Pastor indiano Bipin Naik espancado e humilhado por nacionalistas hindus após suposta conversão de fiéis

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Pastor indiano sofre brutal agressão física e humilhação pública por nacionalistas hindus na Índia; polícia é acusada de omissão

Um pastor cristão, Bipin Bihari Naik, de 35 anos, foi brutalmente agredido e submetido a humilhações extremas por uma multidão de nacionalistas hindus na vila de Parjang, distrito de Dhenkanal, no estado de Odisha, Índia. O ataque ocorreu em 4 de janeiro, sob o olhar, segundo relatos, de uma polícia que teria se omitido em intervir. O pastor foi acusado de converter hindus ao cristianismo, o que não é crime no país.

Segundo o Morning Star News, uma multidão de aproximadamente 150 moradores, liderados por membros do Bajrang Dal, braço jovem do grupo extremista hindu Vishwa Hindu Parishad (VHP), invadiu a residência do pastor Naik. Os agressores arrastaram o pastor para fora de casa, agredindo-o com socos, tapas e chutes. Em sua defesa, o pastor alegou que não forçou nenhuma conversão, mas apenas discipulou aqueles que já acreditavam em Jesus.

O ataque, que causou danos à audição de um dos ouvidos do pastor, incluiu a obrigação de andar sobre espinhos, ser amarrado a um templo hindu e forçado a entoar cânticos hindus. Tentaram ainda forçá-lo a beber água misturada com esterco de vaca. O pastor Naik descreveu a experiência como um milagre de sobrevivência, acreditando que seria morto durante o espancamento.

A esposa do pastor, Bandana Naik, testemunhou a agressão e relatou ter fugido com os filhos para buscar ajuda na delegacia mais próxima. No entanto, enfrentou dificuldades para registrar o Boletim de Ocorrência (BO), sendo instruída a escrever uma petição detalhando o ocorrido. Mesmo após apresentar a queixa, a polícia teria demorado a agir, alegando que a viatura estava em patrulha.

Enquanto a esposa buscava socorro, a multidão arrastou o pastor Naik para o centro da vila, acusando-o publicamente de conversões ilegais. Ele foi amarrado a um poste em um templo hindu, onde sofreu novas agressões. Um jornalista local teria insultado o pastor e incitado a multidão a continuar os ataques.

O pastor relatou ter sido atingido por varas de bambu e sofrido centenas de tapas, resultando em inchaço facial e afetando sua audição. As mãos do pastor sangravam devido à tensão das amarras ao poste. Posteriormente, ele foi forçado a se curvar diante de uma efígie da divindade Hanuman e a entoar slogans hindus, aos quais respondeu com “Jai Yeshu” (Salve Jesus), intensificando a agressão.

A multidão finalizou a humilhação criando uma guirlanda de chinelos, colocando-a em seu pescoço e desfilando-o descalço pela aldeia, simulando uma crucificação e obrigando-o a caminhar sobre galhos com espinhos. A polícia resgatou o pastor Naik somente horas após o início do ataque, já no final da tarde, encontrando-o amarrado no templo hindu.

No hospital, onde foi levado por líderes cristãos após ser liberado pela polícia, o pastor recebeu tratamento para ferimentos e dores. Posteriormente, o pastor Naik e sua família se mudaram para um local seguro, a 71 quilômetros da vila, devido ao trauma e ao receio de represálias, inclusive por parte do proprietário do imóvel onde moravam.

A Índia figura na 12ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, indicando um ambiente de severa dificuldade para cristãos no país. Defensores de direitos religiosos apontam o tom hostil do governo atual como um incentivo a ataques de extremistas hindus contra minorias religiosas.

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