Repressão religiosa na Nicarágua intensifica-se em 2025 com prisões e restrições, aponta relatório da CSW
A Nicarágua registrou um aumento significativo na repressão contra cristãos em 2025, com 55 líderes religiosos detidos e um total de 309 violações à liberdade religiosa documentadas. O relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização dedicada à defesa de cristãos perseguidos, destaca que as ações do governo ditatorial de Daniel Ortega e Rosario Murillo afetaram desproporcionalmente católicos e protestantes.
As violações registradas incluem 200 casos envolvendo a comunidade católica e 108 casos relacionados a cristãos protestantes. Medidas de controle e monitoramento foram impostas a 36 líderes religiosos, um número que mais que triplicou em comparação com 2024. Estes líderes foram obrigados a comparecer semanalmente às delegacias, divulgar suas agendas e obter autorização para deslocamentos intermunicipais.
O documento da CSW detalha que 228 incidentes envolveram assédio e ameaças direcionados a cristãos. Essas ações foram perpetradas por autoridades governamentais, proprietários de imóveis, ativistas pró-regime e grupos paramilitares.
Prisão de líderes religiosos e restrições à liberdade de culto
Em 2025, 55 líderes religiosos foram presos, enfrentando penas que variaram de horas a anos de detenção. Rudy Palacios Vargas, fundador da Associação da Igreja La Roca da Nicarágua, um pastor que tem sido alvo do regime desde 2018, foi um dos detidos em 17 de julho de 2025, junto com familiares e membros de sua igreja.
O relatório também contabilizou 33 incidentes de violações à liberdade de culto. Eventos como vigílias, retiros juvenis e cafés da manhã de oração foram cancelados de forma forçada. Um incidente notável ocorreu em setembro, quando a polícia cercou uma grande igreja protestante, interrompeu o culto dominical e informou que o templo seria transformado em delegacia.
Além disso, o governo continuou a fechar organizações religiosas, declarando 18 como ilegais, sendo 15 protestantes e três católicas. A Associação de Batistas Fundamentalistas Independentes teve seu registro cassado em fevereiro de 2025. Escolas, rádios, televisões e instituições de caridade religiosas, como a Lutheran World Relief e a Food for the Hungry, também foram afetadas.
Restrições na fronteira e contexto político
Segundo a CSW, o governo passou a proibir a entrada de turistas com Bíblias e outras literaturas religiosas. Relatos na fronteira indicam que viajantes foram questionados sobre a posse desses materiais, com apreensões ocorrendo em alguns casos.
A repressão à liberdade religiosa e às liberdades civis na Nicarágua tem se intensificado nos últimos anos. Procissões religiosas não alinhadas ao governo foram proibidas. A organização de direitos humanos Nicarágua Nunca Más reportou o fechamento de mais de 256 igrejas evangélicas nos últimos quatro anos.
Pelo menos 200 líderes religiosos deixaram o país, 20 foram privados de sua cidadania e 65 foram indiciados por conspiração. A crise política e social se agravou desde as eleições de 2021, com cristãos sendo alvos de repressão desde os protestos de 2018. Líderes cristãos têm criticado a violência estatal e as restrições à liberdade de expressão.
Um relatório da ONU condenou a perseguição religiosa, afirmando que o regime de Ortega está em guerra contra seu próprio povo, suprimindo a democracia e as liberdades individuais. Ortega rejeitou o documento, acusando organizações internacionais de difamação. A Nicarágua figura na 32ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2025.
