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domingo, 15 fevereiro 2026

Mercado evangélico no Brasil fatura bilhões

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Mercado evangélico amplia presença no varejo e na internet, atraindo jovens consumidores e estimulando marcas a adaptar produtos e comunicação ao público cristão

Mercado evangélico – O universo evangélico se consolidou como força econômica visível no comércio brasileiro, com impacto direto em moda, beleza, papelaria e conteúdo digital.

O crescimento é movido principalmente pelo público jovem e pela atuação de líderes, artistas e influenciadores que orientam tendências e compras.

Os dados e declarações a seguir são apresentados conforme informação divulgada pelo relatório “Gospel Power 2025”, divulgado pela Zygon Adtech em parceria com a Eixo.

Panorama econômico e perfil do consumidor

Segundo o levantamento, o mercado cristão movimenta cerca de R$ 21 bilhões por ano no país, abrangendo segmentos que vão de vestuário a conteúdo digital.

O estudo destaca a afinidade dos jovens com esse mercado, com 28% dos consumidores evangélicos entre 15 e 19 anos, e 31% sendo crianças, o que sinaliza consumo familiar e de longo prazo.

Além disso, 58% dos evangélicos afirmam que suas crenças impactam as decisões de compra, e muitos demonstram disposição para pagar mais por produtos alinhados aos seus valores.

Varejo, produtos e novos polos comerciais

O comportamento do público já se traduz em demanda por itens específicos, como Bíblias premium e personalizadas, planners devocionais, perfumaria temática, camisetas com versículos e streetwear cristão.

Em São Paulo, comerciantes do Brás começaram a chamar a região de “25 de Março Gospel”, reunindo dezenas de lojas voltadas ao público evangélico, o que evidencia a gênese de novos polos comerciais.

Marcas e produtos assinados por artistas gospel, além de kits de bem-estar e itens decorativos religiosos, também ganham espaço nas vitrines e nas lojas online.

Influência digital e transformação das marcas

A presença de influenciadores e criadores de conteúdo fortalece a conexão com consumidores, e o relatório analisou 228 mil menções nas plataformas TikTok, Instagram e X, confirmando a relevância do público evangélico no ambiente online.

Empreendedoras relatam que as redes sociais foram decisivas para o alcance nacional. Evelyn Santos, proprietária da marca Senhorita Moda Modesta, diz, “Como evangélica, sempre procurei peças estilosas e modernas, porém tinha muitas dificuldades para encontrá-las. Pelo Instagram, mostrei para minha audiência a rotina, escolhas das peças e que moda evangélica não precisa ser só ‘renda, babado e estampas florais’. Logo, alcançamos mulheres evangélicas de todo o Brasil”.

Criadores com grande audiência também ajudam a moldar o segmento. A criadora Renata Castanheira, do canal Crente Chic, declarou, “Minha intenção é mostrar que a gente pode ser crente e ser chique, sem fugir da nossa doutrina. A maneira como nos vestimos diz muito sobre nossa personalidade”.

Consultores de moda, como Karla Furlan, afirmam que adaptar tendências ao vestuário religioso não significa abrir mão do estilo. Karla comenta, “Hoje, podemos usar peças e modelagens que estão super em alta e adaptá-las facilmente a um armário que corresponde a uma mulher cristã. A questão é saber escolher as peças certas e aproveitar o que cada uma delas pode oferecer e compor. A moda está rompendo padrões, e a tendência é o crescimento desse novo formato”.

Desafios e oportunidades para marcas

O relatório também mostra um distanciamento do público em relação à publicidade tradicional, com 52% dos evangélicos dizendo não se sentir representados por campanhas convencionais.

Além disso, 31% afirmam já ter boicotado marcas consideradas contrárias a seus princípios, o que torna a reputação e o alinhamento de valores fatores críticos para quem pretende atuar nesse mercado.

Marcas já estabelecidas e novos negócios que se destacam nesse segmento incluem Ravane Nayara, Jaq Jacob, Zinzane, Via Tolentino, Titanium Jeans e Via Evangélica, todas com forte presença digital.

Para empresas, a recomendação é entender o consumidor evangélico como um público heterogêneo, jovem e conectado, que valoriza produtos alinhados a valores religiosos, representação em comunicação e autenticidade nas redes sociais.

O mercado evangélico, portanto, surge como oportunidade para varejistas e criadores de conteúdo capazes de combinar tendências, respeito às referências religiosas e estratégias digitais eficazes.

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