O documentário “Credo”, de Alberto Michelini, uma série de filmagens do pontificado de João Paulo II, começou a ser vendido nesta terça-feira nos Estados Unidos.
O filme tem poucas partes faladas e é acompanhado musicalmente por árias cantadas pelo tenor Andrea Bocelli.
Apresentado na igreja de Saint Malachy, a chamada “capela dos atores” devido aos teatros ao redor do local, o documentário foi promovido pela Follieri Foundation, que organizou atividades humanitárias e de caridade em Nova Orleans e Honduras.
“Ouvi o CD das árias de Bocelli dezenas de vezes, e na música encontrei os vários aspectos de João Paulo II: a eucaristia, o perdão, o jubileu”, afirmou Michelini.
Segundo D. Jesús Berodonces, da Prelatura de Cametá (estado do Pará), a “violência é onipresente” na região leste do Amazonas. Na semana passada os bispos brasileiros pediram medidas contra a violência que assola várias regiões do Brasil.
Em entrevista recente à Ajuda à Igreja que Sofre, D. Jesus Berodonces, OAR (Ordem dos Agostinianos Recoletos), falou sobre o clima de violência no Brasil: “Nas grandes cidades existem muitos bandos rivais, ao mesmo tempo que nas pequenas povoações nas ilhas do Amazonas os habitantes não estão a salvo de assaltantes. Os mais jovens estão particularmente envolvidos na violência”.
Segundo D. Jesús Berodonces, da Prelatura de Cametá (estado do Pará), a “violência é onipresente” na região leste do Amazonas. Na semana passada os bispos brasileiros pediram medidas contra a violência que assola várias regiões do Brasil.
O missionário espanhol, que trabalha no Brasil desde 1977, acrescentou: “É por isso, e também devido a outros problemas sociais, como os conflitos sobre a terra e o empobrecimento, que a Igreja nesta região está empenhada no seu compromisso social, no apostolado da família e na formação dos leigos”.
Na passada semana, os bispos brasileiros divulgaram uma nota pastoral onde expressavam a sua preocupação perante o aumento da violência em várias regiões do país, como em São Paulo, onde se registraram 251 ataques, entre 12 e 15 de maio, por parte de bandos de criminosos contra a polícia. Foram mortos 122 agentes das forças de segurança e 90 autocarros foram incendiados.
Os prelados lamentam que “naquela triste situação, os direitos humanos de muitas pessoas não tenham sido respeitados”. Os bispos alertaram também para “os fatos ocorridos no Pará e Maranhão”, regiões onde a população se encontra “desprotegida diante das agressões de sectores organizados para a exploração agrícola e de recursos hídricos e minerais”.
Por fim, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil condenou “as constantes calúnias e ameaças de morte a pessoas da Igreja, inclusive bispos e padres, religiosos e religiosas, e a lideranças dos movimentos populares” que, na opinião dos bispos, “criam um clima de tensão e de medo para nosso povo pacífico e trabalhador”.
Os prelados brasileiros defendem assim ser “urgente a realização de projetos de desenvolvimento econômico, social e cultural que respeitem os ecossistemas e populações diferenciadas de cada região brasileira, na esperança de que a ‘justiça e a paz se abraçarão'”.
Em uma carta para Jenab Mohammad Hamid Ansari, presidente da Comissão Nacional das Minorias, John Dayal, líder da União Geral de Católicos da Índia, disse que a campanha de ódio e perseguição lançada pelos fundamentalistas hindus contra os cristãos em Andhra Pradesh deve ser interrompida por estar fundamentada em falsas acusações e premissas erradas.
A campanha tem aterrorizado uma comunidade que sempre mostrou respeito pela fé de todos.
Uma cópia da carta também foi enviada para o ministro do União de Assuntos de Minorias.
Diz John em sua carta: “Tem havido vários incidentes no Estado durante os últimos seis meses. Freiras e pastores são particularmente atormentados e visados”. Isso acontece especialmente nas Colinas de Tirumala, onde está localizado um dos templos hindus mais venerados.
Estes incidentes são indicativos de um cenário perigoso porque os ataques são conduzidos com o propósito de incitar a população ao ódio inter-religioso. Mas, como John escreve, “Nós [cristãos] respeitamos absolutamente o senso de reverência que têm nossos concidadãos, de todas as crenças … Nós obedecemos o respeito pelo que é Sagrado, uma exclusividade dada ou tomada à força por certas religiões em relação aos seus templos, mas, uma exclusividade proibida a outros … Não pode haver questões assim quanto a lugares públicos, tais como: paradas de ônibus, estações de trem e interiores de ônibus, questões que tornem esses lugares proibidos aos cidadãos indianos de quaisquer crenças”.
O ativista cristão se refere aqui às reivindicações dos extremistas hindus de que os cristãos profanam o hinduísmo, por causa da proximidade que há entre os santos templos hindu e tais lugares públicos.
“Há cristãos e templos cristãos em cidades santas, como Panipat, Kurukshetra, Amritsar, Ajmer … [Mas nesses lugares] nunca houve problema ou perseguição”, disse ele.
O ataque de 25 de junho contra as freiras da Mãe Teresa durante uma visita a um hospital local é um indicativo desta indisposição difundida.
Por esta razão, John Dayal quer uma revisão constitucional das leis do Estado de Andhra Pradesh, que proíbe “o movimento, a profissão e o trabalho social e de caridade dos ‘cidadãos’”. Tais leis discriminam as minorias.
Tracey Taylor afirmou esta semana ter não apenas visto, mas também fotografado, um fantasma em sua TV. “Um fantasma está preso na televisão”, disse a britânica, residente na cidade de Lower Ince.
Segundo Tracey, a aparição foi descoberta por sua filha de um ano e meio. Ela conta ter fotografado a garota em frente ao aparelho de televisão e, ao revelar o filme, viu que uma imagem misteriosa aparecera na tela.
Ao mostrar a imagem à criança, a menina teria dito: “Este é Ben”, referindo-se ao fantasma. Ela insiste que a TV estava desligada e que não havia mais ninguém na sala no momento em que bateu a fotografia.
Muitos integrantes de orquestras paulistas começaram a aprender música na Congregação Cristã no Brasil e na Assembléia de Deus, de linha pentecostal, igrejas que mais formam instrumentistas, segundo maestros e professores. Violino é o mais procurado nas escolas, e sax é “escandaloso” para Congregação.
Foi nos bancos da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil que o violinista Davi Graton, 30, teve as primeiras lições de música. “Comecei a tocar para servir a Deus, não pensava em seguir carreira”, diz Graton, que hoje é concertino da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerada a melhor do país. Como Graton, muitos integrantes de orquestras paulistas começaram a aprender música na Congregação e na Assembléia de Deus, igrejas que mais formam instrumentistas, segundo maestros e professores ouvidos pela Folha.
Louvar o Senhor é justificativa comum nas fichas de inscrição da Escola Municipal de Música. “Tem aluno que entrou sem ter ouvido Mozart, só conhecia música de igreja”, afirma o diretor Henrique Autran Dourado.
Selecionado para a Academia de Música da Osesp, o violinista Djavan dos Santos, 22, atribui seu talento à inspiração divina. “Orei e aprendi em um estalo o que não consegui em meses.” Santos e os outros dois violinistas da Academia são da Congregação, apesar de a doutrina vetar a profissionalização.
Segundo um documento da igreja, o fiel que trabalha como músico não pode tocar nos cultos. “Aos que já estão nessa profissão, aconselhamos orar para que Deus lhes prepare um outro meio de vida”, diz o texto.
“Músicos profissionais ficam com o espírito transtornado”, reforça um dos regentes da igreja, José, que não quis informar o sobrenome. Já a Assembléia de Deus apóia os fiéis. “É uma honra ter nossos músicos nas orquestras. Só é proibido tocar na noite”, afirma Sérgio Emídio da Silva, 38, maestro em um templo.
Perto de Deus
A música foi a única expressão artística preservada pela Reforma protestante (século 16), que aboliu a representação de pessoas e animais, considerada idolatria. Para os protestantes, a música aproxima de Deus. “Sobretudo um deus que não está presente nas coisas, como o cristão”, explica o sociólogo e professor da USP Antônio Flávio Pierucci.
Segundo ele, os pentecostais (corrente do século 20) “radicalizaram a autorização bíblica para transformar salmos em hinos”. Na Congregação e na Assembléia, que têm orquestras com até 200 integrantes, os hinos são tão importantes quanto a pregação.
