Multidão incendeia casa e farmácia de cristão após acusação de blasfêmia no Paquistão

Mais lidas

Ataque ocorre após alegação de compartilhamento de vídeo nas redes sociais e gera êxodo de dezenas de famílias cristãs na região do distrito de Sheikhupura

Uma multidão enfurecida destruiu a casa e a farmácia de Kamran Gill, um cristão de 40 anos, no vilarejo de Gharial Kalan, próximo a Narang Mandi, no Paquistão. O ataque aconteceu em 9 de outubro de 2026, um dia após Gill ter sido detido pelas autoridades sob a acusação de compartilhar um vídeo supostamente blasfemo no Facebook, conforme reportado pelo International Christian Concern (ICC).

O caso teve início quando Raees Ahmed apresentou uma denúncia formal. A polícia registrou um boletim de ocorrência com base em seções do Código Penal do Paquistão, incluindo as leis de blasfêmia, além de disposições da Lei de Manutenção da Ordem Pública e da Lei de Telégrafos. O acusado foi transferido para um local seguro antes da investida dos manifestantes, que se agruparam após as orações de sexta-feira.

Impacto na comunidade cristã local

O episódio resultou na fuga de mais de 35 famílias cristãs da área, temendo represálias diretas. A intervenção policial evitou danos a outras propriedades pertencentes a minorias religiosas, com o envio de efetivo adicional ao vilarejo para garantir a segurança dos moradores remanescentes.

A organização Human Rights Focus Pakistan (HRFP) repudiou categoricamente os atos de incêndio criminoso e intimidação. A entidade defende que a simples alegação de um crime não constitui culpa e exige a devida proteção jurídica para a família atingida.

Uma mera acusação não estabelece que Gill cometeu um crime. Qualquer determinação de culpa deve seguir uma investigação justa, imparcial e processos judiciais. Nenhuma alegação autoriza uma multidão a queimar casas, ameaçar vizinhos ou fazer justiça pelas próprias mãos.

O caso reforça a urgência para que autoridades paquistanesas fortaleçam os protocolos em investigações de blasfêmia e combatam o uso dessas leis como ferramenta para perseguir minorias. A HRFP solicita, ainda, assistência humanitária para os deslocados e a responsabilização dos autores dos atos de violência.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias