Apoiar a ordenação de mulheres ao ministério e promover uma nova leitura da Bíblia do ponto de vista feminista são algumas das conclusões do Encontro Continental de Mulheres da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL), realizado em Cartagena das Índias , Colômbia, dias 9 a 11 de agosto.
O encontro decidiu reforçar a comunicação entre mulheres em nível regional e continental, auspiciar a formação de lideranças femininas, e incentivar as mulheres a tomarem, de fato, os espaços conquistados por direito, desenvolvendo estratégias que superem as dificuldades para a busca da igualdade.
A Assembléia de Mulheres “condenou a exploração sexual (crianças, mulheres e homens) e toda forma de violência e escravidão”. Também propôs o estudo de alternativas em relação à problemática da AIDS e ao trabalho que as igrejas desenvolvem com pessoas afetadas pelo vírus.
A reunião, preparatória à X Assembléia Geral da AIPRAL, que está reunida nestes dias em Cartagena de Indias, avaliou o trabalho realizado nos últimos seis anos pelo Departamento de Mulheres dessa organização.
“Queremos destacar que essa tarefa não foi fácil”, disseram, apontando para as dificuldades orçamentárias e comunicacionais que tiveram de enfrentar, “mas que, com a ajuda de Deus, foram levadas a cabo com resultados amplamente positivos”, disse a integrante do Comitê Executivo da AIPRAL, Zulema García de Rojas.
No encontro, a pastora Ledys Ruiz, da Igreja Presbiteriana da Costa Rica, foi eleita a nova diretora do Departamento de Mulheres para o período 2006-2010 e como membro do Comitê Executivo da AIPRAL. A pastora Maria Jiménez, da Venezuela, e a professora Susana Renner, do Brasil, acompanham-na na tarefa subregional.
A professora da Universidade Reformada da Colômbia, Dra. Alicia Winters, dissertou sobre “Vida e Justiça na Cotidianidade”, convidando as participantes a refletirem sobre as relações entre raças e etnias, sobre o cuidado das pessoas idosas e os desvalidos.
Paralelamente ao encontro de mulheres ocorreu o Fórum da Juventude, que teve como tema central “Nossos sonhos de vida e justiça”, uma introspecção em torno dos sonhos, desejos e esperanças dos jovens, e como se confrontam com as dificuldades da sociedade atual.
A AIPRAL iniciou suas atividades no primeiro Congresso Presbiteriano, realizado no Brasil, em 1955, quando foi constituída a Comissão de Cooperação Presbiteriana da América Latina (CECEPAL). Sobre esta base, e depois de várias etapas, em junho de 1966 surgiu a AIPRAL, que um ano más tarde se constituiu na região latino-americana da Aliança Reformada Mundial (ARM).
A AIPRAL é integrada por igrejas de confissão reformada que, apesar de terem diferentes estilos de adoração e divergências a respeito dos papéis de liderança leiga e ministerial, unem sua vontade e compromisso pela unidade e testemunho evangélico comum.
Um papa na televisão conversando com diretores de canais… Eis um exercício do qual Bento 16 parece gostar bastante. Assim como ele fizera antes da sua visita na Polônia, em maio, ele concedeu uma entrevista, na noite de domingo (13/08) – um mês antes da sua viagem para a Bavária (de 9 a 14 de setembro) -, a três televisões alemãs (Bayerischer Rundfunk, ZDF e Deutsche Welle).
Tratou-se tanto de um “manifesto” quanto de uma entrevista, escreveu Mario Politi no diário “La Repubblica” de 14 de agosto. Na ocasião, o papa manifestou sua ansiedade diante do recuo da fé cristã na Europa, e frente à “polifonia” das culturas e das religiões. Mas ele descarta todo discurso crispado, tal como aquele que valia críticas a João Paulo 2º: “O cristianismo não é uma soma de proibições, e sim uma opção positiva”, afirmou. Essa reorientação já pôde ser percebida durante as Jornadas mundiais da juventude em Colônia, um ano atrás, e, mais tarde, por ocasião da sua visita a Valência (Espanha) em julho. Essa entrevista veio confirmar a nova abordagem do Vaticano.
Bento 16 reconhece que é “difícil acreditar em Deus”, por causa da “onda drástica de secularização e de laicismo”. Esta avaliação é particularmente acurada para o Ocidente, o qual se encontra ameaçado na sua identidade: “O Ocidente vem sendo fortemente questionado por outras culturas, nas quais o elemento religioso é muito marcado, e que se mostram horrorizadas com a frieza que elas constatam no Ocidente em relação a Deus”. O papa não aponta nominalmente para o Islã, nem para as espiritualidades orientais, mas é fácil entender a deixa.
Ele procura tranqüilizar a si mesmo e aos fiéis, constatando um “retorno” do religioso entre os jovens, muitos dos quais manifestam “a necessidade de algo maior” do que a sociedade material. Portanto, existe uma chance que deve ser agarrada, observa o papa: a Igreja precisa mudar a forma do seu discurso, enfatizando a “formação” e nem tanto a norma moral.
Por exemplo, a respeito da Aids, da contracepção ou da explosão demográfica – assuntos em relação aos quais a opinião só se lembra da condenação do preservativo por João Paulo 2º -, o sucessor do papa polonês explica: “Se for ensinada apenas a maneira de construir e de utilizar técnicas – por exemplo as formas de utilizar contraceptivos -, então não há por que ficar espantado ao deparar-se com mais guerras ou mais epidemias de Aids. É preciso, paralelamente, formar os corações, ou seja, permitir que o homem adquira referências, e ensinar-lhe a empregar corretamente as técnicas”.
Segundo ele, surgiu uma outra chance que não deve ser desperdiçada: a evolução da configuração demográfica do cristianismo (2 bilhões de fiéis), e que passou a contar um maior número de seguidores no hemisfério Sul. “Nós não devemos capitular nem nos queixar, reclamando que nós não passamos hoje de uma minoria”, conclui Bento 16. “Vamos tentar proteger o nosso número reduzido e estabelecer novas relações, de modo a receber dos outros, forças novas. Um número cada vez maior de padres indianos e africanos passou a atuar na Europa ou no Canadá!”
Não ceder à tentação do encolhimento que estaria ameaçando os católicos: esta mensagem do papa constitui uma reviravolta.
O ecumenismo é fundamentalmente uma paixão; não nasce de um vago desejo das igrejas, mas do âmago da fé, e é, portanto, mais forte do que eventuais percalços. Essa foi uma das certezas proclamadas pelos participantes do Seminário Teológico promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), reunido em Guarulhos, São Paulo, de 1 a 3 de agosto.
A reflexão sobre o tema “Deus, em tua graça, transforma o nosso país”, inspirado na IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que se realizou em Porto Alegre em fevereiro deste ano, motivou os cerca de 90 participantes do encontro, oriundos das igrejas-membro do CMI, das representações regionais do CONIC, dos institutos de formação teológica e convidados.
Os participantes avaliaram o cenário ecumênico nacional e internacional, no qual constataram a existência de dificuldades e crises. “Externamente, há uma histórica oposição e fortes atitudes antiecumênicas; distanciamento bastante generalizado do movimento pentecostal e das igrejas independentes em franco crescimento.
Internamente, o CMI enfrenta divergências de ordem teológica e prática como, por exemplo, quanto à eucaristia, à ordenação de mulheres e ao diálogo com religiões não-cristãs”, diz o documento final do seminário.
O texto reconhece que problemas da mesma ordem são enfrentados no Brasil. “Cristalizam-se posições antiecumênicas no interior das igrejas-membro; há dificuldade de diálogo com os movimentos pentecostais e neopentecostais; cresce a dificuldade financeira para a realização de programas ecumênicos”.
O documento registra que o CONIC “solidifica sua representatividade diante da sociedade brasileira e de órgãos governamentais para tratar de questões de relevância social” e “é uma genuína manifestação da graça de Deus às igrejas brasileiras e ao movimento ecumênico”.
Para os participantes, “urge alimentar a convicção ecumênica por práticas de acolhida mútua entre as igrejas-membro”. Para isso, sugerem, “é preciso fomentar a partilha de informações; exercitar a linguagem do respeito entre as igrejas e a prática da escuta permanente; reconhecer culpas e buscar o perdão mutuamente; rever elaborações teológicas de caráter excludente ou de afirmação de superioridade, sobretudo nas formulações eclesiológicas; estimular o intercâmbio entre os organismos ecumênicos de dimensão continental”.
Se na década de 70 sociólogos estudavam um possível fim das religiões, 20 anos depois o fenômeno é inverso: uma busca intensa pela renovação da fé. Consequência direta da insegurança e medo que rondam a sociedade atual, que por sua vez faz proliferar as ofertas de cultos e crenças.
A análise é do arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, que esteve na Folha na manhã de ontem, e falou sobre política, suas características de trabalho e ainda a vocação e celibato na Igreja Católica.
Sempre direto e objetivo, o arcebispo defende uma renovação na comunicação da liturgia católica, sem perder o rito que garante a tradição da mesma. Com a procura de alento diante da violência, muitos fiéis encontram paz nas religiões, que ele classifica como pentecostais. ”Isso é bom e acontece porque estas religiões falam com simplicidade e pegam direto no que o povo mais quer, que é socorro imediato. Porém corre-se o risco de se explorar o emocionalismo ou pior: o comércio religioso. Nós temos que buscar a santidade da Igreja e rever como nos aproximamos da população”, propõe.
Na prática, Dom Orlando procura execer o diálogo. ”O ecumenismo é a solução. Se queremos a paz, precisamos vivê-la pelo diálogo. A Igreja Católica ainda tem estruturas sólidas e tradicionais que nos distanciam de uma parcela da população, mas através da conversa nos aproximaremos do povo”, defende.
Ele analisa que atualmente se vive numa sociedade dispersa, que sofre de síndrome do pensamento acelerado. ”Por isso a necessidade de missas adaptadas para os jovens, com linguagem mais sintética e dinâmica”, completa. Dom Orlando, em visitas a algumas paróquias do Paraná, diz ter percebido a necessidade até de uma revisão estética nos prédios. ”Nesse calor existem igrejas sem janela, acredita?”, se impressiona.
Sobre a necessária modernização da Igreja, o próprio arcebispo não se classifica como conservador ou progressista. ”Devemos ser conservadores nos Dez Mandamentos e do Pai Nosso. Temos o dever de conservar o tesouro da fé”. E ressalta: ”Temos que olhar para o céu, com os pés no chão e as mãos no leme da história, porque eu não posso perder o que temos de precioso e tradicional, mas não dá para deixar de olhar para nosso contexto histórico”.
Esse perfil mediador de Dom Orlando Brandes se reflete também na perspectiva política. Defende que o bispo é ”pai de todos”, por isso não pode ver legendas ou partidos. Acrescenta-se a isto que ”a palavra de um bispo tem muito peso, por isso não pode carregar ideologia”. Mesmo assim, aposta na necessidade de presença pública da Igreja e diz já perceber que a sociedade londrinense é aberta para isso.
Com características pessoais bem definidas, o arcebispo arrisca com segurança: ”Não vim aqui para agradar. Vim para servir. Acredito que com diálogo podemos construir e nos aproximar da comunidade, que é o objetivo principal de nosso trabalho”.
Celibato precisa de trabalho direcionado
Polêmica, a exigência do celibato é sempre pauta na discussão sobre a Igreja Católica. Nos últimos oito anos, pelo menos quatro padres deixaram suas paróquias para se casar e constituir família em Londrina.
Para o arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, a questão não se situa simplesmente no fato deles não poderem se casar, mas na necessidade afetiva que o padre, como qualquer humano, tem.
Para tentar amenizar isto, ele aposta num trabalho mais próximo e direcionado aos padres. ”Lá em Joinville (SC), era obrigatório um acompanhamento psicológico. Além disso temos que cuidar de uma formação mais humanística dos seminaristas e padres”, acredita. Ele defende a necessidade de um trabalho vocacional mais fortalecido em Londrina. ”A cidade é grande e temos poucos seminaristas. Precisamos conquistar mais jovens e isso pode ser feito com incentivo dos párocos. Muitos rapazes buscam essa força e não encontram”, afirma.
Dom Orlando também percebe que uma dificuldade no trabalho vocacional é o fracasso familiar. ”Quando ele existe, a persistência é mais debilitada. A família é a base e por isso pode dar sustento à missão do jovem padre”, argumenta.
Durante mais de duas horas, as testemunhas de acusação no caso de atentado violento ao pudor de forma continuada, que figura como acusado José Raimundo França, dirigente da Igreja Assembléia de Deus Missões, localizada na Areinha, prestaram depoimento na 11º Vara Criminal ao juiz Luís Pessoa.
A denúncia foi feita em maio do ano passado por uma vizinha, que seria esposa de um militar e mãe da vítima – uma menina hoje com 10 anos, que, por inúmeras vezes, com a promessa de bombom e trocados, teria sida atraída para a casa do acusado. Ele foi denunciado pela promotora Fátima Travassos, que na época também representou pela preventiva do acusado, mas o pedido não foi deferido, na época, pela juíza Ângela Salazar.
“Pessoalmente, ele foi intimado para a audiência, mas não compareceu e atendeu um pedido meu e a juíza decretou a revelia, no entanto, na audiência seguinte, que deveria ser para ouvir as testemunhas de acusação, ele apareceu com um salvo conduto concedido pelo Tribunal de Justiça”, disse Fátima Travassos.
Em depoimento, José Raimundo negou todas as acusações, alegando que seria criação por parte da família da vítima. Ainda segundo a promotora, outras crianças no bairro também teriam sido vítimas do acusado, mas as mães preferiram não expor as filhas. Conforme depoimento da vítima, ele a atraía para casa dele mostrando chocolates e cédulas de dinheiro.
“Ela disse que era amarrada com as mãos para trás, para evitar que se debatesse, beijava o corpo, e enquanto se masturbava, algumas vezes, chegou a esfregar o pênis na genitália dela. Para evitar que fosse denunciado, ele alegava que se a mãe da menina soubesse a colocaria de casa para fora”, finalizou a promotora.
A próxima audiência está marcada para 28 de novembro, quando as testemunhas de defesa deverão ser ouvidas. De acordo com informações, José Raimundo já teria sido afastado do cargo que assume na instituição religiosa.
Ainda que desejasse reencarnar num escritor, Fidel Castro não acredita numa outra vida, nem sequer na eterna, e aos 80 anos, completados em convalescença, este ateu comunista comunga com o pensamento do Cristianismo, o qual considera “revolucionário” em sua ética e origem.
Nascido num lar católico, Castro foi mandado desde pequeno a escolas de ordens religiosas, nas quais adquiriu ampla cultura católica. Ele incorpora em seu inquieto caráter o sentido de sacrifício e elementos da ética cristã.
Durante a luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista (1952-58), Castro organizou um movimento plural do ponto de vista religioso, tanto para tomar de assalto o Quartel Moncada (1953), quanto para a expedição do Granma (1956) ou para a luta guerrilheira em Sierra Maestra (1956-58).Católicos, evangélicos e maçons integravam sua tropa.
A intervenção do Arcebispo de Santiago de Cuba, Monsenhor Enrique Pérez Serantes, evitou que Castro fosse assassinado após o fracasso do Moncada; o sacerdote Guillermo Sardiñas, com o grau máximo de comandante, atuou como capelão em sua coluna da Sierra Maestra.
Em seu encontro com Frei Betto, em 1986, Castro explicou que do ponto de vista educativo, fixou sua atenção “para os aspectos revolucionários da doutrina cristã”.”Ao longo destes anos, tive a oportunidade de expressar a coerência que existe entre o pensamento cristão e o pensamento revolucionário”, acrescentou.
Mas após o triunfo da Revolução de 1959, e sobretudo depois da definição de seu caráter socialista em abril de 1961, teve início um enfrentamento com a hierarquia católica.Boa parte das propriedades da Igreja Católica, sobretudo colégios, figurava entre as nacionalizações realizadas pela revolução. A hierarquia eclesiástica perdeu também acesso aos meios de comunicação.
Os vigários satanizavam nos templos o novo governo comunista e apoiavam a oposição. Castro expulsou duas centenas de sacerdotes estrangeiros, sobretudo espanhóis.Durante 48 anos de governo, as relações de Castro com os bispos católicos têm sido tensas e oscilantes. Após a crise dos anos 60, houve duas décadas de tensa convivência nos 70 e 80.
Em seguida, anos muito difíceis com a crise econômica da década de 90.As outras religiões também foram marginalizadas até 1992, quando o IV Congresso do Partido Comunista reconheceu a plena liberdade e igualdade de cultos e aceitou militantes crentes.
No entanto, Castro não é acusado de anticlerical. Foi amigo pessoal do primeiro núncio após o triunfo da revolução, monsenhor Cesare Sacchi.Com o Papa João Paulo II houve uma corrente de empatia, além de coincidências de Castro com a doutrina social do Pontífice.
Após sua visita à ilha, em janeiro de 1998, as relações Igreja-Estado se tornaram mais próximas.Cuba, um dos últimos países comunistas, teve um verdadeiro luto oficial com a morte de João Paulo II.A visão de Castro, como estadista, sobre a religião começou a variar após conversas com católicos no Chile, em 1971, e com evangélicos na Jamaica, em 1977.
Após sua entrevista publicada em todo o mundo como um livro, “Fidel e a Religião”, Frei Betto o vê assim: “Fidel é um homem privilegiado por sua formação cristã e sua opção marxista”.
Para seu amigo pessoal, o presidente Hugo Chávez, é um “cristão social”, o que o líder cubano aceita com gosto.
Doutrinalmente, Castro segue se proclamando um marxista-leninista, mas nos últimos anos, quando descobriu “que quase tudo ficou pata trás e que a vida tem seus limites”, seu discurso se voltou mais para princípios éticos do que nas projeções dos clássicos do comunismo.
Pensa que o sentido da vida é adquirir “valores e conhecimentos” para ajudar os demais.Perguntado por Stone se gostaria de viver para sempre, responde rápido: “não, porque minha mente está acostumada às idéia de que há um período limitado de tempo”.
“Fidel é responsável pelos cubanos ante Deus”, diz patriarca ortodoxo
O patriarca ortodoxo russo Alexis II prestou homenagem nesta segunda-feira a Fidel Castro e o classificou de “responsável pelos cubano ante Deus”, no dia seguinte ao aniversário de 80 anos do presidente cubano.
“Sua vida está indissoluvelmente ligada ao destino de sua pátria. Há muitos anos o senhor se converteu em líder e assumiu a responsabilidade da comunidade cubana ante Deus”, escreveu o chefe da Igreja ortodoxa em um telegrama de felicitação.
“Eu desejo que, no futuro, o Senhor lhe dê a força de continuar inspirando solidariedade entre as pessoas com as pessoas com seu exemplo”, acrescenta, dirigindo-se a Fidel como “sua excelência”.
Alexis II também agradeceu ao presidente cubano sua “atenção pessoal no desenvolvimento da Igreja ortodoxa em Havana”.
O presidente russo Vladimir Putin também prestou homenagens, na véspera, a Fidel, definindo-o como “um dos políticos mais brilhantes” do mundo atual.
Fidel diz que está melhorando
Um jornal cubano publicou no domingo as primeiras fotos feitas de Fidel Castro desde a cirurgia abdominal à qual foi submetido há duas semanas, quando transmitiu o poder a seu irmão Raúl Castro, que fez sua primeira aparição pública neste domingo.
Fidel enviou aos cubanos uma mensagem para o dia de seu 80o aniversário que foi publicada pelo diário Juventud Rebelde e inclui quatro fotos dele, da cintura para cima, usando agasalho de ginástica e falando ao telefone, aparentemente sentado numa cadeira.
Ele não aparece em público desde que transmitiu o poder a seu irmão Raúl Castro, em 31 de julho, depois de ser submetido a cirurgia para estancar uma hemorragia intestinal.
Uma das fotos mostra Castro segurando um suplemento sobre ele publicado no sábado pelo jornal do Partido Comunista, o Granma, aparentemente para indicar que as fotos são recentes.
“Dizer que a estabilidade melhorou consideravelmente não é mentira. Dizer que o período de recuperação será breve e que já não existe mais risco seria absolutamente incorreto”, disse Fidel na mensagem divulgada no Web site do jornal.
“Sugiro que vocês sejam otimistas e, ao mesmo tempo, se mantenham sempre preparados para receber uma má notícia”, disse ele.
“O país está funcionando bem e vai continuar assim”, disse o homem que lidera Cuba há 47 anos.
Os detalhes sobre a saúde de Fidel são considerados segredo de Estado, e por essa razão muito pouco foi informado até agora sobre sua condição, nem sequer uma confirmação de que ele está vivo.
Embora sua condição pareça ser estável, não se sabe se Fidel poderá retomar seus deveres no governo.
As autoridades cubanas dizem que, para que possa se recuperar, o workaholic Castro, cuja hemorragia intestinal foi provocada por exaustão e sobrecarga física, terá que reduzir sua carga de trabalho.
Raúl Castro, 75, fez sua primeira aparição pública neste domingo, quando foi receber no aeroporto de Havana o presidente venezuelano Hugo Chávez, aliado de Fidel que foi à ilha para comemorar o aniversário do líder cubano.
Vestido com seu uniforme militar, Raúl Castro apareceu sorrindo, de acordo com imagens da TV estatal cubana.
Alguns cubanos duvidam que o irmão de Fidel possa tocar o trabalho de seu irmão.
O ministro do Açúcar, General Ulises Rosales del Toro, entretanto, defendeu Raúl Castro, durante um evento em homenagem a Fidel num campo de cana-de-açúcar fora de Havana.
“Raúl é um homem com qualidades para liderar o destino da nação junto com Fidel e quando ele não estiver mais conosco”, disse Rosales a repórteres.
A maioria dos cubanos se mostrou aliviada ao ouvir sobre a recuperação de Fidel Castro, mesmo considerando que ele não deve voltar ao trabalho no curto prazo. Mas alguns cubanos questionaram se as fotos publicadas neste domingo foram feitas recentemente.
“Ele parece bem. Seu sorriso transmite calma e serenidade”, disse Yasmin, uma professora de 21 anos. “Se é verdade que as fotos foram tiradas depois da operação, não há razão para preocupação”, acrescentou.
Cerca de 3.000 cubanos, em sua maioria jovens, desejaram parabéns a Fidel Castro num concerto de cinco horas que começou à meia-noite do sábado no “Palco Anti-imperialista” montado diante da missão diplomática dos EUA em Havana, no bulevar Malecón, na beira-mar.
“Estamos torcendo por sua melhora. Para todos os povos oprimidos, Cuba é um exemplo de que o socialismo é possível”, disse o boliviano Juan Carlos Cruz, que estuda medicina gratuitamente em Cuba. Os estudantes levados ao show de ônibus carregavam bandeiras de Cuba, da Venezuela e da Bolívia.
HISTÓRIA
O maior desafio de Fidel: que a revolução sobreviva à sua morte
Fidel Castro, decano dos governantes mundiais, completa 80 anos hoje, travando em seu leito de convalescente a maior de suas batalhas: que a revolução de Cuba, único país comunista do Ocidente, sobreviva à sua morte.
A saída de cena de Fidel e a delegação do poder ao irmão Raúl, cercado de seis figuras de destaque de seu governo, marca o início de uma etapa imprevisível para Cuba, entre o desejo de abertura do povo e um regime em busca de um novo alento, meio século depois de Fidel assumir o poder, em 1959.
Fidel é capaz de gerar paixões extremas. Esse homem, de personalidade forte, admirado por alguns como símbolo de tenacidade e coragem política, é odiado por outros, que o classificam de ditador teimoso, que há 48 anos controla a vida de 11 milhões de cubanos e influencia 1 milhão de pessoas no exílio.
Fidel, o mais antigo no exercício de um governo – Elizabeth II, da Inglaterra, e Bhumibol Adulyadej, da Tailândia, são reis -, é o único líder que conhecem as últimas quatro gerações de cubanos, que agora estão preocupados com o futuro incerto.
As dificuldades econômicas e a falta de liberdade marcam o fracasso do regime, segundo os opositores. Mas a revolução de Fidel resistiu a 10 presidentes e 13 governos americanos em quase 48 anos.
Os chamados internacionais pela libertação de 330 prisioneiros políticos e de uma abertura democrática na ilha, regida por um sistema de partido único, não tiveram eco no regime.
A revolução, no entanto, passa por uma prova histórica. Pela primeira vez, em novembro de 2005, evocando sua morte, Fidel reconheceu a possibilidade de autodestruição do sistema socialista da ilha. Ele jamais havia cedido o comando como fez no último dia 31 de julho, após ser submetido a uma cirurgia no intestino.
A deterioração da saúde de Fidel marca um ponto de inflexão. O repentino papel de protagonista de Raúl Castro, seu irmão e substituto natural, e a renovação do quadro do Partido Comunista (PCC) indicam que a engrenagem da sucessão está se movendo.
‘Mataram-me milhares de vezes’
Sobrevivente de 640 complôs, Fidel manteve até a atual crise de saúde um ritmo que dificultava qualquer prognóstico sobre quanto tempo mais ele ficaria no poder. Analistas afirmam agora que o líder não será mais o mesmo, e não descartam a possibilidade de ele retornar à política em uma função honorífica, caso fique com seqüelas.
Acostumado a ser o centro das atenções, Fidel causou polêmica dias atrás, quando compareceu à Reunião de Cúpula do Mercosul na Argentina. “Sinto-me feliz por completar 80 anos”, comentou em Córdoba. “Tentaram me matar centenas de vezes, mataram-me milhares de vezes, e ressuscitei”, ironizou.
Dias depois, num ato em Holguín (leste), Fidel lembrou que, em Cuba, milhares de pessoas chegam aos 100 anos. “Mas que os nossos vizinhos do norte não se assustem, pois não penso em estar exercendo funções com essa idade”, comentou, bem-humorado.
Após a notícia da doença, as comemorações de seu aniversário foram adiadas para dezembro. Fidel também foi obrigado a delegar tarefas pelas quais é obcecado: o envio de um exército de médicos pela América Latina, novos internacionalistas de sua revolução, e a busca da “invulnerabilidade” econômica do país, com a economia energética e a guerra contra o desvio de recursos do Estado para o mercado negro, vital para a vida dos cubanos.
Aferrado, mais do que nunca, ao socialismo, Fidel disse recentemente sentir-se “10, 20, talvez 100 vezes mais revolucionário” do que quando empreendeu a luta que o levou ao poder, em 1959.
O gênio malévolo
Filho do espanhol Angel e da cubana Lina, Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926, na cidade de Birán, no leste de Cuba, e era o terceiro dos sete filhos do casal. Quando pequeno, estudou em colégios jesuítas de Santiago de Cuba e Havana e, em 1945, matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Havana.
O líder cubano optou pela luta armada quando o general Fulgencio Batista deu o golpe de Estado em Cuba, no dia 10 de março de 1952. Após 16 anos de conspiração, e liderando um grupo que não chegava a uma centena de homens, Fidel lançou sua operação contra o quartel Moncada (importante depósito de armas) na madrugada de 26 de julho de 1953, ação que marcou o ponto de partida da Revolução Cubana.
Sua vida e a da revolução são uma só. Chefe das máximas instâncias do poder político, o “Comandante” dirigiu Cuba como um exército gigante, sempre em batalhas, desde a invasão da Baía dos Porcos por opositores treinados pela CIA e a crise dos mísseis, em 1962, até a luta contra os ciclones, os esbanjadores de energia e os mosquitos. Também tornou o país uma potência no esporte, saúde e educação.
Muitos contaram os dias que restariam à revolução após o fim do bloco socialista, que rendeu à ilha uma década amarga, de escassez e crise de valores. Mas Fidel, disposto a fazer um pacto até com o diabo por sua revolução, fez, nos anos 90, concessões ao capitalismo, para cortar o cordão umbilical que uniu seu regime à União Soviética por mais de três décadas.
Jogador que não se conforma com derrotas, Fidel recuperou parcialmente a economia privada, abriu as portas para os investimentos e autorizou o uso do dólar. Mas agora, rejuvenescido a partir de uma nova sociedade com Venezuela e China, o regime de Fidel afirma que Cuba está saindo do “período especial”, prevê um crescimento de 12,5% neste año e dá marcha a ré.
Culpando as reformas pelo abismo social, Fidel retomou o centralismo econômico, reduziu o espaço da iniciativa privada e proibiu o dólar. Pelas dificuldades que a ilha ainda enfrenta, o presidente continua culpando o embargo americano, que vigora há 45 anos, enquanto a oposição acusa o sistema econômico “anacrônico” e politizado, e alerta para uma nova versão da antiga dependência da URSS.
Mas Fidel ignora as acusações e se dedica a manter a economia com a venda de serviços sociais, principalmente médicos. Seu amigo e principal aliado, Hugo Chávez, descreveu-o assim, certa vez: “Fidel, você é um gênio malévolo, e eu sou um petroleiro abastado.”
O ‘neocastrismo’
A revolução de Fidel ganhou novo fôlego. Chávez não apenas oxigenou seu governo com 100 mil barris de petróleo diários, mas também é seu melhor “embaixador”.
No fim da década de 60, o presidente cubano começou a “exportar” a revolução, apoiando em sigilo movimentos rebeldes latino-americanos, e explicitamente tropas na África. Mas o fim do bloco socialista significou um duro golpe nas aspirações “internacionalistas” do regime comunista cubano.
Agora, a conjuntura se volta a seu favor. A chegada ao poder dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Néstor Kirchner (Argentina), Tabaré Vázquez (Uruguai) e Evo Morales (Bolívia) representa um giro para a esquerda da América Latina. Visto com desconfiança pelos Estados Unidos, esse bloco heterogêneo – moderados, progressistas, populistas – deu uma nova margem de manobra para a revolução cubana, após décadas de isolamento.
A aproximação de Fidel do Mercosul acontece no momento em que os governos do bloco promovem, em seus respectivos países, programas de redução da pobreza, em plena expansão nos últimos anos. É nesse contexto, segundo analistas, que Fidel e Chávez somam à diplomacia petroleira venezuelana uma estratégia social para reduzir a influência de Washington na região.
Com o apoio de Chávez, Fidel envia para toda a região brigadas de médicos, professores e assessores esportivos. Neste ano, a revolução cubana ganhou um novo fôlego, com a formação do eixo Havana-Caracas-La Paz. Milhares de jovens bolivianos e venezuelanos estão em Cuba para estudar medicina e trabalho social.
Além do significado humanista, o efeito político e ideológico de ter um médico numa montanha perdida da América é, para alguns, uma forma de semear uma revolução mais lenta, porém mais eficaz, do que o envio de guerrilheiros, como na década de 60.
Uma Cuba sem Fidel
Incontáveis vezes, circularam rumores de que Fidel havia morrido, mas agora, quando ele completa 80 anos com problemas de saúde, as vozes se multiplicam em torno da mesma pergunta: “O que acontecerá em Cuba após a sua morte?”
Embora a análise seja inexistente na imprensa cubana, porta-vozes do governo, especialistas internacionais, intelectuais e acadêmicos discutem, mais do que nunca, esse tema.
Sem cruzar os braços, o governo de George W. Bush tem pronto um plano para acelerar a transição política e o retorno do capitalismo a Cuba, e aumentou a ajuda financeira à oposição cubana.
Por muito tempo, a saúde de Fidel foi um tabu, até que ele sofreu um leve desmaio, em junho de 2001, durante um ato em Havana. Três anos depois, caiu e fraturou o joelho esquerdo e o braço direito. O homem de ferro, impetuoso e incansável, era mortal.
Um futuro sem Fidel foi colocado sobre a mesa. Raúl Castro, cinco anos mais jovem, é fundamental para garantir a continuidade da revolução. Mas sem o carisma de Fidel, ele permanece invisível após a transferência de poder. Mas é o cabeça dos generais e comandantes históricos, que teriam um papel decisivo em Cuba caso o líder morra.
“O comandante-em-chefe da revolução cubana é um só, e apenas o PCC (…) pode ser o digno herdeiro”, sentenciou Raúl em junho, diante de comandos militares. Para Frank Mora, especialista em assuntos militares cubanos da Escola Nacional de Guerra, em Washington, “o estilo de mobilização popular de Fidel enfatiza a sua autoridade carismática, mas o futuro governo não pode fazer o mesmo, daí a necessidade de construir, inclusive legitimar, organizações políticas como o partido”.
Sucessão, transição, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Analistas assinalam, com algumas variações, que, no futuro de Cuba, será crucial a decisão de uma reforma ou a continuidade do atual modelo econômico, em que o Estado é o único senhor.
“Seria interessante ver como Raúl reagiria se ficasse livre da influência que seu irmão exerceu por quase 50 anos. Ele Controla as Forças Armadas, os serviços de segurança e grande parte da economia”, comentou Brian Latell, ex-analista da CIA.
A Raúl, sob cujo comando as Forças Armadas tomaram o controle de setores-chave da economia, como o turismo, atribui-se um maior pragmatismo, que favoreceria o modelo político-econômico chinês. Mas ninguém fala em um programa econômico diferente da economia estatal centralizada com forte incidência política que Fidel prefere.
Quem parece ter a chave é mesmo Fidel, que sempre monopolizou a tomada de decisões e a administração das crises, inclusive a atual, a maior de suas batalhas. Mas quando sua morte acontecer, e a notícia correr o mundo, depois que Miami e Washington explodirem em alegria, com um maquinário político e militar a postos para assumir o controle, e uma oposição interna atomizada, todos voltarão os olhares para a ilha, para ver qual será a reação do povo cubano.
A maioria dos vereadores que compõe a bancada evangélica na Câmara de Bauru aprovou o pedido de perdão feito pelo Conselho de Pastores pelo envolvimento de deputados ligados a igrejas evangélicas na “máfia das sanguessugas.”
Dos sete parlamentares, cinco elogiaram a decisão. Outros dois concordaram com o manifesto, mas acharam que ele foi precipitado.
“Quem deveria pedir perdão são os deputados envolvidos”, disse Pastor Luiz (PTB). Paulo Martins (PFL), espera que as igrejas punam com rigor os parlamentares. “Não adianta só o conselho pedir perdão.”
A situação parece uma história de ficção ou de situações interioranas do início do século. Mas em Jundiaí, mais de 10 pessoas compraram terrenos de proprietários duvidosos e ficaram a ver navios: sem dinheiro e sem terrenos. O golpe foi aplicado na Nova Agapeama e envolve membros da Comunidade Apostólica Pentecostal Vinho Novo.
Descoberto a tempo, o estelionato foi denunciado ao Ministério Público (MP). O promotor público Claudemir Battalini propôs Ação Civil Pública, instaurada pela 6a. Vara Cível de Jundiaí.
O MP apurou que a família de Heraldo Tadeu de Oliveira, Silvandira do Carmo Oliveira, Sônia Maria de Oliveira, Nivaldo José de Oliveira e Sandra Aparecida de Oliveira resolveu lotear uma área de 6 mil m² na Nova Agapeama, bairro entre as divisas de Jundiaí e Várzea Paulista. Para isto, contrataram o comerciante Carlos Eduardo Lucente para intermediar os negócios.
Esta família, segundo o MP, afirma ter documentos antiqüíssimos que provariam a propriedade do local. Porém, registro no Cartório de Imóveis e documentos da Prefeitura, inclusive o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) estão em nome de Ana Maria Soler Baró.
Ironicamente, segundo o MP, Heraldo chegou a fazer doação de área para a Igreja Vinho Novo, conforme instrumento de doação.
Segundo Ana Maria, esta área está na família desde a década de 40, com documentação comprobatória. Estes terrenos eram de propriedade da família Menten, pais de Ana Maria. A reportagem teve acesso à escritura da família Menten da década de 70.
O administrador dos imóveis da família, que também não quer se identificar, afirma que os proprietários colocaram placas no local, alertando a população para o golpe. “O caso é de estelionato. Não é um loteamento clandestino, caracteriza-se por um golpe mesmo.”
Segundo ele, a família Soler Baró nunca quis lotear a área nem delegou esta intenção a terceiros.
O secretário de Negócios Fundiários da Prefeitura, Castro Siqueira afirmou que foi procurado por uma pessoa, que teria questionado a validade legal do contrato que os comerciantes do terreno lhe propuseram. “A documentação era ilegal. Não haviam registros de cartórios, nunca houve registro de loteamento na prefeitura, nem aprovação para o mesmo.”
Castro afirma que o MP foi avisado e que a prefeitura começou a vistoriar o local frequentemente, além de colocar a placa alertando sobre o crime. “Tem gente que deu até carro para comprar o terreno e ficou sem nada”, informou o secretário.
Após a atuação do MP, os comerciantes chegaram a devolver dinheiro para os compradores. Porém, ainda há vítimas sem receber. O juiz da 6ª Vara Cível, Antonio Carlos de Moura e Sedeh, chegou a publicar editais para que outras vítimas se pronunciassem no processo.
A reportagem procurou o pastor da igreja Vinho Novo, Edivaldo Muniz. Ele afirmou que os negócios foram feitos entre três membros da igreja e que não iria se pronunciar sobre o assunto. Para ele, Lucente seria dono da área.
Informalmente, o pastor afirmou que as vítimas não ressarcidas estariam “criando dificuldades” para o pagamento.
Em meio a tantos problemas políticos no estado de Rondônia, e em todo o país, o presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus (Iead) em Porto Velho, Pastor Joel Holder, diz o que pensa sobre as corrupções que estão sendo colocadas às vistas do povo.
O Pastor estranha o fato de tudo isso estar acontecendo em plena campanha eleitoral, e questiona que tudo pode ser apenas coincidência, ou existir um jogo de interesses. Segundo Holder, a solução para que pessoas tão despreparadas não entrem no poder, seria fazer com que todos os candidatos passassem por uma espécie de curso técnico para ser um bom político, para aprenderem a administrar sem perder o equilíbrio.
Ele sugere que se faça um plano de governo independente. Para a área de educação, que trabalhem pessoas capacitadas profissionalmente. Na saúde, que sejam médicos e enfermeiros a compor o quadro administrativo, pois eles saberiam exatamente o que fazer, e assim quando um projeto chegasse ao governador ele poderia aprovar com segurança de que foi bem planejado.
Na visão do líder religioso, na hora de votar, é essencial atentar para os partidos, tanto do governador quanto do prefeito, para que não haja uma briga entre município e estado, e a Capital não acabe sendo prejudicada.
Ele finaliza afirmando que, acima de tudo, o que falta nesses homens e mulheres que fazem política no nosso estado é se aproximar mais de Deus, consagrar suas vidas em oração e pedir a orientação divina para todas as suas decisões. “Só o Senhor é o caminho certo a seguir, não adianta brincar de ser crente, tem que ser temente a Deus”, orienta.
O pastor Rick Warren (foto), autor do livro “Uma vida com propósito”, que alcançou sucesso mundial, disse que as igrejas cristãs têm que responder de forma ativa à pandemia do HIV/Aids, pois são as únicas capazes de detê-la.
O fundador da Igreja Saddleback, em Lake Forest, Califórnia, e sua esposa, Kay, que dirige o trabalho da denominação voltado ao combate do HIV/Aids, participaram de reunião ecumênica que antecedeu a XVI Conferência Internacional sobre Aids, reunida desde domingo em Toronto, Canadá.
Coordenada pela Aliança Ecumênica de Ação Mundial e com o auspício do Conselho Canadense de Igrejas, a pré-conferência ecumênica congregou, dias 10 a 12 de agosto, cerca de 500 pessoas, representantes de igrejas e grupos de inspiração religiosa, que se prepararam para melhor participar no que está sendo proclamado como a maior conferência internacional sobre Aids realizada até o momento.
“Vir aqui equivale a fazer uma declaração: cremos que as igrejas devem envolver-se no que é a maior crise sanitária no mundo”, disse Warren para a imprensa, explicando sua presença num ambiente que arqueou algumas sobrancelhas em ambientes evangelicais.
