Descoberta arqueológica com IA aponta autoria dupla no antigo Pergaminho de Isaías, desafiando visões tradicionais
O Grande Pergaminho de Isaías, um achado crucial entre os Manuscritos do Mar Morto, pode ter sido produzido por duas pessoas diferentes. Pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, empregaram inteligência artificial e análise paleográfica avançada para chegar à conclusão de que o manuscrito de sete metros de comprimento não é obra de um único escriba, mas sim de dois profissionais que colaboraram em sua cópia há mais de dois mil anos.
A equipe, liderada por Mladen Popović, Maruf Dhali e Lambert Schomaker, utilizou algoritmos de aprendizado de máquina para examinar as variações sutis na caligrafia. A análise detalhada da forma das letras, do espaçamento e da pressão do cálamo sobre o couro revelou uma transição clara de estilo de escrita na metade do pergaminho, especificamente entre as colunas 27 e 28. Essa mudança sugere a intervenção de um segundo copista para finalizar o Livro de Isaías.
Essa nova perspectiva sobre o Grande Pergaminho de Isaías questiona a crença histórica de que ele era uma obra individual. A semelhança entre as caligrafias pode indicar que os escribas compartilhavam um treinamento comum, possivelmente em uma escola ou comunidade religiosa da época, como a de Qumran, onde os manuscritos foram encontrados. A colaboração demonstra um esforço coletivo para a preservação e a cópia precisa das escrituras.
Datado de aproximadamente 125 a.C., o Grande Pergaminho de Isaías detém o texto completo do Livro de Isaías e é cerca de mil anos mais antigo que outros manuscritos hebraicos conhecidos antes de sua descoberta. Sua preservação excepcional permitiu a aplicação de tecnologias modernas, como a IA, para desvendar mistérios antes inacessíveis à análise humana.
O estudo também confirmou que o pergaminho foi originalmente montado a partir de dois rolos de couro separados, que foram posteriormente costurados. Essa descoberta reforça a ideia de uma produção em etapas.
Para a comunidade acadêmica e religiosa, a revelação de que um dos mais antigos textos bíblicos foi escrito por mãos distintas não diminui sua importância espiritual, mas enriquece a compreensão histórica sobre o papel dos escribas na tradição judaico-cristã. O uso de IA na arqueologia bíblica abre novas possibilidades para a análise de outros manuscritos antigos, prometendo maior precisão na identificação de autores e datação de textos.
