MENU

sábado, 14 março 2026

Nicarágua proíbe ordenação de novos padres e diáconos católicos

Mais lidas

A Nicarágua implementou uma proibição contra a ordenação de novos padres e diáconos católicos em diversas dioceses. Esta medida governamental, segundo líderes religiosos, intensifica a pressão sobre as comunidades de fé no país centro-americano, gerando preocupações sobre o futuro da estrutura ministerial da Igreja Católica.

A restrição, que impede jovens que completaram sua formação teológica de servirem formalmente às suas congregações, afeta particularmente as dioceses de Jinotega, Siuna, Matagalpa e Estelí. Essas regiões já enfrentam forte pressão governamental, agravada pela ausência de seus bispos residentes. Analistas veem essa ação como uma tentativa de desmantelar a presença institucional da Igreja na Nicarágua, com a polícia impedindo que bispos de fora realizem os ritos de ordenação necessários.

A perseguição se estende a outras denominações

A situação na Nicarágua não se restringe apenas à Igreja Católica. A comunidade evangélica do país também tem sofrido com uma pressão sem precedentes sob o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo. Nos últimos anos, o Ministério do Interior nicaraguense revogou o status legal de mais de 1.500 organizações sem fins lucrativos, incluindo inúmeras igrejas e missões evangélicas. Seus bens e propriedades foram confiscados sob alegação de irregularidades administrativas.

Líderes de diversas denominações e ministérios independentes relatam vigilância constante, ameaças e o fechamento forçado de emissoras de rádio e televisão cristãs. Pastores evangélicos foram forçados a fugir do país após serem acusados de “traição à pátria”, muitas vezes por oferecerem auxílio humanitário durante protestos civis ou por não aderirem à narrativa política oficial em seus sermões.

Especialistas alertam para o impacto e a resistência

Especialistas em direitos humanos e liberdade religiosa classificam o cenário como crítico. Martha Patricia Molina, autora do relatório “Nicarágua: Uma Igreja Perseguida”, descreveu os esforços de ordenação como um “oásis litúrgico” em meio à repressão. Críticos apontam que as políticas de endurecimento visam “erradicar a influência espiritual das igrejas cristãs em favor de uma ideologia política que promove o culto ao regime sandinista”.

O impacto pastoral é devastador. Em Matagalpa, por exemplo, estima-se que quase 70% do clero tenha sido forçado ao exílio para garantir sua segurança. Embora a capacidade operacional de várias dioceses tenha sido significativamente reduzida, a resistência espiritual dos fiéis permanece forte. Como relatado pela Folha Gospel, um padre exilado declarou que “A Igreja na Nicarágua está crucificada, mas não imobilizada”, ressaltando que novas vocações continuam a surgir apesar dos imensos riscos enfrentados pela comunidade religiosa.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias