Marcos Antônio Jesus Martins, mais conhecido como “Demônio de Delta”, disse à reportagem do Jornal da Manhã que seu pai o havia prometido ao demônio ainda na barriga da mãe.
Em entrevista exclusiva ao JM, ele falou sobre sua origem, como veio parar em Delta e os motivos que o teriam levado a se tornar um assassino em série.
Desde a adolescência, Marcos era adepto a rituais satânicos, realizados com a morte de animais. Filho de mãe católica e pai umbandista, Marcos Antônio Jesus Martins cresceu em uma cidade chamada Santa Inês, no Estado do Maranhão. Ele tem cinco irmãos, uma mulher e quatro homens. Marcos afirmou à reportagem que preteriu o Catolicismo para seguir a linha umbandista do pai.
O homem que assassinou friamente três pessoas, entre elas um padre, não chegou a conhecer o pai, que morreu quinze dias antes do nascimento de Marcos. A reportagem questionou como ele enveredou por esse caminho se o pai morreu antes de ele nascer. A explicação segue a mesma linha dos motivos que o levaram a matar três pessoas. “Eu já fui escolhido. Meu pai me entregou ao demônio antes do meu nascimento”, explica. Marcos começou no mundo da umbanda como “servente”, ajudando os freqüentadores do centro. “Depois, as entidades começaram a trabalhar comigo. A gente orava para que entidades viessem. Eu incorporava homens e mulheres”, explica.
O assassino afirmou que trabalhava com “magia negra”. Marcos recebia pelos seus “trabalhos” no centro, mas não revelou os valor dos seus préstimos espirituais. Nos rituais, animais eram mortos. Ele explicou como alguns rituais eram realizados, relatando alguns fragmentos de sessões Os objetivos dos freqüentadores eram os mais variados. Segundo Marcos, as pessoas o procuravam para reatar namoros, casamentos, ou para separar casais.
Há séculos religiosos optam pela castidade para se dedicarem completamente a Deus. O celibato até o casamento também não é novo: uma grande variedade de culturas tradicionais e as principais religiões monoteístas – cristianismo, islão, judaismo – prescrevem a virgindade até o matrimônio. Mas a psicologia alerta que tais práticas podem ser prejudiciais, gerando neuroses.
Entretanto, se a decisão for por opção, ao invés de ser por medo de punição, é possível ser casto sem problemas. É o que garante a psicóloga paraense Karina Darwich, 38, mestra em Psicologia: Teoria e Pesquisa do Comportamento Humano. Segundo ela, há como canalizar o desejo sexual para outras atividades. ‘Pela sublimação, a pessoa pode extravasar as energias para a solidariedade e para atividades físicas, por exemplo. Neste caso, diminuem as chances de ocorrer algum problema’, afirma a psicóloga, especialista em Psicodiagnóstico e Terapia Infantil e do Adolescente.
Neuroses podem ocorrer, diz Karina, quando a razão da castidade é o medo de ser reprovado por Deus, de punição. ‘Muitos religiosos se reprimem de maneira que pode vir a ser prejudicial psicologicamente. A pressão de evitar uma atitude pelo medo de ser condenado não é saudável’, explica.
Tal teoria é apoiada no pensamendo do psicanalista Sigmund Freud, que dizia que o sentimento de culpa é problema capital da civilização.
Ciente do que diz a psicologia, o pastor José de Arimatéia afirma não se preocupar com isso e abraça a opinião que tem a maioria dos evangélicos: sexo, apenas depois do casamento. ‘O psicólogo tem a ciência para se apoiar e nós (crentes) nos guiamos por outro parâmetro, pela parte espiritual’, diz. ‘Deus tem suas leis e elas não dependem do que diz a ciência’, afirma o pastor.
Arimatéia reconhece que o ser humano tem cinco instintos: de reprodução, auto-preservação, de possuir, de se alimentar e de dominar. ‘É natural nossa inclinação para estes instintos. A questão é que devemos dominar todos eles e como a ‘Bíblia’ deixa claro que o sexo é para depois do casamento, devemos ter controle sobre isso também’, diz.
O pastor acredita firmemente que Deus não permite que os crentes sofram neuroses por causa da castidade temporária. ‘Isto não acontece, pois é um ato voluntário da pessoa se preservar até o casamento’, fala.
