A perseguição aos cristãos em Bangladesh tem se intensificado nas semanas que antecedem as eleições, previstas para 12 de fevereiro de 2026, com ameaças e acusações falsas visando converter e coagir seguidores da fé cristã.
No norte do país, a onda de intimidação afeta evangelistas e famílias cristãs, com um foco particular em cristãos de origem muçulmana. Um evangelista local, conhecido como Mamun, relatou ter sido ameaçado em meados de janeiro por líderes islâmicos que administram um grupo proeminente nas redes sociais da região.
Esses líderes disseminaram acusações infundadas de que pessoas estavam sendo convertidas ao cristianismo mediante pagamento financeiro. Conforme relatos, um dos envolvidos na acusação visitou a residência de Mamun, proferiu ameaças diretas e exigiu o fim de suas atividades evangelísticas e do trabalho de sua igreja doméstica.
Mamun buscou amparo na delegacia local para registrar uma denúncia formal. No entanto, ao chegar à unidade policial, foi informado que uma queixa já havia sido apresentada contra ele pelo líder islâmico. A orientação recebida foi de que Mamun deveria redobrar os cuidados, em vez de obter proteção policial.
“Os membros de nossa igreja estão vivendo com medo. Muitos só saem de casa quando é absolutamente necessário, e a frequência na nossa igreja doméstica diminuiu. Por favor, orem por nossa segurança.”, declarou o Evangelista Mamun.
O evangelista também mencionou que, em novembro de 2025, autoridades locais já haviam alertado sobre a atuação de um grupo fundamentalista armado, uma ameaça que, segundo ele, nunca foi efetivamente neutralizada. As novas intimidações agravaram o temor já existente entre os cristãos da localidade.
Em uma vila próxima, a situação também é preocupante. Integrantes de um partido político islâmico teriam visitado residências de cristãos durante o dia, enquanto os homens estavam trabalhando, e pressionaram cerca de quinze famílias. A exigência era clara abandonar a fé cristã para poderem permanecer na comunidade.
“Eu tinha apenas 4 kg de arroz em casa, e separei 1,5 kg para uma família de cristãos que não tinha nada para comer. Deus vê nossa luta. Já disse à minha esposa e filhos que não registrem queixa alguma, mesmo que eu seja morto. Orem por nós, para que permaneçamos fiéis a Cristo até o fim”, relatou o pastor local Saiful.
Parceiros locais da organização Portas Abertas estão oferecendo apoio emergencial a Mamun, Saiful e às famílias afetadas, incluindo assistência com alimentos e orações. Em meio ao cenário de instabilidade, os cristãos buscam refúgio na fé.