Para Warren, as igrejas têm que superar mitos e medos em torno do tema, dar um salto e responder à pandemia “sem distinção de denominações: católicos, protestantes, pentecostais, todos”. Por quê? Porque ele acredita que é isso que Jesus faria, “esse era o lugar onde ele estaria hoje”, disse.
Além disso, argumentou, assim procedendo se está em sintonia com a tradição, uma vez que 90% dos hospitais e escolas no mundo foram iniciadas por igrejas e missionários.
A mensagem de Warren também tem destinatários fora das igrejas, lembrando-os que elas estão fazendo muito no âmbito do combate ao HIV/Aids. “Nós, gente de fé, somos parte da solução. Estamos aqui, importa-nos, queremos trabalhar com vocês e esperamos que queiram trabalhar conosco”, disse.
Warren admitiu que eles nunca estarão de acordo em todos os temas, mas em “assuntos como HIV/Aids, pobreza, malária, analfabetismo, não são problemas religiosos, mas humanos”.
De acordo com o pastor, as igrejas têm muito a oferecer numa resposta global à pandemia. Primeiro, elas podem contribuir para reduzir o estigma moral e social associado à condição do soropositivo. Segundo, elas dispõem da maior rede organizativa que existe no mundo. “Em milhares de vilarejos, onde não há escola nem clínica, e nunca existirão, há uma igreja”, destacou. Terceiro, as igrejas são a maior fonte de voluntários que há. “Com 2,3 milhões de membros no mundo podemos reunir mais voluntários que todas as ONGs juntas”, arrolou.
Mas a maior contribuição das igrejas, segundo Warren, é, na realidade, de outra ordem. “Há uma diferença entre frear a pandemia e detê-la. Usar camisinha, limitar o número de casais sexuais, prover os usuários de drogas com agulhas para que não tenham que compartilhá-las, todas essas coisas podem frear a pandemia, mas não detê-la. Isso só pode ser alcançado por uma série de atitudes que envolvem a fé, como ficar num só matrimônio ou ser fiel dentro dele”.
Com uma ênfase que os críticos assinalaram como demasiadamente centrada nas condutas individuais, Warren afirma que “faz falta uma motivação além de mim mesmo para que limite minha liberdade. Nem o sentido comum nem a consciência de minha possível autodestruição são eficazes, se não reconheço que sou chamado a uma vocação maior”, disse. As igrejas têm a autoridade moral para apresentar ao mundo as “referências de Deus”, agregou.
O pastor advoga uma ampla mobilização das igrejas locais em todo o mundo que, convocando milhares de voluntários, converta-as em centros de cuidado e consolo, de teste voluntário para o HIV, de distribuição de medicamentos e alimentos.
Qual é, então, a contribuição específica e distintiva que os cristãos podem oferecer para responder à pandemia, perguntaram a Warren, que respondeu: “Oferecer esperança numa situação em que muitos sentem desespero”.
Ele lembrou a mensagem central do seu livro, que vendeu mais de 25 milhões de exemplares no mundo: “Ninguém é um acidente; Deus tem um propósito para a vida de cada um de nós”.
Líderes religiosos devem ser honestos e dar nome às coisas
A Conferência Internacional sobre Aids, que começou neste domingo, 13 de agosto, em Toronto, oferece um espaço único e inédito para líderes e ativistas religiosos. Eles têm a responsabilidade de usá-lo para demonstrar que “os grupos de inspiração religiosa têm sido parte do problema, mas também são parte da solução”.
Quem o afirma é o co-presidente do comitê do Programa de Liderança da Conferência AIDS 2006 e membro do comitê executivo de Religiões pela Paz, o norueguês Gunnar Stalsett.
Ex-bispo de Oslo e ex-secretário geral da Federação Luterana Mundial, Stalsett participou do evento “Fé em ação: mantenhamos a promessa”, coordenado pela Aliança Ecumênica de Ação Mundial, que ocorreu de 11 a 13 de agosto, em Toronto, em preparação à Conferência AIDS 2006.
Stalsett pensa que o papel dos líderes e ativistas religiosos é o de desafiar e inspirar os líderes políticos. A Conferência AIDS 2006 acontece “num momento muito especial, marcado pela ansiedade e a esperança”. Seu tema – Tempo de cumprir – expressa “certa tristeza pela brecha entre o dito e o realmente feito”.
No entanto, disse Stalsett, a intervenção de líderes e ativistas religiosos não deve ser a de “envergonhar os líderes políticos pelo que não fizeram, mas trazer-lhes a pergunta: O que se precisa para alcançar aquilo que prometeram?” Ele acrescentou: “Nós não somos os únicos que representam fé e compromisso; também há pessoas de fé em outras posições e devemos ser seus interlocutores”.
Os grupos de inspiração religiosa contam com uma herança comum, que estende pontes através das divisões religiosas, afirmou Stalsett. O que agora se precisa é “cooperação, coordenação e unidade de propósito”. Porque “as pessoas que morrem de AIDS, nossas palavras não as ajudam, mas unicamente nossas ações”, disse.
Mas também se precisa outra coisa: “honestidade acerca das forças que impulsionam essa pandemia”. Os líderes religiosos experimentam certo desconforto ao falar sobre essas realidades, ao nomeá-las. Citando o secretário geral da ONU, Kofi Annan, Stalsett disse que na pandemia do HIV/Aids “trata-se de sexualidade, drogas, prostituição, homossexualidade, infidelidade, promiscuidade”.
Os que representam grupos religiosos “têm que usar essas palavras para mostrar que estão em contato com a realidade e ser escutados”, disse Stalsett. “Depois, certamente, têm direito a esperar que os políticos, técnicos e burocratas compreendam que se trata de um assunto espiritual, de ética e de valores”.
“Creio que é aqui que o encontro necessita ser fortalecido e onde nos necessitamos uns aos outros”, disse Stalsett.