Teólogo NT Wright questiona retorno literal de Jesus à Terra; entenda a visão

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Teólogo NT Wright sugere que ‘véu será retirado’ em vez de retorno literal de Jesus à Terra

O renomado teólogo NT Wright apresentou uma perspectiva diferente sobre a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Em um episódio do podcast Ask NT Wright Anything, o especialista abordou a crença cristã central, propondo que o retorno de Cristo não deve ser interpretado como um evento físico literal, conforme popularizado em algumas correntes teológicas. Wright sugere que a narrativa bíblica aponta para a renovação da criação, e não para uma ‘fuga’ da Terra.

Wright argumentou que passagens bíblicas frequentemente associadas a uma descida física de Jesus devem ser compreendidas através de linguagem simbólica. Baseando-se no livro de Daniel, ele indicou que tais textos descrevem a exaltação e a autoridade de Cristo, em vez de um retorno físico e visível. O teólogo definiu o evento futuro como um momento em que “o véu será retirado”, sinalizando uma revelação plena da realidade divina.

O teólogo britânico acrescentou que esse momento representará a fusão entre o céu e a terra, inserido no conceito de “nova criação” apresentado no Novo Testamento. Ele ressaltou, contudo, as limitações da compreensão humana diante de tais conceitos. “Estamos nos limites da linguagem… simplesmente não sabemos como esses novos céus e essa nova Terra funcionarão”, declarou.

Em relação à vida após a morte e a episódios bíblicos como a transfiguração de Jesus, Wright afirmou que figuras como Moisés e Elias não estavam em corpos ressuscitados, mas sim “vivos para Deus”, aguardando a ressurreição futura. Ao discorrer sobre o destino daqueles que nunca ouviram o Evangelho, o teólogo enfatizou a justiça e a soberania divina, afirmando que “O Juiz de toda a Terra fará justiça”.

Citando exemplos bíblicos como Cornélio, do livro de Atos, o teólogo sugeriu que a ação de Deus pode transcender barreiras culturais e históricas. No entanto, ele evitou conclusões definitivas sobre a salvação individual, preferindo não “evitar uma análise excessivamente precisa de quem está dentro e quem está fora”.

Abordando temas espirituais mais amplos, como a existência de um “conselho divino”, Wright reconheceu a complexidade da realidade espiritual descrita na Bíblia. Ele alertou, porém, contra o foco excessivo nesses aspectos, defendendo que a centralidade deve permanecer em Cristo. “A luz brilhante da plena revelação de Deus em Cristo… significa que a importância que os anjos assumem… é diminuída”, pontuou.

Wright também criticou a visão predominante de que a salvação se resume a “ir para o céu” após a morte, considerando que essa interpretação distorce a mensagem bíblica. “O problema é que a maioria dos cristãos ocidentais hoje pensa que o objetivo principal do cristianismo é que nossas almas vão para o Céu quando morremos”, observou.

Por fim, o teólogo reforçou que o Novo Testamento retrata a obra de Deus como um processo já em andamento na história, iniciado pela vida, morte e ressurreição de Jesus. Ele destacou o papel ativo da Igreja nesse contexto, afirmando que “A Igreja é chamada a ser… o pequeno modelo funcional da nova criação”.

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