Para a professora de música da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Dorotéa Kerr, a musicalização natural do ambiente protestante explica o sucesso dos músicos. “O aprendizado informal supre a deficiência do ensino da igreja.” Na Assembléia, no entanto, o ensino se profissionaliza. Há quatro anos, uma igreja em Perus (região norte) mantém uma escola de música. Os alunos pagam mensalidade de R$ 10, e a igreja empresta instrumentos.
Já na Congregação, ensina-se “o suficiente para louvar”, afirma o regente José. O suficiente bastou para que o violinista Kleberson Buzo, 26, fosse aprovado na seleção da Escola Municipal de Música. “Na audição, toquei a única composição que sabia, um hino religioso”, conta Buzo, que toca na Orquestra Experimental de Repertório, do Teatro Municipal, onde a maioria dos violinistas tem currículo parecido com o dele: tiveram as primeiras lições em igrejas e depois estudaram em escolas públicas.
No Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, mantido pelo governo do Estado, os alunos pentecostais são numerosos. “É perceptível. Não temos dados porque o credo dos músicos não importa”, afirma o diretor Arcádio Minczuk, 42. Baseado em sua biografia, Minczuk, oboísta da Osesp, considera a música um meio de ascensão social -o salário do músico erudito chega a R$ 5.000. “Meu pai determinou que eu aprendesse oboé, pouco tocado, para que fosse mais fácil conseguir emprego”, conta Minczuk, que, como seu irmão Roberto, diretor da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, aprendeu música na Assembléia de Deus Russa.
Violino é o mais procurado nas escolas, e sax é “escandaloso” para Congregação
O violino é o mais disputado nas seleções da Escola Municipal de Música (EMM): são 30 candidatos por vaga. Para o diretor, Henrique Autran Dourado, a procura é explicada pela demanda de mercado, já que é o instrumento mais numeroso nas orquestras sinfônicas, e 20 dos 32 violinistas da Osesp, por exemplo, são estrangeiros.
Um violino “made in China” ou usado, para iniciantes, custa R$ 250. Já os que servem para alunos adiantados saem por pelo menos R$ 5.000.
O diretor Autran Dourado recomenda não adquirir “porcaria”. “É como comprar um fusca para correr a Fórmula 1. Serve para aprender a dirigir, mas nunca vai pegar a pole.”
Dos alunos da EMM advindos da Congregação Cristã no Brasil, a maioria é violinista.
Tataraneto de um fundador da igreja, André Veci Baptista, 16, é exceção. Ele estuda saxofone, instrumento malvisto na igreja por ser associado a “barzinhos e madrugadas”.
Seu pai, o luthier (fabricante de instrumentos musicais) Moisés Baptista, 38, teve de enfrentar o ancião _autoridade máxima da igreja_ para introduzir o sax na orquestra da igreja da qual é regente.
Escandaloso
Além do sax, não há trombone de vara nem percussão nas orquestras da Congregação, onde os instrumentos mais comuns, ao lado do violino, são flauta transversal, clarinete e bombardão (espécie de tuba). Fagote, oboé e violoncelo são permitidos, mas raros.
O regente da igreja José, que não quis informar o sobrenome, classifica de “escandalosos” o sax e o trombone de vara _válvula cilíndrica longa que o músico desliza para produzir o som. “É indecente e barulhento como a percussão, típica do candomblé”, afirma.
Os “escandalosos” também não são vendidos nas lojas de instrumentos musicais pertencentes a seguidores da Congregação Cristã.
Há uma concentração delas nos arredores do templo do Brás (centro), a sede da Congregação. Na Garcia & Nabarrete, a maior parte da clientela é formada por “gente da igreja”, informa Epaminondas Garcia, 38, um dos proprietários.
A loja vende marcas conhecidas e instrumentos de luthiers da Congregação, como Moisés Baptista, que é autodidata. “Iniciei-me na lutheria para consertar meus próprios instrumentos porque a manutenção é cara.”
A presidenta do Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), Rodhe González, condenou a recente regulamentação recomendada pela Comissão para Assistência a uma Cuba Livre, da administração estadunidense, que impede o Serviço Mundial de Igrejas (SMI) dos Estados Unidos de enviar ajuda humanitária ao povo cubano.
“Creio que nós seremos capazes, como sempre fomos, de sobrepor-nos a todas as situações, porque as relações entre as igrejas de Cuba e dos Estados Unidos são relações históricas”, disse a reverenda Gonzáles. Ela assegurou que nenhuma conjuntura humana “será capaz de distanciar-nos como igrejas”.
A comissão que assessora o governo norte-americano em matéria de políticas a respeito de Cuba, presidida pela secretária de Estado, Condoleeza Rice, enviou relatório ao presidente George Walker Bush recomendando que seja intensificada a regulamentação do envio de ajuda humanitária, com o intuito de assegurar que não vão para “organizações controladas, como o Conselho de Igrejas de Cuba”.
O presbítero Pablo Odén Marichal, diretor do Centro de Estudos do CIC e reitor da Paróquia Episcopal “Fiéis a Jesus”, de Matanzas, descartou o argumento empregado pelos Estados Unidos de acusar o CIC de ser uma instituição controlada pelo governo cubano.
Marichal foi presidente do CIC por cinco anos e nunca sentiu-se controlado. Ele destacou a solvência da relação entre o Conselho Nacional de Igrejas de Cristo dos Estados Unidos e o CIC. “É um vínculo muito antigo”, declarou o reitor paroquial ao correspondente de Monitor, Enrique López.
O diretor do Centro de Estudos do CIC recordou que as relações da igreja cubana com o CNIC e o SMI sempre foram desenvolvidas com o interesse de promover o ecumenismo na região, e que esses organismos apoiaram, além de projetos sociais, projetos eclesiais, como uma reconceitualização das missões.
O que se quer, continuou Marichal, é tratar de “matar o movimento ecumênico em Cuba, que é um dos mais fortes da América Latina”. Ele exortou tanto o CIC como o CNIC para que façam valer o direito de manterem relações independentes com as igrejas dos países.
Integrantes de uma expedição cristã nas montanhas do Noroeste do Irã afirmam ter encontrado uma formação rochosa que se parece com a Arca de Noé. A formação, diz reportagem da “National Geographic”, está a quatro mil metros do nível do mar, no Monte Suleiman, na cadeia Elburz.
– Ela se parece com madeira – disse Robert Cornuke, presidente do Instituto de Pesquisa e Exploração da Arqueologia da Bíblia (Base, na sigla em inglês), que fica em Palmer Lake, no estado americano do Colorado.
Segundo a reportagem, fotos tiradas por integrantes do instituto mostram a formação, que se parece com o que poderia ser madeira petrificada.
– Tiramos pedaços de pedra e podemos ver estruturas de células (de madeira) – disse o presidente do instituto.
Ele reconhece, Segundo a reportagem, ser difícil provar que se trata da arca. Mas afirma estar convencido de que a área era um lugar de peregrinação, com base em vestígios de um santuário encontrados pela equipe.
– Não podemos afirmar que encontramos a arca, mas ela se parece com o objeto de que os antigos falavam – disse ele.
Para ele, as direções dadas no Velho Testamento como o lugar em que a arca atracou não levam ao Monte Ararat, na Turquia, mas sim para o outro lado, o Irã.
Um geólogo da University College de Londres disse à revista, porém, que o pedaço retirado do local se parece com rocha sedimentária que indicaria a existência de um ambiente marinho.
Outros cientistas ouvidos na reportagem também duvidam da possibilidade de a equipe ter encontrando madeira petrificada naquele local.
A Arquidiocese de Aparecida, responsável pelos municípios do Vale do Paraíba (SP), lançou no último fim de semana um folheto de orientação aos católicos sobre as eleições.
O encarte “Rezando o terço com Nossa Senhora pelas eleições” foi elaborado pelo Centro Arquidiocesano de Pastoral com base no documento da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o processo eleitoral e será distribuído nas paróquias das 39 cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
O folheto sugere que as comunidades se reúnam para rezar pela escolha dos governantes e discutam a importância do voto, as campanhas, a atuação dos candidatos e dos partidos.
De acordo com a arquidiocese, a Igreja não pretende indicar candidatos nem permitir campanhas durante as missas e encontros comunitários. “A Igreja não vai indicar candidatos nem estar neste ou naquele partido. Porém os cristão são membros da sociedade e não deixam de fazer política, quer participando quer se abstendo”, disse o secretário-geral da CNBB, dom Odílio Pedro Scherer.
