Papiro egípcio de 3.300 anos no British Museum descreve Shasu com até 2,44 m, reacendendo debate sobre gigantes bíblicos, Nephilim e evidências históricas

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Papiro Anastasi I, no British Museum, menciona Shasu de estatura extraordinária, quatro a cinco côvados, e reacende discussão sobre os relatos de gigantes bíblicos e possíveis evidências

Um papiro egípcio de cerca de 3.300 anos, guardado no British Museum desde o século XIX, voltou ao centro das discussões por conter descrições pouco comuns sobre um grupo chamado Shasu, apontados no texto como de estatura muito elevada.

O documento, uma cópia do conhecido Anastasi I datado do século XIII a.C., descreve membros desse grupo como medindo “quatro ou cinco côvados de altura”, uma medida que equivale a aproximadamente 2,44 metros no extremo citado pelo texto.

Pesquisadores ligados ao Associates for Biblical Research apontam similaridades entre essas descrições e relatos bíblicos sobre os Nephilim, renovando o interesse por uma possível correlação entre fontes egípcias e hebraicas, conforme informações do British Museum e de pesquisadores do Associates for Biblical Research.

O que diz o papiro Anastasi I

O papiro assume a forma de uma carta escrita em tempo de guerra, com alertas sobre terrenos perigosos e encontros hostis. No trecho mais citado, o escriba afirma, “O desfiladeiro estreito está infestado de Shosu escondidos sob os arbustos; alguns deles têm quatro ou cinco côvados de altura, da cabeça aos pés, rosto feroz, coração indomável e não dão ouvidos a súplicas.”

Essa passagem descreve os Shasu como guerreiros difíceis de subjugar e de aparência intimidadora, o que motiva a comparação com figuras de grande estatura mencionadas em textos antigos.

Conexões com relatos bíblicos

Os defensores da linha que relaciona ambos os relatos destacam citações bíblicas, em especial Números 13, versículo 33, onde se lê, “E vimos ali os gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e aos nossos próprios olhos parecíamos gafanhotos, e assim também parecíamos aos olhos deles.”

Para esses estudiosos, a coincidência entre descrições de grandes estaturas e de caráter formidável em fontes distintas pode oferecer uma rara corroboração não bíblica para a narrativa do Antigo Testamento sobre os gigantes bíblicos, entre eles os chamados Nephilim.

Ceticismo e limites das evidências

Apesar da repercussão, a comunidade acadêmica mantém cautela. Historiadores lembram que, até o momento, não há provas físicas conclusivas, como esqueletos confirmados, que sustentem a existência generalizada de indivíduos com mais de 2 metros e meio em populações antigas.

O texto do papiro é, em essência, uma narrativa militar e pode refletir exageros retóricos ou convenções literárias do período, em vez de um registro etnográfico objetivo.

Outros relatos e mitos comparados

Além do caso egípcio, existem relatos lendários e histórias locais que aludem a “humanos gigantes” em diferentes regiões, como narrativas envolvendo esqueletos de grandes proporções nos Estados Unidos, com medidas entre 2,13 m e 2,44 m, mas muitos desses relatos carecem de verificação científica rigorosa.

Em resumo, o redescobrimento do trecho do Anastasi I reacende o debate sobre a existência de gigantes bíblicos, sem, contudo, oferecer provas arqueológicas definitivas. A descoberta estimula novas pesquisas sobre como povos antigos descreviam inimigos e populações vizinhas, e sobre até que ponto tais descrições se fundiam com mitos e representações literárias.

Pesquisas futuras, revisão dos contextos epigráficos e eventuais achados arqueológicos serão necessários para avançar na compreensão do que essas descrições realmente refletem, entre memória histórica, propaganda militar e tradição oral.

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