O padre Djalma Lopes da Costa, 53, diretor-geral do Instituto Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, concorda com a opinião da psicóloga Karina Darwich. Para Djalma, se a pessoa decide pelo celibato por motivos errados sofrerá as conseqüências psicológicas da escolha. ‘Há pessoas que se tornam padre por orgulho, sem espiritualidade. A única maneira de conseguir é pelo dom de Deus, pois se a pessoa se dedicar completamente ao sacerdócio, a parte sexual fica em segundo plano’, explica.
‘À luz da fé, é possível ser casto de maneira saudável; de qualquer outra maneira vai ser um peso muito grande para a pessoa’, diz.
Atenções canalizadas para fé
Segundo o padre Djalma Lopes da Costa, 53, diretor-geral do Instituto Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, há pessoas que deixam de ser padre por falta de doação sincera a Deus e por falta de humildade, pois durante todo o tempo os padres são tentados. ‘A gente não deixa de ser homem, mas deve canalizar as atenções para a oração, renovação da fé. Devemos nos relacionar com todos sem nos misturar, sem nos sujar, olhar as demais pessoas como se fossem irmãs e mães’, explica.
O padre Djalma conta que até hoje é virgem. Ingressou no seminário há 30 anos, após completar curso de edificações na Escola Técnica do Pará, hoje Cefet, mas tinha vontade de ser padre desde criança. ‘Minhas brincadeiras eram de fingir missa e procissões’, conta. Após momentos de dúvida sobre o que faria na sua vida, Djalma seguiu a carreira de padre e hoje não se arrepende. ‘Se um dia eu cair, levanto, sabendo que é este o caminho que Deus quer para mim’, completa.
Tabus geram neurose coletiva
Nem todos os pastores defendem que o sexo deve ser consumado apenas depois do casamento. O reverendo Caio Fábio (foto) – famoso nas décadas de 80 e 90 por suas pregações em estádios de futebol e em programas televisivos – acredita que a Igreja Evangélica acaba por produzir milhares de neuróticos ao criar um tabu em torno do assunto. ‘Usar tabus para impedir a sexualidade, é, em si, neurose. Tudo aquilo que acontece em razão de impedimentos vinculados ao medo, vira neurose’, afirma no site www.caiofabio.com, em resposta a um e-mail de um jovem em dúvida sobre o assunto.
A idéia central de Caio Fábio é que cada crente deve seguir as limitações da sua consciência e não de uma lei instituída pela religião. Mas, dentro desta idéia, o reverendo vê como prejudicial as relações sexuais sem sentimento, sem amor. ‘Você pergunta: até onde eu posso ir? Minha resposta é simples: ..’bem-aventurado é todo aquele que não se condena naquilo que aprova’. Ou seja: quem quer que lhe diga faça ou não faça, está pecando contra a sua consciência’, diz.
Origens e comportamento
Segundo o dicionário Aurélio, ser casto é se abster de quaisquer relações sexuais. A castidade na visão religiosa significa não pecar contra o próprio corpo. O voto de celibato é exigido pela Igreja Católica a todas as hierarquias sacerdotais.
A origem da castidade, de acordo com o historiador Fernando Artur, pesquisador de história da religião, é incerta. Professores de história costumam dizer que é uma prática implementada apenas na Idade Média, para evitar que a Igreja perdesse posses em eventuais disputas de herança, mas tal afirmativa, segundo Fernando Artur, não é comprovada. ‘Pode ter sido relacionado com isso, mas foi uma série de fatores que fez a Igreja decidir, por meio de concílios, que os vocacionados para serviço exclusivo na igreja seriam castos’, diz.
Da mesma forma, diz o historiador, o sexo após o casamento tomou força na Idade Média, mas nem em todas as sociedades. ‘Na Palestina, na época de Jesus, uma mulher grávida antes do casamento, como foi o caso de Maria (mãe de Jesus), era passível de apedrejamento’, afirma. ‘Entretanto, no Japão, por exemplo, até o século XVI, a mulher casar após perder a virgindade não era visto de forma negativa pela sociedade’, completa.
Com amor e responsabilidade
O reverendo Caio Fábio acredita que obedecer a Deus em qualquer área da vida não adoece a alma: se as leis da religião estão adoecendo almas, é porque elas nada têm a ver com o espírito do Evangelho.’No amor não existe neurose, porque nele não existe fobia. Pessoas adultas de alma e que se amam responsavelmente nunca se sentem em pecado quando estão livres para fazer amor’, afirma. Assim, o pastor não condena o sexo antes do casamento, desde que seja de forma responsável e com amor.