O encarte pretende também “resgatar a esperança no processo eleitoral e fortalecer a utopia”, já que, segundo o arcebispo dom Raymundo Damasceno Assis, a população brasileira está “descrente, sem esperança, necessitando reagir e cobrar soluções para os problemas sociais do país”. As paróquias devem receber os folhetos nesta semana para que o terço passe a ser rezado nos grupos de oração e nas missas até o início de outubro.
Quando quatro cristãos tribais na vila Toranpada, Estado de Maharashtra, pediram ajuda depois de um ataque de extremistas hindus no mês passado, a polícia respondeu humilhando e chutando as vítimas e, depois, apresentando queixa contra elas.
Membros do Comitê para o Bem-Estar Tribal espancaram Baburao Mahala, 32, Anil Chaudhry, 23, e um casal identificado somente como Kalpana, 20, e seu marido Sunil, 24 por terem se convertido ao cristianismo, em 8 de junho.
Os quatro apresentaram queixa na delegacia de polícia imediatamente depois do ataque. Quando voltaram em 15 de junho para perguntar que medida havia sido tomada, um policial lhes disse: “Peça que Jesus ligue para o meu celular”.
Três policiais pediram uma demonstração de oração. Quando os cristãos se ajoelharam, os policias os chutaram e humilharam. Os policiais então apresentaram queixa contra eles por violação da ordem pública.
Abraham Mathai, um membro da Comissão para Minorias do Estado de Maharashtra e líder do Conselho Geral dos Cristãos da Índia, acompanhou os quatro ao escritório do diretor geral da polícia em 20 de junho para protestar contra o comportamento dos policiais.
“Eles importunaram os cristãos ao invés de lhes assegurar que os agressores seriam pegos e fichados”, disse Abraham.
O diretor geral da polícia ordenou que um inquérito fosse aberto, mas os policias na delegacia negaram qualquer procedimento errado.
Em outro local do Estado de Maharashtra, uma escola pública na vila de Sagar, distrito de Nashik negou a matrícula de crianças de famílias cristãs, de acordo com Abraham.
“O governo do estado diz que a educação primária é para todos, mas como os filhos dos cristãos podem se beneficiar deste esquema se sua matrícula é negada?” perguntou Abraham.
O governo de Maharashtra é dirigido por uma coalizão do Partido Nacionalista do Congresso e do Partido do Congresso. Há 96,8 milhões de pessoas no Estado, pouco mais de 1 milhão são cristãos.
Freiras acusadas
A polícia do Estado de Andhra Pradesh, sul do país, prendeu quatro freiras da organização Missionárias da Caridade em 25 de junho. As freiras foram acusadas de tentativa de conversão depois visitarem um hospital público em Tirupati, um popular centro de peregrinação hindu.
Um grupo de 50 pessoas do Hindu Dharma Parirakshana Samithi (HDPS ou Fórum de Proteção do Hinduísmo) se aproximou das freiras na tarde de 25 de junho e as acusaram de tentar converter pacientes, de acordo com uma reportagem da agência de notícias UCA News (UCAN). Alguns do grupo carregavam câmeras de vídeo.
Rapidamente, o número de pessoas do grupo aumentou para 300. Quando a polícia chegou, ela deteve as freiras no hospital até as 20h30, quando elas foram levadas para a delegacia e mantidas lá por duas horas.
A irmã Rosária, líder regional das missionárias católicas, disse a UCAN que as freiras visitavam o hospital regularmente há 20 anos e freqüentemente levavam medicamentos para os pacientes pobres.
A Associação Católica de Hyderabad expressou seu choque com o incidente e pediu uma ação imediata contra os membros do HDPS e a polícia.
No dia 13 de julho, dezenas de cientistas, teólogos, líderes religiosos e ambientalistas, altos funcionários de organismos internacionais, representantes do governo brasileiro, sertanistas, chefes indígenas e jornalistas dos mais influentes órgãos da imprensa ocidental chegarão a Manaus para participar de um evento único neste quarto de século em que a preservação da floresta tornou-se preocupação planetária. Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla, é o incentivador de evento inédito sobre religião, ciência e ambiente
Alguns dos convidados virão de lugares distantes, como Irã, Azerbaijão e Noruega.
