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Deus é o vilão em dois lançamentos nos quadrinhos

Nada de Lex Luthor, Coringa ou Doutor Silvana. O vilão de dois álbuns de histórias em quadrinhos lançados pela editora Devir é Deus, o próprio. Com os poderes da onipotência, onipresença e onisciência, o Todo-Poderoso enfrenta uma espécie versão barra-pesada e politizada da Liga da Justiça em “The Authority-Sob Nova Direção” (182 págs.) e um pastor renegado em “Preacher-A caminho do Texas” (200 págs.).

Em “The Authority”, Deus surge num contexto de ficção científica, como um gigantesco alienígena em formato de pirâmide responsável pela criação do Sistema Solar. Já nas histórias de “Preacher”, o vilão é mesmo o Deus cristão tradicional.

Super-heróis diferentes

Criado em 1999 pela dupla britânica Warren Ellis e Bryan Hitch para a editora Wildstorm, “The Authority” causou sensação ao mostrar uma história de super-heróis que carregava nas tintas da violência e da política.

Cínicos e brutais, os sete super-heróis do grupo Authority seguem uma cartilha bem diferente da correção política dos seus colegas de “Liga da Justiça”, “X-Men” e cia. Além de praguejar, usar drogas e fazer sexo, os protagonistas não se limitam a enfrentar cientistas loucos ou ETs assassinos. Os heróis preferem combater vilões muito mais próximos, como ditadores do Sudeste Asiático ou o governo norte-americano. Em vez de proteger a Terra, eles querem modificá-la.

A revista também causou polêmica ao trazer o primeiro casal assumido de super-heróis gays: Apolo e Meia-Noite, espécie de versão cor-de-rosa de Super-Homem e Batman. Outro personagem, o Doutor, é um mago que usa as drogas para entrar em contato com os espíritos de xamãs, que incluem Einstein, Buda e Cristo.

O Authority joga pesado. Numa queda-de-braço com o governo americano, ameaça “pôr no ar a agenda de telefones de todas as prostitutas de Washington”. Quando Apolo é violentado por um vilão, Meia-Noite se vinga sodomizando o maníaco sexual com uma britadeira.

“Sob Nova Direção” é o segundo volume encadernado com as histórias da grupo lançado pela Devir, e reúne os números 9 a 16 da edição americana. O primeiro arco de histórias do álbum, “Trevas Cósmicas”, foi o último feito pela dupla original Ellis e Millar. Além da violência e do humor, os roteiros de Ellis enfatizam conceitos bizarros de “science fiction” –como balsas espaciais vivas e universos-bebês enjaulados– e as batalhas épicas, perfeitas para o traço realista e grandioso de Hitch, que adora fazer artes majestosas em quadros de página inteira.

No arco de despedida dos seus criadores, o Authority enfrenta uma antiga criatura alienígena que é “a coisa mais próxima do conceito de Deus que este universo já viu”. Bilhões de anos atrás, explica o Doutor, Deus criou a Terra como seu retiro de férias, mas descobriu, ao voltar de um passeio pelo Universo, que o planetinha agora estava coberto pela humanidade, “essa irritante infecção de seis bilhões de organismos”. Para livrar a Terra de ser desinfetada, o Authority precisa “achar um jeito de matar Deus”, invadindo as próprias entranhas da divindade.

Em busca de Deus

Observados por garçonetes melancólicas e pelos vidros sujos com catchup de um café perdido no interior dos Estados Unidos, três pessoas conversam. Não vemos direito seus rostos, mas percebemos que estão falando de Deus e sobre como encontrá-lo. Uma mulher diz: “Pelo que eu sei, tem dois locais perfeitos para se procurar Deus: na igreja ou no fundo de uma garrafa”. O homem diante dela responde: “Então, talvez eu deva procurar uma loja de bebidas… pois uma coisa eu digo: numa igreja é que Ele não está” –no final da frase, um close, e percebemos que a fala vem de um pastor.

O pastor é Jesse Custer, e a seqüência é a primeira página de “Precher”, uma saga fechada –com começo, meio e fim, algo incomum nos quadrinhos americanos– de 75 números que conta a história da busca de Custer em sua busca por Deus. Literalmente.

Após se fundir a uma criatura super-poderosa, nascida do cruzamento entre um anjo e um demônio, o pastor Custer confronta os paus-mandados do Paraíso a respeito do Criador e descobre que Ele desistiu. Deus abandonou sua criação e se escondeu em algum lugar dos Estados Unidos.

