Estudo do think tank Theos aponta que a defesa da identidade nacional britânica por viés cristão não reflete engajamento prático em comunidades religiosas
Uma pesquisa recente publicada pelo think tank cristão Theos revelou um paradoxo sobre o nacionalismo cristão no Reino Unido. De acordo com o Evangelical Focus, aqueles que defendem a identidade cristã britânica estão entre os cidadãos com menor probabilidade de frequentar cultos regularmente, revelando uma característica mais nominal do que prática na adesão à fé.
O levantamento intitulado Beyond “Christian Nationalism”: Measuring attitudes towards Christianity and Britishness today detalha que o fenômeno no país não é uma mera importação dos Estados Unidos. Trata-se de uma questão complexa que envolve tradição, herança cultural e visões políticas sobre imigração.
Diversidade de atitudes e percepções
Os pesquisadores identificaram cinco grupos distintos na população adulta britânica ao analisar a intersecção entre cristianismo e identidade nacional:
- Committed separatists (34%): majoritariamente não religiosos e com alto nível de instrução.
- Cultural separatists (16%): não religiosos, com perfil socioeconômico mais baixo.
- Values integrationists (26%): costumam se identificar como cristãos, embora não pratiquem a fé.
- Identity integrationists (11%): grupo marcado pela hostilidade à imigração e ao Islã.
- Belief integrationists (13%): apresentam os maiores níveis de prática religiosa.
Apesar da retórica em torno da identidade, apenas 1% dos entrevistados apontou ser cristão como o fator mais importante para ser verdadeiramente britânico. Os critérios mais citados foram o compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, seguido pelo local de nascimento e a fluência na língua inglesa.
Imigração e valores
O relatório aponta ainda que 37% dos entrevistados concordam com a chamada Teoria da Grande Substituição. Contudo, as opiniões são ambivalentes: quase 65% dos britânicos acreditam que os valores cristãos exigem o acolhimento e suporte a solicitantes de asilo.
Recentemente, a Evangelical Alliance (EAUK) também publicou dados sobre o tema. Embora 87% dos participantes reconheçam que o cristianismo moldou profundamente a cultura política e o processo democrático do Reino Unido, a maioria da população considera a mistura entre cristianismo e poder político como algo preocupante.