Embarcados no navio Iberostar e numa flotilha auxiliar, ou voando em aviões charter, durante seis dias eles visitarão zonas de desmatamento, áreas de conflito e reservas ecológicas, conversarão com representantes de comunidades locais e verão o encontro das águas e as belezas da paisagem tropical. Nos longos deslocamentos pelo rio, ouvirão palestras e participarão de debates em cinco reuniões plenárias de um simpósio sobre religião, ciência e meio ambiente intitulado Amazonas, Fonte de Vida.
Tão inédita quanto a iniciativa será a presença no Brasil de seu inspirador e principal animador: Sua Santidade Ecumênica Bartolomeu I (foto), o patriarca de Constantinopla e líder espiritual de 250 milhões de cristãos ortodoxos gregos espalhados pelo mundo.
Dono de um vozeirão que o faz parecer mais alto do que na verdade é, Bartolomeu irradia autoridade e simpatia nas audiências públicas no Phanar, o nome do antigo bairro grego de Istambul que hoje identifica o enclave que abriga o palacete de madeira onde o patriarca vive e trabalha, uma escola para os filhos da minoria grega (hoje reduzida a cerca de 3 mil pessoas), e a pequena catedral ortodoxa de São Jorge, com seus ícones e o altar dourado. Trata-se de um dos poucos templos que restaram do esplendor do cristianismo na antiga Bizâncio.
Dimitrios Arhondonis nasceu em 1940, na ilha de Imvros, na Turquia. Na década de 60, durante o Concílio Vaticano II, viveu em Roma, onde doutorou-se em Teologia pelo Instituto Pontifício Oriental da Universidade Gregoriana. O fato de ter cidadania turca contribuiu para sua elevação ao patriarcado em 1991, quando tinha apenas 51 anos: esta é uma das condições impostas pelas autoridades de Ancara, depois da guerra entre a Turquia e a Grécia, entre 1919 e 1922, para a permanência em Istambul do líder máximo dos gregos ortodoxos.
Plataforma ecológica
Foi graças ao apoio de fundações financiadas pelos membros da Igreja Ortodoxa em todo o mundo que Bartolomeu transformou a defesa do meio ambiente na plataforma a partir da qual ganhou espaço na cena internacional e afirmou a presença de sua igreja, seguindo um caminho parecido ao que seu amigo João Paulo II abriu ao tornar-se o primeiro papa superstar.
A escolha do tema, iniciada por seu antecessor, o patriarca Demétrio, veio naturalmente, como ele explicou em uma rara entrevista, que concedeu ao Estado no sábado retrasado. Em seu gabinete de móveis clássicos, mas sem pompa, ele trabalha atrás de uma mesa forrada de documentos, sob o olhar de uma imagem da Virgem Maria e a reverente atenção de uma dúzia de diáconos, padres e outros prelados que formam sua corte. “Se amamos o Criador, é nosso dever proteger sua criação”, disse ele.
O foco na proteção dos rios e dos mares adotado por Bartolomeu resultou do exame da Bíblia. “A água é um elemento sagrado, é fonte da vida.” Embora mantenha-se oficialmente longe da política, até porque o governo turco nega a existência do patriarcado ou da Igreja Ortodoxa como entidade jurídica, a utilidade prática do assunto parece óbvia: trata-se de um dos poucos temas de política pública que não geram atritos entre o patriarcado e Ancara e entre turcos e gregos.
Desde praticamente o início de seu patriarcado, Bartolomeu realiza seminários ecológicos durante o verão no antigo Mosteiro da Santíssima Trindade, na ilha de Halki, onde funcionou um instituto teológico fechado pelo governo turco há 35 anos. Nos anos 90, com a assistência de um dos cardeais da Igreja Ortodoxa, o metropolitano John de Pergamon, um teólogo e estudioso da ecologia, o patriarca lançou uma iniciativa que busca na religião, na ciência e na ecologia orientações e respostas para a preservação ambiental.
Organizado sob o co-patrocínio do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o simpósio da Amazônia será o sexto da série e o primeiro fora da Europa, depois dos realizados nos Mares Egeu (1995), Negro (1997), Adriático (2002), Báltico (2003) e no Rio Danúbio (1999).