A partir daí, a história segue em clima de “road movie”, quando Custer passa a percorrer os EUA atrás do Todo-Poderoso. “Eu estou à procura de Deus porque concluí que ele abandonou sua criação. (…) Quero confrontá-lo e ouvir o que tem a dizer sobre essa acusação”, afirma Custer.

Na sua busca, Custer é acompanhada pela namorada, Tulip, pelo amigo Cassidy –um vampiro irlandês que prefere beber cerveja a sangue– e pelo fantasma de John Wayne, que atua como uma espécie de conselheiro de Custer.

A peregrinação de Custer freqüentemente mostra a América pelo que ela tem de mais estúpido. Ennis não poupa ninguém. A cultura teen é representada pelo adolescente grunge que atira no próprio rosto para imitar o gesto de Kurt Cobain, mas sobrevive com um buraco em forma de ânus no rosto, tornando-se o Cara-de-Cu (Arseface); descoberto pela MTV, vira um astro pop. O Sul do país aparece com seus caipiras que transam com galinhas e se casam com as irmãs, e Nova York, com seus psicopatas que guardam cadáveres na geladeira e policiais durões homofóbicos que secretamente curtem orgias gays sadomasô.

Tudo passando pelo traço do britânico Steve Dillon, que se revelou o parceira ideal para o textos de Ennis, seja pela sua habilidade em retratar expressões e fisionomias–imprescindível para um autor que se destaca pelos diálogos irônicos e afiados, à la Quentin Tarantino–, seja por seu talento natural para desenhar pessoas deformadas e mandíbulas arrancadas.

Cinema

Desde que foi lançado, “Preacher” despertou interesse para adaptações cinematográficas. O ator James Marsden (o herói mauricinho Ciclope, da trilogia “X-Men”) tentou emplacar na HBO um projeto para encarnar Jesse Custer em um filme ou numa série de TV, mas a idéia nunca saiu do gibi. Não deve ser fácil convencer os produtores a adaptar uma história que mostra Deus como o maior dos vilões.

Fonte: Folha Online

Pastor acusa deputado envolvido na máfia das ambulâncias

Segundo o pastor, Agnaldo Muniz alardeou ter destinado, via emendas do Orçamento da União, R$ 100 mil para uma instituição chamada Associação Betel de Evangelismo e Missões, mas o dinheiro nunca chegou.

O site rondonoticias, de propriedade do radialista Arimar Souza de Sá, que é candidato a deputado estadual, levantou neste domingo mais uma suspeita sobre o deputado federal evangélico Agnaldo Muniz (PP), que foi apontado pela revista Veja como estando envolvido com a máfia das ambulâncias.

Segundo o site de Arimar, um certo pastor Floriano, da Assembléia de Deus de Ji-paraná, afirmou que Agnaldo Muniz alardeou ter destinado, via emendas do Orçamento da União, R$ 100 mil para uma instituição chamada Associação Betel de Evangelismo e Missões, mas o dinheiro nunca chegou.

Ainda de acordo com o site, o pastor Floriano lamentou o envolvimento de Agnaldo Muniz no escândalo das sanguessugas.

Agnaldo Muniz, que é evangélico, ligado à Assembléia de Deus, recebeu recentemente o apoio do Conselho de Ministros da igreja para o seu projeto de reeleição.

Neste domingo, o jornal eletrônico www.tudorondonia.com.br tentou manter contato com o deputado Agnaldo Muniz ou sua assessoria, mas não conseguiu.

Assessoria tenta abafar denúncias contra Aguinaldo Muniz

Em vão à assessoria do deputado federal Aguinaldo Muniz (PP) tentou desde sábado abafar as denúncias de que o evangélico está na lista dos que se beneficiou ilicitamente com o esquema das ambulâncias. O Rondonoticias já havia informado no dia 23 de maio que o deputado pepista fazia parte do “esquema” junto com mais alguns parlamentares de Rondônia.

O nome de Aguinaldo estava numa relação como um dos que mais usou o suposto esquema da compra de ambulâncias para repassá-las para muitas prefeituras de Rondônia no biênio 2004/2005.

As ambulâncias que Muniz conseguiu repartir estão listadas nos diversos panfletos publicitários que o deputado mandou imprimir em formato tablóide e repartir por todo o território de Rondônia. Ele teria apresentado emendas para comprar ambulâncias no valor de mais de R$ 300 mil.

No total, foram apresentadas emendas por deputados de Rondônia no valor de R$ 2.252.500,00 (dois milhões duzentos e cinqüenta e dois mil e quinhentos reais) para compra de ambulâncias.

Fonte: Rondonoticias e Tudorondonia

Arquidiocese prepara cartilha orientando voto consciente

O Arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, informou que as dioceses do regional Nordeste 2, que inclui os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas, estão preparando uma cartilha para orientar o papel da Igreja nas eleições.

O material defende o voto consciente e proíbe religiosos de fazer campanha para os fiéis.

“Não cabe à Igreja se imiscuir-se em política partidária, usando sermões para induzir os votos dos eleitores. Queremos recuperar a necessidade de uma boa escolha. Há candidatos, há propostas, e podemos ter uma participação mais efetiva, mesmo que não se obtenha um resultado imediato, é uma medida a médio, longo e infinito prazo”, disse.

Dom Aldo explicou que, desde a sua chegada à Paraíba, ficou implícita a posição de que a Igreja e as 20 dioceses do Regional Nordeste 2 são contrários à participação de padres na política partidária. “Queremos tentar auxiliar a formação da mentalidade concidadã, mas nunca indicar votos para algum candidato ou partido”, completou.

No mês de agosto, a Igreja Católica centraliza as suas atividades nas questões vocacionais. Um “Encontrão” será realizado no auditório do colégio Nossa Senhora de Lourdes (Lourdinas) para debater o tema. “Temos todos os meses um encontro de acompanhamento dos sinais vocacionais”, anunciou o arcebispo.

Fonte: WSCOM

Sinodo da Igreja Ortodoxa russa quer diálogo com os católicos

O Santo Sínodo pronunciou-se “pela continuação do diálogo com a Igreja Católica Romana sobre problemas de interesse comum” e expressou satisfação pelos resultados do encontro entre Bento XVI e o Metropolita Kirill.

O Santo Sínodo do Patriarcado de Moscou da Igreja Ortodoxa russa teve lugar no complexo religioso de Serguiev Posad , a 70 km da capital . O respeito pelos direitos humanos, a defesa da dignidade humana e a responsabilidade moral são as “questões cruciais” sobre as quais a Igreja Ortodoxa russa pretende desenvolver o diálogo , nem sempre fácil ,com os católicos.

O Santo Sínodo pronunciou-se “pela continuação do diálogo com a Igreja Católica Romana sobre problemas de interesse comum” e expressou satisfação pelos resultados do encontro de maio, no Vaticano, entre Bento XVI e o Metropolita Kirill, chefe do Departamento para as Relações Exteriores, do Patriarcado ortodoxo de Moscou.

Segundo o Santo Sínodo ortodoxo, é necessário que católicos e ortodoxos se unam “para proteger a instituição familiar e o valor da vida humana”.

Fonte: Pravda.ru

Turquia: Jovens se suicidam para “limpar a imagem da família”

Organizações de defesa das mulheres dizem que há indícios de que um crescente número de garotas consideradas desonradas estão sendo trancadas num quarto durante dias com veneno para rato, um revólver ou uma corda e ouvindo da família que a única coisa que resta para livrá-la da desgraça e promover sua redenção é a morte.

Para Derya, um garota de 17 anos, a ordem para se matar veio de um tio e foi enviada por uma mensagem de texto no telefone celular dela. “Você envergonhou nosso nome”, disse a mensagem. “Mate-se e limpe nossa honra ou nós a mataremos.”

Derya disse que o crime dela foi apaixonar-se por um garoto que conheceu na escola. Ela sabia dos riscos, porque uma tia foi morta por seu avô por estar se encontrando com um rapaz. Mas, depois de ter sido enclausurada e usado véu a maior parte da sua vida, sentiu-se livre pela primeira vez e quis expressar sua independência, disse ela.

Quando a notícia de seu caso amoroso chegou aos ouvidos da família, sua mãe a avisou que o pai a mataria. Mas ela se negou a escutar. Então, chegaram as mensagens ameaçadoras, enviadas por seus irmãos e tios: às vezes 15 avisos por dia. Derya disse que eram o equivalente a uma sentença de morte.

Consumida pela vergonha e temendo por sua vida, ela decidiu realizar os desejos da família. Primeiro, pulou no Rio Tigre, mas sobreviveu. Depois, tentou se enforcar, mas foi salva por um tio. A seguir, cortou os pulsos com uma faca de cozinha.