Histórico
O historiador Fernando Artur afirma que até o início da Idade Média o casamento era uma celebração privada, um acordo entre famílias, sem ingerência da Igreja ou do poder público. ‘Demorou séculos para a Igreja conseguir se impor nesta questão e chegar ao ponto que estamos hoje’, fala. Antes disso, conta, casava-se logo após a puberdade. ‘Com 15 anos a pessoa era considerada adulta, já que a média de idade era pouco maior que 30 anos’, diz. Como hoje a expectativa de vida é mais longa, a fase considerada adulta, quando a maioria dos casamentos ocorrem, é depois do início da puberdade. ‘Este meio tempo que tem feito a sociedade quebrar o tabu de sexo apenas depois do casamento, embora a religião ainda não pense assim’, diz.
Uma mulher suíça, divorciada e com quatro filhos, foi “ordenada” neste sábado, 24, sacerdotisa católica por duas teólogas durante uma cerimônia a bordo de um navio no Lago de Constança, em um desafio à Igreja Católica.
Monica Wyss, tem 46 anos e recebeu os hábitos de outras duas mulheres, uma austríaca e uma americana, informou a imprensa local.
As três mulheres provavelmente serão excomungadas, já que a Igreja Católica romana não permite que as mulheres sejam ordenadas.
Além de Wyss, a primeira suiça a se ordenar em desafio à Igreja, há cerca de 20 mulheres no mundo que tomaram a mesma atitude e se nomearam sacerdotisas, apesar do risco da excomunhão.
Em sua carta “Ordinatio Sacerdotalis” (1994), o ex-papa João Paulo II afirma que “a Igreja não tem de nenhuma maneira o poder para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres… Essa posição deve ser definitiva e aceita por todos os fiéis da Igreja”.
O atual Papa Joseph Ratzinger já excomungou em 2002 outras sete mulheres quando chefiava a Congregação para a Doutrina da Fé.
As mulheres sacerdotizas que existem no mundo não quiseram renunciar a sua fé católica e adotar o protestantismo, que autoriza a nomeação, e consideram que a proibição do Vaticano “é um erro da Igreja e não uma regra ditada por Jesus Cristo”.
Elas também afirmam não querer criar uma nova Igreja, mas sim lutar pela igualdade dos sexos dentro da Igreja Católica Romana.
O responsável pela ordenação em 2002 das sete mulheres que foram excomungadas pelo atual Papa Bento XVI foi o argentino Romulo Braschi, um bispo independente pertencente à Igreja Católica Apostólica Carismática de Jesus Rei, que se considera um cisma da católica romana, segundo circulou na imprensa.
Em 2005, uma francesa, sete americanas, uma alemã e uma canadense foram ordenadas, e há outras sessenta recebendo formação para fazê-lo no futuro.
Monika Wyss, que procede de uma família católica praticante da região de Basiléia, no noroeste da Suiça, iniciou seus estudos de teologia na Universidade de Lucerna, mas os interrompeu em 2003 por motivos de saúde e, segundo a imprensa local, pensa em retomá-los ainda este ano.
A resolução adotada pelos bispos e demais membros da Igreja procura “impedir a consagração de qualquer candidato (a bispo) cujo estilo de vida seja um desafio para uma igreja mais extensa e que pudesse gerar futuras rupturas”.
A Igreja Episcopal, ramo anglicano nos EUA, decidiu não ordenar mais bispos homossexuais, modificando uma norma anterior aprovada poucas horas antes.
A resolução adotada pelos bispos e demais membros da Igreja procura “impedir a consagração de qualquer candidato (a bispo) cujo estilo de vida seja um desafio para uma igreja mais extensa e que pudesse gerar futuras rupturas”.
No debate realizado durante o Sínodo Geral, ficou estabelecido que o “estilo de vida” fazia alusão aos candidatos ao episcopado que são abertamente homossexuais.
Katharine Jefferts Schori, eleita para dirigir a Igreja Episcopal na convenção dos bispos anglicanos dos EUA, apóia a ordenação de bispos homossexuais. As relações com a Igreja Anglicana no resto do mundo já eram especialmente tensas depois da ordenação do bispo abertamente homossexual Gene Robinson.
O Bispo de Rochester, Michael Nazir-Ali, afirmou que nesta altura um cisma na Igreja Anglicana é um sério risco. “Ninguém quer uma separação mas se pensarmos que praticamente temos duas religiões na mesma Igreja, algo tem de ceder em algum momento”, apontou.