Processo de reaproximação
A iniciativa, que já rendeu a Bartolomeu o apelido de Patriarca Verde, tornou-se parte do complexo e tortuoso processo de reaproximação da Igreja Ortodoxa com a Igreja Católica, separadas há mais de 1.500 anos. Em 2002, durante o simpósio no Adriático, João Paulo II e Bartolomeu I assinaram uma declaração conjunta sobre ética ambiental. No ano passado, em apoio a uma outra iniciativa do patriarca, a conferência episcopal da Itália adotou o dia 1º de setembro como um dia de orações pela preservação ambiental.
O papa Bento XVI, que visitará Bartolomeu no dia 30 de novembro para celebrar o Dia de Santo André – o apóstolo fundador da igreja cristã de Bizâncio e o mais venerado pelos ortodoxos -, escalou o cardeal Roger Etchegaray, presidente emérito da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, para representá-lo. O patriarca espera que o cardeal traga uma mensagem do papa sobre a preservação da Amazônia.
Ciente da influência da Teologia da Libertação em setores da igreja na região de conflito na Amazônia, o papa, que combateu sistematicamente esse tipo de militância em seus tempos de cardeal do Santo Ofício, contará com a atenta presença do cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acompanhará o líder da Igreja Ortodoxa, do começo ao fim, em sua histórica peregrinação ecológica pelo maior país católico do mundo.
O ponto alto do evento será uma cerimônia ecumênica de bênção das águas do Amazonas, no dia 16. Esperado para o encerramento do simpósio, em Manaus, no dia 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não confirmou presença.
‘Se amamos o Criador, devemos amar a criação’
Patriarca fala sobre lado espiritual da ecologia e
reconhece dificuldades do diálogo de reconciliação com a Igreja Católica
Pelos cálculos do arcebispo metropolitano da igreja ortodoxa grega de Buenos Aires, monsenhor Tarasios, que responde por toda a América do Sul, há entre 20 mil e 50 mil cristãos ortodoxos no Brasil. Segundo o site www.ortodoxiabrasil.com, eles se concentram em 12 Estados e no Distrito Federal. Há uma dúzia de paróquias na cidade de São Paulo e outro tanto no interior do Estado.
Apesar da escassez de seu rebanho no Brasil, Bartolomeu I, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, possui laços de família com o País. Três de seus primos, filhos de um irmão de seu pai, vivem em São Paulo – e dois deles o encontrarão pela primeira vez durante a visita que fará ao Amazonas, no mês que vem.
Não será a primeira viagem de Bartolomeu I para a América Latina. Suas andanças pelo mundo já o levaram a Cuba e ao México. Abaixo, trechos da entrevista que concedeu ao Estado:
Por que seu interesse pela Amazônia?
Sabemos que há uma preocupação mundial com a Amazônia. Queremos conhecer e aprender. E queremos oferecer nossa perspectiva e contribuir para o diálogo que leve à solução dos problemas. O simpósio em si não trará nenhuma solução. Mas acreditamos que a participação de especialistas de diferentes disciplinas e países, bem como de formuladores de políticas, facilitará o entendimento, pois trará ao debate as dimensões científica e espiritual da ecologia.
O que o senhor espera alcançar com o simpósio?
Nosso objetivo não é resolver todos os problemas ecológicos, mas sensibilizar as pessoas, criar consciência ecológica. É obrigação sagrada da igreja proteger a criação, de acordo com a vontade do Criador. Essa é a razão, em última análise, pela qual o Patriarcado Ecumênico decidiu abraçar esse trabalho. Achamos que é nosso dever. Atuamos em colaboração com a Igreja Católica, que é a maior das denominações cristãs, o que aumenta a eficácia dos nossos esforços e seu impacto junto aos fiéis. Se dizemos que respeitamos e amamos o Criador, temos então que respeitar e amar sua criação.
O Brasil é o país que tem o maior número de católicos batizados. A reconciliação das Igrejas Católica e Ortodoxa acontecerá um dia?