“Minha família agrediu minha personalidade e me senti como se tivesse cometido o maior pecado do mundo”, disse ela em um abrigo para mulheres, onde está alojada e onde trocou o véu por uma camiseta e calças jeans. Recusou-se a dizer seu sobrenome por medo de que a família ainda esteja no seu encalço.

“Senti que não tinha o direito de desonrar minha família, que não tinha o direito de estar viva. Portanto, decidi respeitar o desejo de minha família e morrer.”

A cada poucas semanas nesta área curda do sudeste da Anatólia, que é pobre, rural e profundamente influenciada pelo islamismo conservador, uma mulher tenta tirar a própria vida. Outras têm sido apedrejadas até a morte, estranguladas, mortas a tiros ou enterradas vivas. Os delitos delas variam de olhar para um rapaz, vestir um saia curta, querer ir ao cinema, ser estuprada por um estranho ou parente ou manter uma relação sexual consensual.

Na esperança de se integrar à União Européia, a Turquia tem aumentado a punição aos chamados “crimes de honra”. Mas a violência continua, mesmo que de formas diferentes – os pais têm tentado poupar os filhos de punições graves por terem matado suas irmãs, obrigando as filhas a tirarem a própria vida.

Organizações de defesa das mulheres dizem que há indícios de que um crescente número de garotas consideradas desonradas estão sendo trancadas num quarto durante dias com veneno para rato, um revólver ou uma corda e ouvindo da família que a única coisa que resta para livrá-la da desgraça e promover sua redenção é a morte.

Batman é uma cidade sombria e poeirenta com 250 mil habitantes, onde a religião está num embate com o secularismo oficial da Turquia. A cidade serviu de cenário para o mais recente romance do escritor turco Orhan Pamuk, Snow (Neve), que fala de uma investigação jornalística sobre uma epidemia de suicídios entre as adolescentes.

Nos últimos seis anos, houve 165 suicídios ou tentativas de suicídio em Batman, 102 deles cometidos por mulheres. Segundo a ONU, 36 mulheres se mataram desde o início deste ano. A organização estima que 5 mil mulheres são mortas anualmente em todo o mundo por parentes que as acusam de trazer a desonra para suas famílias, e a maioria desses assassinatos acontece no Oriente Médio.

Têm ocorrido tantos suicídios que a ONU despachou um enviado especial à região para investigar. O enviado, Yakin Ertuk, concluiu que, embora alguns suicídios tenham sido autênticos, outros parecem ter sido “assassinatos em nome da honra disfarçados de suicídio ou acidente”.

“Os telefonemas continuam chegando”, disse Mehtap Ceylan, membro do esquadrão de prevenção contra suicídio. Ela conta que, muito recentemente, recebeu uma ligação sobre uma garota de 16 anos que cometera suicídio, segundo a família porque eles não a deixavam usar calças jeans. Mas, quando Ceylam visitou a casa, os vizinhos disseram que a menina era uma pessoa feliz e usava jeans havia anos.

“Simplesmente a história não se encaixava”, disse Ceylam. “A família da garota disse que a filha estava tomando o café da manhã, entrou no quarto e encostou um revólver contra a cabeça. Eles estavam agindo como se nada houvesse acontecido.”

Psicólogos daqui dizem que levantes sociais na região abalada pelo terrorismo têm desempenhado um papel nos suicídios.

Muitas das vítimas vêm de famílias de vilarejos rurais que foram deslocadas das montanhas para as cidades por causa da guerra entre o governo turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, uma guerrilha curda que quer criar um Estado independente no sudeste da Turquia.

Meninas como Derya, que tinham levado uma vida protegida sob a rigidez moral de suas famílias e do islamismo, de repente se vêem no meio de uma Turquia moderna com namoro pela internet e MTV. Esta mudança pode criar tensões perigosas, às vezes letais, entre suas famílias e os valores seculares da república que as mulheres jovens querem adotar.

A modernidade pode ter um preço muito alto. Quando uma mulher é suspeita de manter relações sexuais fora do casamento, seus parentes do sexo masculino convocam uma conselho de família para decidir sua sentença. Uma vez que a notícia sobre a desonra da família se espalha pela comunidade, normalmente a família determina que somente por meio da morte essa honra pode ser recuperada.

A União Européia já avisou à Turquia que está monitorando de perto os direitos das mulheres e o fracasso em obter progressos nesta questão poderá atrapalhar seu desejo de ingressar no bloco.