As Sociedades Bíblicas Unidas (SBU) trabalham, atualmente, em mais de 60 projetos de tradução do texto sagrado nas Américas, revelou o consultor desse organismo, Bill Mitchell
As Sociedades Bíblicas Unidas (SBU) trabalham, atualmente, em mais de 60 projetos de tradução do texto sagrado nas Américas, revelou o consultor desse organismo, Bill Mitchell, ao participar do II Fórum de Ciências Bíblicas, reunido dias 8 e 9 em Barueri, São Paulo.
“A geração de missionários do pós-guerra ajudou na expansão da tradução”, disse Mitchell, reconhecendo que hoje a Internet e a linguagem dos adolescentes reforçam a necessidade de se revisar as traduções da Bíblia para que mais pessoas sejam alcançadas.
O consultor de Traduções na Área das Américas das SBU e doutor em Teologia trouxe “Informações sobre a tradução da Bíblia no mundo”, assunto que enriqueceu o II Fórum organizado pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).
O Fórum teve como tema “A tradução da Bíblia para a língua portuguesa – 325 anos da primeira tradução do Novo Testamento em português”, trabalho desenvolvido por João Ferreira de Almeida.
Ainda existem no mundo cerca de três mil línguas indígenas para as quais a Palavra de Deus não foi traduzida, mencionou o pastor Norval da Silva, consultor da Associação Lingüística Evangélica Missionária (ALEM). No II Fórum, ele abordou “A tradução da Bíblia para línguas indígenas no Brasil”.
A Bíblia valoriza a língua nativa e fortalece o sentimento de identidade de um povo, afirmou Silva, alertando, contudo, que em matéria de tradução não se deve impor nada, uma vez que “a decisão tem que ser do próprio povo”.
Para o pastor Esequias Soares, presidente da Assembléia de Deus de Jundiaí, São Paulo, “nem o estilo, nem o nível de linguagem são importantes, mas sim a mensagem, que não pode ser corrompida. O que importa é que o homem conheça a vontade de Deus”, assinalou, ao falar sobre “A tradução da Bíblia e a obra missionária”.
As pessoas não precisam saber hebraico, aramaico ou grego para conhecer o Evangelho. “A pregação é feita na língua do povo e a História mostra isso”, frisou Soares.
Durante o evento, que teve por palco o Museu da Bíblia, em Barueri, foi lançado o livro “Fórum de Ciências Bíblicas – volume 1”, que reúne as palestras da primeira edição dessa iniciativa, realizada no ano passado, e que teve por temática principal os 1.600 anos da primeira grande tradução ocidental da Bíblia – Jerônimo e a tradução da Vulgata latina.
A Igreja Johanneskirche em Colônia é uma das cerca de duas mil comunidades luteranas da Alemanha que se transformaram em palco da transmissão dos jogos durante a Copa do Mundo na Alemanha.
Até 9 de julho, dia do encerramento do Mundial, a igreja fica aberta não só aos paroquianos, mas a toda a comunidade de fãs.
“Tivemos um Mundial na Alemanha pela última vez há mais de 30 anos. A Igreja não pode ignorar um evento destes”, disse o pastor Martin Garbisch. “Um torneio de futebol é uma festa, cada partida envolve muitas emoções, muitas vezes até euforia. Queremos dar oportunidade aos membros da comunidade para que vivenciem estes momentos.”
Além disso, futebol e religião têm muito em comum, assinala Garbisch. “Muitos jovens idolatram seus jogadores preferidos. Desde o jogo entre Alemanha e Polônia, David Odonkor, da seleção alemã, por exemplo, passou a ser chamado de ‘deus do cruzamento’, por ter servido o artilheiro Neuville”, observa.
Não só para famílias
A iniciativa foi bem recebida pelos membros da paróquia. Cerca de 100 pessoas assistiram ao jogo de abertura da Copa na Johanneskirche. A partida da da seleção alemã contra o Equador, na terça-feira, chegou a ter até mais visitantes. “Não contávamos com tamanho público, pois o jogo foi à tarde”, admira-se o pastor.
Stefan, de 37 anos, trouxe um amigo para ver a partida, cuja vitória valeu à Alemanha a liderança do Grupo A. “Estou aqui por curiosidade. Um colega me contou desta possibilidade e vim para ver como é. Já assisti a jogos em muitos lugares: no estádio, no bar, no centro da cidade. Mas numa igreja é algo especial”.
