pediu a retirada do vídeo das plataformas digitais.
A Câmara Municipal de Novo Hamburgo (RS) também se manifestou sobre o ocorrido, aprovando por unanimidade uma moção de repúdio às falas do historiador. A iniciativa, proposta pelo vereador Joelson de Araújo (Republicanos) e endossada por outros cinco parlamentares, critica a tentativa de “exclusão de cidadãos do exercício do direito fundamental ao voto em razão de sua religião”.
Eduardo Bueno tem um histórico de polêmicas envolvendo declarações contra figuras políticas e personalidades alinhadas à direita. O escritor já manifestou comemoração pela morte do ativista conservador americano Charlie Kirk e desejou a morte de personalidades como Olavo de Carvalho, Roger Moreira e a deputada Ana Campagnolo.
Em sua defesa, Eduardo Bueno declarou à imprensa que suas gravações no YouTube frequentemente contêm “excessos, exageros e metáforas”, negando ter qualquer intolerância religiosa. Ele argumenta que sua crítica é direcionada ao que chama de “voto retrógrado”, e não à fé dos eleitores.