Até recentemente, um membro da família da garota caída em desgraça, geralmente um irmão menor de 18 anos, executava a sentença de morte e recebia uma sentença de prisão curta por causa de sua idade. As sentenças também acabavam sendo reduzidas pela justificativa de que um parente o tinha incitado a cometer o assassinato.

Mas nos últimos dois anos, a Turquia reformulou seu código penal, impondo penas de prisão perpétua para os “crimes de honra”, independentemente da idade do assassino. Isso levou algumas famílias a tomarem outras medidas, como pressionar as filhas a cometerem suicídio ou matá-las, disfarçando o assassinato como sendo suicídio.

“As famílias das moças que caíram em desgraça estão escolhendo entre condenar um filho à prisão perpétua encarregando-o de matar sua irmã ou, então, obrigando as filhas a cometerem suicídio”, disse Yilmaz Akinci, que trabalha para um grupo de desenvolvimento rural. “Em vez de perderem dois filhos, a maioria opta pela segunda escolha.”

Numa tentativa de tirar esses “crimes de honra” da sombra, a Ka-Mer, uma organização local de defesa das mulheres, criou uma linha telefônica direta para ser usada pelas mulheres que acham que sua vida está em perigo.

A Ka-Mer encontra abrigo para essas mulheres e as ajuda a entrar com pedido nos tribunais de ordens restritivas contra os parentes que as têm ameaçado.

Ayten Tekay, uma assistente social da Ka-Mer na localidade de Diyarbakir, disse que, das 104 mulheres que telefonaram para a organização este ano, mais da metade era sem instrução e analfabetas. Ela disse, também, que em alguns casos as famílias não queriam matar as mulheres, mas que a pressão social e os constantes mexericos as levaram a fazer isso.

“Temos de tirar esses assassinatos das sombras e ensinar às mulheres seus direitos”, disse ela. “As leis foram mudadas, mas a cultura aqui não se modificará da noite para o dia”, acrescentou.

Derya, revigorada depois do aconselhamento, disse que está determinada a dar prosseguimento a sua vida. “Esta região é religiosa e aqui é impossível ser você mesma se você for uma mulher”, disse ela. “Ou você foge abandonando sua família e muda de cidade ou então se mata.”

Derya disse que a raiz do problema era a desigualdade entre sexos, apesar de o profeta Maomé ter argumentado em favor do fortalecimento das mulheres na sociedade.

“No meu vilarejo e na tribo de meu pai, os rapazes estão no céu, enquanto as garotas são tratadas como se estivessem debaixo da terra”, disse ela. “Enquanto as famílias não confiarem em suas filhas, coisas ruins continuarão a acontecer.”

Fonte: Estadão

Congregação quer converter judeus para caminho de Jesus Cristo

“Judeus para Jesus”, uma congregação de alcance mundial que busca converter judeus para o caminho de Jesus Cristo, lançou este mês em Nova York a campanha evangelizadora mais ambiciosa dos seus 33 anos de história.

Sua missão é convencer os judeus que Jesus pode ser aceito como Messias, já que assim como seus seguidores, também era judeu e ter fé nele não implica mudar de religião, mas se transformar em um “judeu completo”.

Enquanto as campanhas anteriores em Nova York se concentravam em Manhattan, este ano houve uma expansão para os bairros do Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island, assim como os condados nova-iorquinos de Westchester, Bergen, Suffolk e Nassau.

Além das tradicionais estratégias de evangelização via telefone e da distribuição de panfletos nas ruas, neste verão cerca de duzentos voluntários da organização se dividiram em shoppings e organizaram mostras de cinema.

A campanha em Nova York, realizada durante todo o mês de julho, é a última parada de um tour que, durante cinco anos, percorreu 54 cidades do mundo (todas com população judaica superior aos 25 mil habitantes), e que teve um custo de US$ 22 milhões.

A estratégia inclui anúncios publicitários em jornais como “The New York Times” e nas estações e vagões do metrô, cujas paredes estão cobertas de anúncios evangelizadores e onde voluntários distribuem centenas de panfletos diariamente.

As reações são diversas: alguns vêem a congregação como uma curiosidade do verão, enquanto judeus ortodoxos expressam indignação.

No entanto, a grande maioria se mostra indiferente, o que não é uma novidade para um grupo que sempre sofreu resistência em Nova York, reduto da segunda maior comunidade judaica do mundo (perdendo apenas para Israel), e um dos principais destinos turísticos de judeus de todo o mundo.

