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segunda-feira, 9 março 2026

Ministro do STF tem segurança reforçada após relatar casos complexos de corrupção

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Igreja Presbiteriana de Pinheiros pede orações por André Mendonça em meio a investigações sensíveis conduzidas pelo ministro do STF

A Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, divulgou um pedido de orações pela vida do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça, que atua como pastor colaborador na instituição, é o relator de duas investigações nacionais de grande repercussão: uma sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e outra sobre descontos ilegais em benefícios do INSS. A publicação com o pedido foi feita nas redes sociais da igreja.

A preocupação com a integridade física de Mendonça e de seus familiares motivou uma consulta da Polícia Judicial do STF ao gabinete do ministro sobre a possibilidade de um esquema de segurança ampliado. A proposta em estudo prevê que agentes acompanhem todos os deslocamentos da esposa e dos filhos do magistrado, buscando oferecer proteção integral à família. Auxiliares indicam que Mendonça tende a concordar com a medida, se considerada viável pela estrutura da Corte.

Nos últimos meses, o próprio ministro já adotou medidas adicionais de segurança, chegando a utilizar colete à prova de balas em situações específicas, como durante pregações na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. O reforço na proteção está diretamente ligado ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que Mendonça relata.

Na decisão que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ministro descreveu a atuação de uma “organização criminosa” que operava como uma “milícia privada”. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava monitoramento ilegal e ameaças contra autoridades e jornalistas, tendo inclusive interceptado ordens para agressões físicas contra críticos do esquema. O jornalista Lauro Jardim, da revista Veja, estaria entre os alvos mencionados nas investigações.

As apurações também identificaram a atuação de um suposto “sicário”, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que teria integrado a estrutura paralela de monitoramento e planejamento de intimidação. Mourão foi preso e tentou suicídio na carceragem da PF em Minas Gerais, permanecendo internado em estado grave.

Em fevereiro, quando assumiu a relatoria do caso Master, Mendonça compartilhou em suas redes uma mensagem religiosa sobre as “tentações do poder”. Ele orientou fiéis a não se submeterem a “propostas tentadoras do ponto de vista financeiro” e criticou o uso do poder “político e institucional” para atrair “holofotes”, defendendo que tais posições deveriam ser utilizadas para “o bem do povo” e para “agradar a Deus”.

Naquela ocasião, Mendonça também mencionou que os lucros de sua empresa, o Instituto Iter, são destinados a obras sociais e ao dízimo da igreja. Indicado ao STF em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro, Mendonça é o único integrante da Corte que professa abertamente a fé protestante.

Recentemente, o ministro determinou a abertura de inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos obtidos da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro. A decisão atendeu a pedido da defesa do banqueiro, que questionou a divulgação de conversas pessoais pela imprensa após o material ser compartilhado com a CPMI do INSS. Mendonça ressaltou que o compartilhamento com a comissão “não autoriza o seu desvelamento” e que as autoridades que recebem informações sigilosas têm “a responsabilidade pela manutenção do sigilo”, determinando a devolução de todos os dados à Polícia Federal.

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