Outra espectadora, Nicole, já veio pela segunda vez. Como muitas outras famílias, ela trouxe o filho. “Meu marido é policial e por isso durante a Copa quase sempre faz plantão . Não gosto de ir com a criança ver o jogo em um bar ou numa praça cheia de gente. Na igreja é mais seguro e as crianças gostam”, comenta.
Cerca de 20 crianças acompanharam a partida na primeira fileira, sem dispensar as salsichas e o pão típico pretzel. O torcedor mais jovem tinha um ano de idade.
Otimistas apostaram certo
Anika, de sete anos, foi a única a acertar o palpite em relação ao placar final: 3 x 0 para os alemães. Na realidade, foi seu segundo palpite. Da primeira vez, ela havia apostado que a Alemanha venceria por 10 a 0, mas mudou de idéia porque os “adultos riram muito”.
Nem todos se alegraram com a vitória. “Vencer o Equador não é grande mérito”, diz um dos torcedores que acompanhou o jogo na igreja. “Qualquer clube amador os derrotaria”, completa. Mas Stefan contesta. Ele está satisfeito com a apresentação dos alemães.
“Nossa equipe venceu, pois jogou bem. Teve bom controle de bola e atacou constantemente. Não há o que criticar porque nos jogos anteriores o Equador mostrou que é um adversário forte”.
O arcebispo metropolitano de Belém, Dom Orani João Tempesta, teve uma audiência com o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, na sede da Procuradoria Regional da República do Pará.
Dom Orani cobrou uma maior presença do Ministério Público Federal no interior paraense. Ele quer evitar mais mortes de missionários cristãos católicos, como ocorreu com a irmã Dorothy Stang. Dom Orani demonstrou preocupação com as ameaças de morte ao bispo do Xingu, Dom Erwin Krautler, e dos padres José Boeing e Edilberto Sena, ambos da diocese de Santarém.
De acordo com o procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior, o procurador-geral ouviu atentamente aos pedidos de Dom Orani e garantiu que todas as reivindicações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) serão entregues ao ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos. Segundo Felício Pontes Júnior, o Ministério Público Federal aumentará sua presença no interior, mas a forma da atuação do efetivo de procuradores da região não foi divulgada. Isso ocorre porque o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, discutirá as ações imediatas com o ministro Márcio Tomaz Bastos para, em seguida, as providências mais urgentes serem tomadas.
O procurador Felício Pontes Júnior chamou a atenção para este pedido da CNBB, entregue por Dom Orani. Segundo o procurador, nunca a Igreja Católica tinha feito um pedido desta natureza. O procurador acredita que as ameaças ao bispo do Xingu, Dom Erwin Krautler, são oriundas de lideranças empresariais das áreas pecuarista e madeireira, além de grandes empresas do agronegócio.
Ele confirmou que a população local, composta de ribeirinhos e quilombolas, estão perdendo suas moradias devido ao avanço do agronegócio, da pecuária extensiva com seus pastos e da indústria madeireira. Quanto à atuação da Justiça Federal no interior, Felício Pontes Júnior disse apenas que a ação aumentará durantec este ano.
Para Felício Pontes Júnior, os religiosos católicos estão agindo em defesa da população local, que vem sendo massacrada por grandes grupos empresariais do setor primário da economia paraense. ‘O procurador-geral da República ficou extremamente sensiblizado com o pedido de Dom Orani’, disse Pontes Júnior.
Já as ameaças aos padres da diocese de Santaré, José Boeing e Edilberto Sena, foram feitas pela internet, por meio das comunidades virtuais. Felício Pontes Júnior disse ainda que a ação destes empresários está desrespeitando a Constituição brasileira. Ele deu o exemplo da empresa estadunidense Cargil, que teve todas as suas construções irregulares para o escoamento da soja, ao começar pela própria instalação da empresa.
Na carta entregue ao procurador-geral da república, Dom Orani disse que ele um porta-voz da CNBB na região Norte e pede proteção aos bispos e padres, além do estabelecimento dos direitos do excluídos, com destaque para os ribeirinhos e comunidades quilombolas. Dom Orani acredita que os problemas no setor rural paraense sejam provenientes do choque de interesses dos modelos de desenvolvimento praticados na Amazônia.
Na carta, a CNBB demonstra que é contra ao desmatamento irracional, à destruição do meio ambiente e à falta de salvaguardas para a biodiversidade da Amazônia. ‘As dioceses acompanham o drama da população por meio do trabalho pastoral, mas a região continua sem uma presença eficaz dos poderes constituídos, deixando grandes espaços para uma ação violenta contra a floresta e várias populações nativas’, disse Dom Orani, por meio da carta entregue ao procurador-geral da República.
Oito homens, todos membros da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foram acusados de praticar atos sexuais com uma menor e de conspiração para cometer tais atos.
Oito membros de uma comunidade polígama dos Estados Unidos foram acusados de abusar sexualmente de menores, segundo o jornal Salt Lake Tribune. No entanto, as investigações por parte de autoridades dos Estados de Utah e Arizona estão sendo dificultadas devido à falta de testemunhas.
Polígamos são pessoas que têm mais de um cônjuge ao mesmo tempo.
Até agora, as autoridades não conseguiram que as vítimas se apresentassem perante os tribunais, o que poderá adiar ou até mesmo cancelar o julgamento contra os oito acusados.
“Não tivemos sorte (com a apresentação de testemunhas). Eles fogem, se escondem, mudam de domicílio ou não atendem à porta”, disse o promotor Matt Smith, do Condado Mohave, no Arizona, onde estão programados dois julgamentos a partir do dia 5 de julho.
Segundo Smith, os acusados alegam uma crença religiosa para defender uma prática que, em resumo, serve apenas para a gratificação sexual.
Os oito homens, todos membros da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foram acusados de praticar atos sexuais com uma menor e de conspiração para cometer tais atos.
Um dos acusados, o líder religioso Warren Jeffs, figura na lista dos fugitivos mais procurados pelo FBI desde o dia 6 de maio, informou o Salt Lake Tribune.
Segundo os documentos da acusação, as vítimas tinham entre 15 e 17 anos de idade quando realizaram, entre dezembro de 1998 e março de 2002, os “casamentos espirituais” com homens já adultos.
De acordo com o jornal, os acusados praticam a poligamia “e a consideram necessária para chegar ao céu”.
Os mórmons abandonaram a poligamia em 1890 e condenam a prática com a excomunhão, mas alguns grupos fundamentalistas que se afastaram da igreja continuam com os casamentos plurais, inclusive com menores de 18 anos.
A Constituição do Arizona proíbe a poligamia e o governo estadual considera o ato sexual com uma menor de 18 anos um delito grave, a menos que a jovem seja esposa legítima.
A pena máxima para este tipo de delito é de até dois anos em prisão ou liberdade condicional.
Jogador que fez o primeiro gol da Seleção na Copa da Alemanha e tem fama de bom moço, Kaká diz que, dentro de campo, não é bonzinho, conta que tem vontade de ser pai e gosta de viajar de carro com a esposa pela Itália, onde mora e joga pelo Milan.
No Brasil de Ronaldo, três vezes eleito o melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, atual detentor do título, e tantas outras estrelas do futebol mundial, o destaque brasileiro na Copa tem sido Ricardo Izekson dos Santos Leite, o Kaká. Aos 24 anos, ele fez o primeiro gol da Seleção na Copa – garantiu a vitória do Brasil no 1×0 contra a Croácia – e atuou bem no 2×0 contra a Austrália,apesar de no jogo contra o Japão não ter se destacado.
De havaianas no pé, ao fim da partida, o jogador se aproximou de uma espécie de corredor polonês de jornalistas. Parecia porta-voz do novo desenho brasileiro depois das duas primeiras vitórias. “Foram jogos difíceis, diante de equipes muito fortes, ideais para mostrar que não podemos ficar falando o tempo todo de quadrado mágico”, disse. “Somos uma equipe.”
O dia-a-dia desta equipe é registrado por Kaká em sua câmera digital e vira notícia no blog do craque. Diariamente, ele se senta em frente a um computador e registra seus passos na Alemanha – como a perda do celular durante a preparação e a emoção do gol que fez no jogo de estréia. “Na hora do gol passou tudo pela minha cabeça”, conta. “Lembrei dos meus pais, que estavam no estádio, da Carol, do quanto lutei para estar ali naquele momento, do meu irmão e agradeci muito a Deus.”
Evangélico da Igreja Renascer em Cristo, tem uma Bíblia na concentração brasileira e faz suas leituras à noite. Discretíssimo, não escapou de ser eleito um dos mais belos da Copa pela revista holandesa Gay Krant, dirigida ao público homossexual. “Aí não vale a pena, né? Não é minha praia”, sorriu. Nos hotéis alemães, Kaká ajudou a formar uma locadora de DVDs itinerante. Cada jogador tem seu lote de filmes e seriados. Ele levou duas caixas: uma com o seriado Friends e outra com a primeira temporada de Lost. Após o jantar todos assistem em turma.
O craque já recebeu a visita dos pais, Bosco e Simone, e da mulher, Caroline Celico, 18 anos. Acompanhado dela, um dia depois do primeiro jogo, almoçou “um belo taglierini” no hotel Kromberg, em Frankfurt, e passeou de carro. “Foi muito bom passar o dia com a Carol”, postou ele no blog. “Mesmo casados, ainda somos grandes namorados. Ela me faz falta, mas sabemos como é importante essa temporada longe.”
Foi para Caroline, com quem é casado há seis meses, que o craque ligou assim que terminou de se trocar, no vestiário do estádio de Munique, local da segunda partida do Brasil. Kaká – que mora na Itália, onde defende o Milan – e Caroline são caseiros. “Minha filha está brincando de casinha na prática. Sempre gostou de cuidar da casa e de cozinhar”, orgulha-se a empresária Rosangela Lyra, diretora da Dior no Brasil. A mãe incentivava Caroline a fazer cursos de culinária em viagens para o Exterior. A mulher de Kaká tem diploma da sofisticada Cordon Bleu, a mais tradicional escola de culinária da França. Quando coloca o avental, gosta de preparar peixes e massas para o marido, mas sabe fazer também feijão com arroz, que ele adora. O apartamento do casal em Milão foi todo decorado por Caroline, sem ajuda de arquiteto. “Fiquei surpresa com a iluminação do apartamento. Ela escolheu as luminárias sozinha. Ficou fantástico”, disse Rosangela à editora Eliane Trindade.
O casal nunca vai a boates, como fazem outros jogadores. Só abrem exceção para ir a festas de amigos próximos. Um hábito do casal é viajar pelas cercanias de Milão – o que inclui passeios a lugares mais distantes como Veneza, onde Kaká fez o pedido de casamento a Caroline – e Mônaco. “Eles são novos, mas muito maduros. Tenho certeza de que foram feitos um para o outro”, atesta Rosangela. “Eles têm uma sintonia perfeita. Gostam das mesmas coisas e dão valor à família e à religião. O mais importante é que ele está fazendo minha filha feliz e está feliz.”
Kaká revelou que, dentro de campo, não é bonzinho. Croácia e Austrália e Japão já puderam conferir, na Copa, o futebol implacavelmente elegante do craque brasileiro.
Faz quatro anos que você veste a camisa da Seleção. Já se sente em casa com a amarelinha?
Sim, me sinto muito bem na Seleção. É um grupo maravilhoso e é um prazer quando estamos reunidos.
Você tem a imagem de um cara correto, de caráter, bom moço. Dentro de campo, o Kaká também é um bonzinho?
Sou ético, não sou maldoso. Não sou bonzinho e sim justo.
Como anda a vida de casado? Caroline gosta de Milão? O que gostam de fazer juntos?
Ela se adaptou bem e está muito feliz. Gostamos de sair para jantar e de viajar de carro para conhecer lugares novos.
Vocês já conversam sobre ter filhos? Tem vontade de ser pai?
Tenho muita vontade de ser pai, mas acho que ainda é cedo, vamos curtir um pouco nossa vida de casados só nós e depois pensamos em ter filhos.
Consegue ir à igreja na Itália?
É difícil, pois os cultos são no domingo, quando tenho jogo. Recebemos sempre ministrações e ouvimos os cultos pela internet. Não é a mesma coisa, mas não deixamos de ser ministrados, e estamos sempre orando.
Já está totalmente adaptado a Milão? Qual é a melhor coisa de morar na cidade?
Fui bem recebido e me adaptei rápido. Gosto muito de Milão e a cidade tem várias coisas em comum com São Paulo, onde cresci. A melhor coisa é que tudo passa por Milão na Europa. Shows, espetáculos, assim como os melhores restaurantes estão por aqui. Outra vantagem é a localização, estou a menos de duas horas de vários lugares legais da Europa.
Já recebeu propostas de outros clubes? Pensa em deixar o Milan?
