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quarta-feira, 18 fevereiro 2026

Pesquisa PoderData mostra 68% dos brasileiros contra a liberação do aborto, maior nível desde 2021, entenda recortes por região, renda e voto

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Levantamento nacional registra alta na rejeição à liberação do aborto, 68% dos entrevistados se dizem contrários, e mostra variação por idade, região e escolaridade

Uma pesquisa do PoderData divulgada neste domingo revela que a maioria dos brasileiros é contrária à liberação do aborto, com 68% dos entrevistados declarando oposição ao tema.

O índice representa alta de 2 pontos percentuais em relação a janeiro de 2025 e alcança o maior patamar desde janeiro de 2021, quando a pergunta passou a integrar a série histórica da pesquisa.

No mesmo levantamento, 22% dos entrevistados se dizem favoráveis à liberação do aborto, e 10% afirmaram não saber responder, conforme informação divulgada pelo Guiame, com informações do Poder360.

Resultados gerais

Segundo o PoderData, 68% dos brasileiros afirmam ser contra a legalização do aborto, 22% dizem ser favoráveis, e 10% não souberam responder. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento aponta que a rejeição ao procedimento subiu 2 pontos percentuais em um ano e atingiu o maior nível desde janeiro de 2021, quando a pergunta passou a integrar a série histórica da pesquisa.

Recortes por perfil social e eleitoral

Entre os que se declaram favoráveis à liberação do aborto, os percentuais mais altos aparecem entre idosos, com 25%, moradores da região Norte, com 27%, e pessoas com ensino fundamental, com 26%.

Já entre os que se declaram contrários, os índices são mais elevados na região Sul, onde 74% rejeitam a liberação, e entre quem tem renda superior a cinco salários mínimos, grupo no qual 72% se posicionam contra.

O levantamento também cruzou as respostas com a declaração de voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 65% afirmam ser contra a liberação do aborto, enquanto 27% se dizem favoráveis. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 73% rejeitam o procedimento, e 16% declaram apoio à legalização.

O que diz a lei e como está o debate no STF

No Brasil, o aborto é permitido em casos específicos, quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco à vida da gestante, e quando o feto é diagnosticado com anencefalia. Fora dessas situações, a interrupção da gravidez é considerada crime pela legislação brasileira.

O tema também está em análise no Supremo Tribunal Federal, em ação que discute a descriminalização do aborto. O processo foi pautado em setembro de 2023, quando a então relatora votou a favor da descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana.

O julgamento foi interrompido após pedido de destaque e ficou paralisado por mais de dois anos. Em outubro de 2025, um novo voto acompanhou o entendimento da relatora, levando o placar a 2 a 0, mas pouco depois o julgamento voltou a ser suspenso após novo pedido de destaque, e o caso segue sem conclusão.

Metodologia e representatividade

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2026. Foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos ou mais, em 111 municípios, distribuídos pelas 27 unidades da Federação.

As entrevistas foram feitas por telefone, em linhas fixas e celulares, por meio de um sistema automatizado de respostas, no qual o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde pelo teclado do aparelho. O levantamento foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo.

O PoderData informa que os dados passaram por ponderação estatística para corrigir eventuais desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. Os resultados foram arredondados para facilitar a leitura, o que pode gerar pequenas diferenças na soma dos percentuais.

O quadro apresentado pela pesquisa indica que a oposição à liberação do aborto segue majoritária no país, mesmo diante do avanço do debate na mídia e das discussões em instâncias jurídicas, e que a posição contrária atravessa diferentes campos ideológicos e eleitorais.

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