“Os curiosos querem saber mais sobre o Evangelho, mas também há os que dizem que é impossível ser judeu e cristão ao mesmo tempo.

Mas nós somos exemplos vivos de que isso é possível”, diz Susan Perlman, subdiretora executiva da organização.

Scott Hillman, diretor da organização “Judeus para o Judaísmo”, afirma que um judeu considerar Jesus como Messias é um parodoxo.

“Um judeu que considera Jesus como Messias é como um carnívoro vegetariano”, diz o rabino Joseph Potasnik, vice-presidente Executivo do Conselho de Rabinos de Nova York.

Em um atípico gesto de unidade, estes e outros líderes judeus de Nova York lançaram uma contra-campanha, que inclui a publicação de anúncios em sessenta jornais, com o slogan “Sim ao judaísmo”.

Em declarações públicas, acusaram a “Judeus para Jesus” de serem na verdade fundamentalistas cristãos que usam os símbolos judeus para persuadir e enganar os judeus mais vulneráveis, principalmente adolescentes e idosos.

“Eles falam de suas congregações como sinagogas e de seus líderes espirituais como rabinos. Estão se apropriando dos símbolos do judaísmo”, afirma David Berger, professor de religião do Brooklyn College.

“Eles estão pedindo aos judeus que se transformem em cristãos!”, afirma Michael Miller, vice-presidente executivo do Conselho de Relações Comunitárias Judias de Nova York.

Nos EUA existem cerca de trezentas congregações messiânicas e mais de seiscentas missões cristãs voltadas para converter os judeus, segundo o rabino Tuvia Singer, diretor nacional da Outreach Judaism, uma organização internacional que se opõe aos grupos cristãos e cultos que procuram judeus, especificamente.

Segundo sua opinião, o papel central das missões cristãs e grupos como o “Judeus para Jesus” é “atuar como um filtro e apoio para as igrejas evangélicas ao redor do mundo”.

Fonte: EFE

Papa faz “forte chamado” por cessar-fogo “imediato”

O Papa fez hoje na cidade alpina italiana de Les Combes “um forte chamado” às partes em conflito no Oriente Médio para que os combates cessem “imediatamente” e se permita o envio de ajuda humanitária.

Bento XVI, que pediu que o dia de hoje seja de preces e penitências pelo cessar-fogo entre israelenses e libaneses, defendeu que com a ajuda da comunidade internacional se busquem as “vias para o diálogo”.

“Renovo com força o chamado às partes em conflito pelo cessar-fogo imediato e para que se permita o envio de ajuda humanitária e para que com a ajuda da comunidade internacional se busquem caminhos para o começo das negociações”, disse o Pontífice perante milhares de pessoas reunidas em Les Combes (Vale de Aosta) para a prece do Ângelus.

Bento XVI acrescentou que “aproveitava” a ocasião para “reafirmar o direito dos libaneses à integridade e à soberania de seu país, o direito dos israelenses a viver em paz em seu Estado e o direito dos palestinos a ter uma pátria livre e soberana”, como sempre defendeu o Vaticano.

O Papa disse que se sente “muito próximo” da população civil desarmada, “injustamente golpeada em um conflito do qual só são vítimas”.

A este respeito, o Bispo de Roma fez menção à população da Galiléia, “obrigada a viver nos refúgios”, e “às grandes multidões de libaneses, que mais uma vez vêem destruído seu país e tiveram que abandonar tudo para buscar escapatória em outras partes”.

Bento XVI elevou a Deus uma “dolorida prece” para que as aspirações de paz “da grande maioria” da população possam ser alcançadas o mais rápido possível, “graças ao compromisso das autoridades”.

O Papa fez também um chamado a todas as organizações de caridade para que levem a esses povoados “a expressão concreta da solidariedade”.

Frente ao agravamento da situação no Oriente Médio, o Conselho Pontifício “Cor Unum”, que se encarrega de distribuir a caridade do Papa, já enviou em nome do Pontífice uma primeira ajuda para socorrer os milhares de desabrigados.

Essa ajuda é para iniciar um projeto da Caritas do Líbano, a Custódia da Terra Santa e outros fundações católicas para abastecer esses povoados de colchões, cobertores, lençóis, água potável, alimentos, remédios e produtos higiênicos.

O Conselho Pontifício também abriu uma conta em um banco italiano para recolher fundos para as áreas libanesas afetadas pela ofensiva militar israelense.