Será um longo caminho. Temos um fosso criado por uma separação de nove séculos e meio. Iniciamos um diálogo há quase 50 anos, quando o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras tiveram um encontro histórico na cidade de Jerusalém, ao final do Concílio Vaticano II. Levantaram-se as excomunhões mútuas que as igrejas haviam decretado. O diálogo teológico começou depois da visita do papa João Paulo II ao Patriarcado, em 1979. No entanto, a comissão mista formada para estudar os pontos de diferenciação dos dois sistemas, com o objetivo de chegar a um consenso, entrou em crise depois de 20 anos de trabalho.
Por quê?
O problema gira em torno das igrejas ortodoxas do movimento uniata, que seguem Roma. Elas mantêm os paramentos e ritos litúrgicos das igrejas orientais mas estão unidas a Roma. Os ortodoxos acreditam que os chamados ritos orientais foram uma invenção de Roma para fazer proselitismo junto aos cristãos do leste. Os nossos irmãos católicos romanos dizem aos ortodoxos que não são teologicamente educados, que não há diferença substancial entre as igrejas, que a diferença está só nas roupas, e que se trata apenas de mencionar o nome do papa de Roma na liturgia, porque somos todos o mesmo povo.
E não é assim?
O entendimento ortodoxo é que esse não é um argumento honesto e sincero. Depois do colapso do comunismo, várias das igrejas uniatas que seguem Roma passaram a desfrutar de mais liberdade e assumiram atitudes agressivas em relação aos ortodoxos. Houve uma reação forte e o diálogo parou. Em setembro passado convoquei os representantes de todas as igrejas ortodoxas e propus a retomada do diálogo, que foi aceita. Roma também concordou. Em setembro próximo haverá, em Belgrado, a primeira reunião plenária da comissão de 30 teólogos ortodoxos e 30 teólogos católicos. O tema será a estrutura da igreja.
Qual é a maior diferença?
É a posição hierárquica do bispo de Roma na estrutura geral da igreja cristã e isso nos leva ao principal obstáculo em nossas deliberações. Nós, ortodoxos, dizemos que o papa tem a primazia do amor e da honra. A Igreja Católica afirma que o papa tem também a primazia de jurisdição sobre toda a igreja cristã e pretende que isto seja um direito divino, enquanto que nós entendemos que se trata de um direito criado pelos homens.
Uma minoria ainda sem direitos na Turquia
Os ortodoxos acreditam ser os herdeiros da igreja fundada no ano 33 pelos apóstolos, os primeiros seguidores de Jesus Cristo. Em contrate com as comunidades religiosas que nasceram da Reforma no século 16, não definem sua igreja em contraposição aos católicos romanos. A separação entre as grandes igrejas cristãs do Ocidente e do Oriente ocorreu cinco séculos antes de Lutero e Calvino rebelarem-se contra a autoridade do papa e fundarem as primeiras congregações protestantes. Aconteceu em 1054, quando o bispo de Roma rompeu com os quatro outros patriarcas originais dos cristãos – de Constantinopla, Alexandria, Jerusalém e Antioquia.
A tomada de Constantinopla pelos otomanos, em 1453, deu início ao longo declínio do mais influente patriarcado oriental. Rebatizada Istambul, a cidade abrigava mais de 50 mil ortodoxos gregos no início do século passado. Após a guerra de 1919-1922 entre a Grécia e a Turquia e as trocas forçadas de populações entre os dois países, eles hoje não passam de 3 mil numa cidade com população superior a 15 milhões.
A despeito do virtual desaparecimento dos ortodoxos num país de 70 milhões de muçulmanos, o Patriarca de Constantinopla é reconhecido pelos demais chefes das igrejas ortodoxas gregas como o “primeiro entre iguais” e é freqüentemente chamado a resolver disputas.
Foi o que ocorreu com a recente destituição do patriarca de Jerusalém, confirmada por um sínodo ortodoxo convocado por Bartolomeu. Líder de uma igreja que não é oficialmente reconhecida, não tem existência jurídica na Turquia e está proibida de ter bens, o patriarca é assistido por padres e diáconos que viajam regularmente para a Grécia e retornam como turistas, com vistos de três meses, para não violar as leis de imigração e evitar retaliações.
Se for confirmada, a entrada da Turquia na União Européia poderá iniciar uma era mais promissora para Bartolomeu e seu rebanho. “Será bom para as minorias e será bom para o patriarcado, pois passarão a valer os critérios da comunidade européia”, diz ele.