Menina cristã devolvida a suposto sequestrador após decisão judicial no Paquistão

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Decisão judicial no Paquistão causa comoção ao devolver menina cristã a suposto sequestrador após conversão forçada

O futuro de uma jovem cristã paquistanesa tomou um rumo desolador após uma decisão judicial permitir que ela permanecesse com um homem que sua família alega tê-la sequestrado e convertido à força ao islamismo. A situação gerou profunda apreensão entre a comunidade cristã do país.

Maria Shahbaz, de 13 anos, foi retirada de sua residência em julho. Segundo relatos de seus pais, ela teria sido sequestrada, forçada a se converter ao islamismo e casada contra sua vontade. Por meses, a família lutou para trazê-la de volta, mas a resolução do tribunal em 25 de março frustrou suas esperanças.

O Tribunal Constitucional Federal do Paquistão declarou que Maria atingiu uma “idade madura” e, portanto, tem permissão legal para permanecer com o indivíduo que a família acusa de sequestro. A corte validou a conversão religiosa da menina e determinou que o casamento é regido pela lei islâmica. O direito muçulmano permite o casamento de homens com mulheres pertencentes a “Ahl al-Kitab” (Povo do Livro), como cristãs, utilizando isso como base para sustentar a união.

Para Shahbaz Masih, pai de Maria, a decisão representou a perda da filha novamente. Ele apresentou documentos ao tribunal que indicavam a idade da menina entre 12 e 13 anos na época do ocorrido. Contudo, os juízes consideraram os registros não confiáveis, afirmando que a aparência de Maria sugeria uma idade superior.

O tribunal sustentou que, no islamismo, a conversão requer apenas uma declaração de fé, sem a necessidade de cerimônias formais, aceitando a conversão de Maria como genuína. No entanto, questionamentos surgem sobre a capacidade de uma criança, retirada de seu lar e afastada de sua família, de realizar tal escolha livremente.

Líderes cristãos e organizações de direitos humanos apontam que este caso reflete um padrão mais amplo no Paquistão, onde meninas de minorias religiosas são supostamente sequestradas, pressionadas a se converter e casadas com homens muçulmanos. “Essas meninas frequentemente se encontram isoladas e com medo”, relatou um defensor de direitos humanos. “Quando elas falam em tribunal, não podemos presumir que o façam sem temor.”

Ativistas argumentam que, apesar do casamento infantil ser crime sob a legislação paquistanesa, os tribunais continuam a validar essas uniões, criando uma brecha que permite aos agressores evitar a responsabilização. A sentença gerou forte condenação.

Grupos de defesa alertam que a decisão pode incentivar mais casos semelhantes ao de Maria, permitindo que meninas vulneráveis fiquem legalmente ligadas a seus supostos captores. Apelos por reformas urgentes foram feitos, incluindo leis que anulem casamentos infantis, proteções mais robustas para minorias e investigações imparciais sobre alegações de conversão forçada.

No momento, Maria permanece com o homem acusado de levá-la. Sua história tornou-se um símbolo para muitos cristãos paquistaneses de medo, impotência e desconfiança em um sistema de justiça que, segundo eles, falha em protegê-los. Em meio à dor e incerteza, muitos continuam a orar pela segurança de Maria, pela verdade e pela justiça.

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