Bento XVI lembrou hoje que na quinta-feira passada, “frente ao agravamento” da situação no Oriente Médio, convocou os fiéis, especialmente os das três religiões monoteístas (cristãos, judeus e muçulmanos), para que dediquem o dia de hoje a rezar pela paz na região.

Seu chamado foi divulgado pelas igrejas locais, que hoje organizaram diferentes momentos de preces.

Bento XVI pôs “toda a humanidade” nas mãos de Deus e fez votos para que as rezas de todos os fiéis sirvam para que “os amados povos do Oriente Médio sejam capazes de abandonar o confronto armado e construam com a audácia do diálogo uma paz justa e duradoura”.

O Bispo de Roma expressou nos últimos dias sua satisfação com a abertura de um corredor humanitário no Líbano e acrescentou que após esta medida a seguinte tinha que ser a “trégua imediata”.

O Papa Também afirmou que embora o Vaticano “não entre em política” faz todo o possível pela paz. E nesse contexto inscreve-se a reunião da semana passada no Vaticano entre o deputado Saad Hariri – filho do ex-primeiro-ministro assassinado Rafik Hariri – com o secretário de Estado, o cardeal Angelo Sodano, a quem o libanês pediu ajuda para um cessar-fogo em seu país após os ataques de Israel.

Fonte: EFE

Direita atira excrementos durante missa de apoio a homossexuais

Os participantes de missa em favor dos direitos dos homossexuais na Letônia, celebrada neste sábado numa igreja anglicana em Riga, foram vítimas do lançamento de excrementos por parte de centenas de simpatizantes da extrema-direita, constatou a AFP.

Os opositores ao desfile do orgulho gay que deveria acontecer neste sábado na capital, Riga, mas que foi proibido pela prefeitura, bloquearam cerca de 50 pessoas reunidas na cerimônia religiosa, entre elas uma eurodeputada holandesa.

“Tive o desprazer de ver com meus próprios olhos como as pessoas podem se comportar motivadas pelo ódio e pelo medo”, declarou a eurodeputada Sophie Int’Veld, após deixar a igreja por uma porta anexa.

O desfile do orgulho gay 2006 havia sido proibido quarta-feira pelas autoridades de Riga alegando riscos para a segurança. As organizações de homossexuais entraram com um recurso na justiça mas os tribunais mantiveram a decisão de proibição.

Fonte: AFP

Religião politeísta indígena será incorporada à educação na Bolívia

A religião politeísta dos amautas, os sábios imemoriais da cultura andina, será incorporada ao currículo da escola boliviana junto das outras disciplinas, afirmou o ministro da Educação Félix Patzy, em meio a uma forte polêmica causada pelo assunto com a Igreja Católica.

O projeto visa ao estudo da teologia andina, que reverencia a ‘Pachamama’ (mãe terra), o ‘Tata Inti’ (pai Sol) e outras divindades como os míticos ‘achachilas’, que segundo a crença dos indígenas aimaras e quechuas tutelam a vida dos Andes.

De fato, os moradores desta região sul-americana praticam um sincretismo católico-pagão na maior parte de suas formas culturais desde 1533, quando a colonização espanhola avançou sobre o Novo Mundo, com a catequização como ponta de lança.

Antes de sua chegada, o império inca, que as forças espanholas reduziram a ruínas no século XV, venerava a mãe terra e o pai sol.

O funcionário boliviano, que anunciou seu projeto para uma educação leiga, informou que haverá um processo para adequar as linhas diretrizes do ensino da religião nas escolas.

“Convocaremos todas as Igrejas, os evangélicos, os pentecostais, os mórmons e, certamente, os católicos, mas também estarão os amautas das terras baixas e altas, das 36 culturas que convivem no país para que entre todos partilhem os saberes sobre a religião”, disse Patzy em declarações à imprensa.

Alvo de duras críticas por supostamente atacar a tradição católica no país, Patzy insistiu em que “ninguém vai tirar o (lado) católico” das crenças supremas dos bolivianos.

“Eles (os católicos) têm direito (a ensinar sua doutrina) nas igrejas”, reforçou Patzy.

A iminente reforma na educação boliviana contempla uma mudança no ensino da religião, fundamentado em três pontas: a fé católica, os protestantes e as culturas originárias, segundo este sociólogo indígena.

Fonte: AFP

Pastor denuncia propina para pedir dinheiro no trem

A Organização Não-Governamental (ONG) Restaurando Vidas, na Penha, acusa um grupo de vigilantes da SuperVia de cobrar propina para permitir que integrantes da ONG peçam contribuições nos trens — o que é proibido pela concessionária.

