O Ministério Público da Holanda decidiu arquivar o processo criminal contra o evangelista Tom de Wal, ao concluir que o culto interrompido em Tilburg não se configurava como evento público.
A decisão, divulgada em 29 de janeiro, determina que a reunião era uma manifestação de fé, protegida pela liberdade religiosa, e que a prisão do líder da Frontrunners Ministries foi indevida.
Após o arquivamento, Tom de Wal comemorou nas redes sociais e classificou a detenção como injusta, afirmando que a polícia não deveria ter interrompido o culto nem prendê‑lo, conforme informação divulgada pelo Guiame, com informações de Revive.
O que decidiu o Ministério Público
Segundo o documento oficial, analisado em conjunto com o Ministério Público, o culto “não pode ser classificado como evento” nos termos do artigo 26 do regulamento municipal (APV) de Tilburg.
Com essa avaliação, o caso criminal foi encerrado e nenhuma multa foi aplicada a Tom de Wal, o que torna difícil para a prefeitura sustentar que a reunião religiosa deveria ter sido tratada como evento público.
A prisão e o episódio em Tilburg
Tom de Wal foi detido na sexta‑feira, 9 de janeiro, depois que a polícia entrou na igreja durante uma campanha de cura e encerrou o culto, por ordem do prefeito de Tilburg, que alegava falta de autorização para um evento público.
Testemunhas relataram que, após a saída forçada, fiéis continuaram orando do lado de fora e que Tom foi escoltado, passou algumas horas na cadeia e depois foi liberado.
Jean‑Luc Trachsel, líder de ministério, disse que a situação se agravou quando Tom passou a orar pelos doentes na via pública, e que “a polícia disse que isso não era permitido”, antes da detenção.
Repercussão, protestos e narrativa na mídia
A campanha “Semana do Avivamento” havia sido inicialmente programada em um hotel em Eindhoven, mas foi cancelada após protestos de ativistas LGBT, segundo a cobertura local.
Organizadores afirmam que reportagens que acusaram Tom de Wal de promover “cura gay” distorceram os fatos; Stephan van der Wouden, diretor de operações da Frontrunners, disse que a comunicação da prefeitura foi confusa e que a reunião sempre foi religiosa, não um evento público.
Especialistas e próximos passos
A professora Sophie van Bijsterveld, da Universidade Radboud de Nijmegen, afirmou que “um evento é definido como uma atividade de entretenimento acessível ao público. É difícil sustentar que um culto se encaixe nisso. Independentemente da opinião sobre Tom de Wal, tratava‑se de uma expressão de fé, protegida pela liberdade religiosa”.
Embora o processo criminal tenha sido arquivado, ainda tramita uma ação administrativa contra a prefeitura de Tilburg, e a avaliação do Ministério Público complica a defesa municipal sobre a classificação do encontro.
Nas redes sociais, Tom de Wal escreveu, “Vitória! O Ministério Público concluiu que o culto em Tilburg não foi um evento e que fui preso injustamente. Ou seja, tratava‑se de uma reunião religiosa, um culto no qual a polícia nunca deveria ter entrado nem interrompido, muito menos me prender”.
O caso segue com desdobramentos locais e atenção de grupos religiosos e especialistas em liberdade de culto.


