Líderes globais reagem com cautela e discordância a relatos de morte de Ayatolá Ali Khamenei após ataques coordenados EUA-Israel
Governos ao redor do mundo expressaram uma mistura de cautela e forte desacordo após a notícia de que ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel no Irã teriam resultado na morte do Líder Supremo Ayatolá Ali Khamenei e outros altos oficiais do regime no último sábado. O presidente Donald Trump comunicou o falecimento em suas redes sociais, descrevendo o evento como “a maior chance para o povo iraniano retomar seu país”.
A confirmação inicial da morte do líder supremo, de 86 anos, veio de veículos de imprensa estatais iranianos no início deste domingo, embora a causa específica não tenha sido detalhada. Em resposta, Teerã agiu rapidamente, lançando mísseis e drones contra Israel e alvos militares americanos em diversas partes do Oriente Médio, elevando significativamente as tensões na região. A fonte, o portal World News, reportou a divergência nas reações internacionais.
Enquanto Austrália e Canadá sinalizaram apoio às ações americanas, Rússia e China condenaram abertamente a campanha militar. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, caracterizou o Irã como “a principal fonte de instabilidade e terror em todo o Oriente Médio”, reafirmando o direito de Israel à autodefesa e o apoio de Ottawa aos esforços dos EUA para impedir que Teerã obtenha armas nucleares. “Apesar dos esforços diplomáticos, o Irã não desmantelou completamente seu programa nuclear, nem suspendeu todas as atividades de enriquecimento, tampouco encerrou seu apoio a grupos terroristas proxy regionais”, declarou Carney.
Líderes do Reino Unido, França e Alemanha – primeiro-ministro Keir Starmer, presidente Emmanuel Macron e chanceler Friedrich Merz – emitiram um apelo conjunto por uma nova rodada de diplomacia entre Washington e Teerã. “Condenamos os ataques iranianos a países da região nos termos mais fortes. O Irã deve se abster de ataques militares indiscriminados”, afirmaram.
Em declaração separada, Starmer ressaltou que a Grã-Bretanha “não teve papel” nos ataques e reiterou que o Irã “nunca deve ter permissão para desenvolver uma arma nuclear”, citando mais de 20 supostos planos apoiados pelo Irã descobertos no Reino Unido no último ano. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia denunciou a operação como “um ato de agressão armada pré-planejado e não provocado contra um Estado soberano e independente membro da ONU”, acusando Estados Unidos e Israel de buscarem uma mudança de regime sob o pretexto de segurança nuclear.
O governo chinês expressou “alta preocupação” com a escalada e pediu a cessação imediata das hostilidades, solicitando o retorno às negociações e o respeito pela soberania e integridade territorial do Irã. Omã, que já mediou discussões entre Washington e Teerã, criticou os ataques como uma violação do direito internacional e dos princípios de resolução pacífica de conflitos. O Ministro das Relações Exteriores Badr al-Busaidi afirmou que os ataques minaram “negociações sérias”.
O Ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, alertou que a quebra das negociações entre EUA e Irã poderia desencadear “uma nova e extensa guerra no Oriente Médio”. A Liga Árabe, composta por 22 membros, descreveu os ataques retaliatórios do Irã como violações da soberania de nações que buscam estabilidade. Marrocos, Jordânia, Síria e Emirados Árabes Unidos condenaram os ataques iranianos a instalações americanas no Kuwait, Bahrein, Catar e nos próprios Emirados. A Arábia Saudita também criticou o que chamou de agressão iraniana, rotulando-a como uma violação de soberania.
O Rei Abdullah II da Jordânia e o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed, discutiram a crise em um telefonema e pediram a intensificação dos esforços diplomáticos para acalmar a situação, de acordo com um comunicado. Em meio à crescente crise, o Papa Leo XIV abordou o conflito em sua mensagem semanal na Praça de São Pedro. “Faço um apelo sincero às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de parar a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”, declarou o pontífice.