Seis guardas são apontados pela instituição como os envolvidos no esquema que permite a circulação de pedintes nos vagões.

Segundo o coordenador da ONG, Gilberto Reis, para burlar a proibição da empresa, vigias cobram R$ 50 por semana. Nos trens, integrantes do projeto arrecadam dinheiro em latas para manter um abrigo de ex-dependentes químicos e ex-moradores de rua. Pastor da Assembléia de Deus, Reis afirma que, depois de pagar a propina duas vezes, outros guardas passaram a lhe pedir dinheiro.

Os pedidos de propina começaram há um mês. Segundo Reis, os internos da casa já vinham arrecadando dinheiro nas estações nos últimos seis meses, sem qualquer cobrança. Depois de pagar a passagem, as duplas de ex-moradores de rua explicavam as razões do pedido de ajuda e recebiam as doações.

Após os primeiros pedidos de propina, o pastor tentou fazer o registro de ocorrência em quatro delegacias. Segundo Reis, os policiais alegaram que não poderiam registar a denúncia por falta de provas.

— Estávamos sem saída. A maneira de provar a verdade era aceitar e gravar a oferta — afirma Reis.

As conversas por telefone com os pedidos de propina de seis dos guardas da SuperVia foram gravadas em fitas cassete por Reis, criador do Projeto Restaurando Vidas. Nos telefonemas, vigilantes das estações de Madureira, Engenho de Dentro, Bento Ribeiro, Oswaldo Cruz e Japeri negociaram a propina. Segundo Gilberto Reis, o acerto semanal era de R$ 50 para cada um dos dois ramais (Deodoro e Japeri). Integrantes do projeto — quatro por ramal — pediam nos vagões duas vezes por semana, das 8h às 11h, conseguindo ao todo cerca de R$ 240.

Supervia diz que diretor de ONG acoberta corrupção

Reis conta que, com as gravações, retornou às delegacias e não conseguiu fazer o registro. Também procurou a SuperVia para denunciar.

— Já não agüentava mais. Os guardas passaram a ligar para minha casa. Eles também quebraram a lata para retirar as moedas dos internos — conta o pastor.

A SuperVia confirma que Reis esteve na concessionária há 15 dias para apresentar as denúncias. Ele foi recebido por um responsável pela segurança e um advogado da empresa. Os representantes da concessionária disseram que os guardas seriam punidos e afastados. Com medo, o pastor não aceitou apontar os envolvidos no esquema nem sob a condição de que eles seriam demitidos alguns meses depois, de forma que os vigilantes não associassem a punição à denúncia.

Para a concessionária, ao agir assim, Reis está acobertando a corrupção. A SuperVia também alegou que não poderia tomar providências sem identificar os acusados. Segundo a concessionária, há 580 vigilantes nas estações. De acordo com a empresa, nos vagões não são permitidos pedintes nem ambulantes.

— Não vendemos nada. Fazemos uma divulgação sobre o projeto além do uso abusivo do álcool e das drogas. O papel levado pelos internos para o trem é recolhido no fim da explicação — diz um missionário e voluntário da casa.

Localizada na Rua Frei Gaspar, na Penha, a casa de recuperação do Projeto Restaurando Vidas abriga 80 ex-moradores de rua. Segundo Reis, 65 dos internos foram encaminhados pela prefeitura ou por outros órgãos públicos. O abrigo sobrevive das doações de moedas feitas em sinais de trânsito, ônibus e trens. Apesar de não ter convênios com a prefeitura, assistentes sociais do município encaminham internos para o abrigo.

— O dinheiro da arrecadação é usado pelos internos para comprar pasta de dente, desodorante e comida para casa — diz o pastor.

Reis explica que resolveu fazer a denúncia para chamar a atenção das autoridades e mostrar os problemas da casa. Segundo ele, o dinheiro arrecadado pela entidade não é suficiente para comprar os 20 quilos de arroz e oito de feijão necessários para fazer o almoço diariamente:

— Pedimos apenas dinheiro para comprar comida para nossa obra, que trata pessoas que viveram nas ruas e eram dependentes químicos.

Sobre a denúncia de Reis de não ter conseguido registar o caso nas delegacias, a Polícia Civil informou que, nessas situações, as vítimas devem ir à Delegacia Superior do Dia, na Rua da Relação 42, no Centro.

Fonte: Globo Online