Proposta oficial não houve, mas sempre há especulações. Não penso em deixar o Milan. Estou feliz e penso em ficar bastante tempo.
Do que mais sente falta do Brasil?
Sinto falta da família e dos amigos e nunca deixo de ir a uma boa churrascaria quando estou em São Paulo.
Kaká renova com o Milan até 2011
O meia Kaká, que disputa a Copa do Mundo com a seleção brasileira, renovou seu contrato com o Milan até 2011, informou a equipe italiana nesta sexta-feira em comunicado em seu site.
“Ricky tem sido uma das principais estrelas da competição (Copa) até agora, marcando contra a Croácia e acertando a trave contra a Austrália”, elogiou a equipe no comunicado.
“Ele pode esperar agora por muitas outras temporadas de sucesso com a camisa do Milan”.
Segundo o Milan, o contrato foi assinado na quinta-feira, após a goleada do Brasil sobre o Japão por 4 x 1.
Na última temporada, Kaká, que está no clube desde 2003, disputou 36 partidas pelo Campeonato Italiano, marcando 14 gols. Pela Copa dos Campeões, foram 12 jogos e cinco gols.
O Vaticano informou ontem que o Papa Bento XVI nomeou o cardeal de Gênova, na Itália, Tarcisio Bertone, de 71 anos, como seu novo Secretário de Estado. Bertone substitui o cardeal, também italiano, Angelo Sodano, de 79 anos.
Bertone esteve 15 anos à frente do cargo, o “número dois” da Santa Sé.
Segundo o comunicado do Vaticano, Bento XVI aceitou a saída de Sodano do cargo, por motivos de idade. Contudo, o Papa pediu para que continuasse à frente da Secretaria de Estado até o dia 15 de setembro de 2006.
Neste dia, Bertone será nomeado como novo “número dois” do Vaticano.
O Pontífice também nomeou o atual “chanceler” do Vaticano (secretário para as Relações com os Estados), o arcebispo Giovanni Lajolo, como novo titular do “Governatorato” (Governo) do Estado da Cidade do Vaticano.
O italiano Lajolo substitui o cardeal Edmund Casimir Szoka, de 79 anos, que pediu para sair por motivos de idade.
Bento XVI aceitou a saída de Szoka, mas, assim como Sodano, pediu para que siga como Presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e presidente do Governatorato até 15 de setembro.
O cardeal Tarcisio Bertone tem 71 anos e durante muito tempo foi o braço direito do atual Papa, quando Joseph Ratzinger era o cardeal que presidia a Congregação para a Doutrina da Fé.
O cardeal de Gênova foi secretário dessa congregação, o ex-Santo Ofício, de 1995 a 2002.
Bertone também foi encarregado de preparar a publicação do chamado “terceiro segredo de Fátima”, no ano 2000, que se referia, segundo assinalou o Vaticano, ao atentado sofrido por João Paulo II na praça de São Pedro em maio de 1981.
Angelo Sodano era o “número dois” do Vaticano há 15 anos. Foi um dos secretários de Estado com mais tempo à frente da Secretária de Estado da Santa Sé e tem 79 anos.
Extrovertido, mas conservador
Extrovertido, torcedor de futebol e com idéias conservadoras, Bertone nasceu nas proximidades de Turim. Ordenou-se aos 25 anos, formou-se em teologia e prosseguiu seus estudos na Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma, onde obteve o título de doutor em direito canônico e da qual, anos depois, tornou-se o reitor.
Depois de atividades teóricas ligadas ao direito canônico, João Paulo 2º o nomeou em 1995 o número dois da Congregação para a Doutrina e a Fé, então presidida pelo atual papa.
Reafirmou então sua reputação de conservador e ortodoxo, durante esse final de pontificado em que a teologia da libertação e a chamada igreja progressista já estavam neutralizadas.
O cardeal Bertone concilia seu rigor dogmático com o bom humor e o comportamento informal. Tornou-se popular em Gênova ao aceitar o convite de uma TV local para comentar os jogos do time da cidade.
Certa vez reiterou com vigor a oposição da igreja à clonagem, mas disse, em tom de brincadeira, que “se poderia abrir uma exceção para Sofia Loren”. Tornou-se, dentro da igreja, o maior inimigo do livro “O Código da Vinci”. Liderou uma campanha pelo boicote ao romance e exortou os católicos a evitarem aquele “pacote de mentiras”.