Malásia: Proibição de templos em prédios comerciais acirra perseguição religiosa

Mais lidas

Malásia restringe locais de culto não-islâmicos em zonas comerciais sob justificativa de urbanismo

Uma nova diretriz em Selangor, Malásia, proíbe a instalação de locais de culto não-islâmicos em zonas comerciais e a conversão de edifícios existentes para este fim. A medida, aprovada pelo Conselho Executivo Estadual (Exco) em novembro de 2025, visa igrejas e outros espaços religiosos que operam em lojas (shoplots) por falta de terrenos adequados, uma prática comum há décadas. A justificativa oficial apresentada pelo escritório do Menteri Besar menciona fluxo de tráfego e estacionamento, mas observadores locais consideram a explicação insatisfatória, visto que esses locais operam majoritariamente aos domingos, quando as áreas comerciais estão vazias.

A decisão em Petaling Jaya, levantada pelo membro do parlamento Lee Chean Chung, surge num contexto de “aperto administrativo sistemático”, segundo a fonte. A falta de alocação de terrenos específicos para locais de culto não-islâmicos obriga muitas comunidades a utilizar espaços comerciais, uma solução de conveniência para coexistência pacífica em centros urbanos. O bloqueio dessas instalações cria, na prática, um gargalo que restringe o crescimento e a expressão da fé cristã e de outras religiões minoritárias.

Agenda Shariah Index como motor das restrições

A raiz dessas restrições planejadas por departamentos como o PLANMalaysia Selangor remonta à introdução do Índice Shariah da Malásia (Indeks Syariah Malaysia) em 2015. Este índice funciona como uma ferramenta de medição abrangente para avaliar a aderência das políticas governamentais a princípios islâmicos em diversas áreas, como lei, economia, saúde e cultura. A iniciativa estabeleceu um padrão para a conformidade de governos estaduais e federais com a governança islâmica.

Com cerca de 90% da força de trabalho do serviço civil sendo muçulmana e treinada para implementar as diretrizes do índice, os efeitos se manifestam no planejamento municipal. O que aparenta ser um alinhamento técnico ou uma diretriz de planejamento urbano padrão é, na verdade, um mecanismo político deliberado. Departamentos locais e estaduais traduzem esses benchmarks em regulamentos restritivos, como a proibição de cultos em estabelecimentos comerciais.

Ato deliberado de perseguição religiosa

Longe de ser uma questão de gestão de tráfego, a mudança de política é vista como um ato deliberado de perseguição religiosa contra a comunidade cristã e outros não-muçulmanos. A proibição de conversão de espaços comerciais em centros espirituais não-islâmicos é entendida como uma resposta à crescente ansiedade em relação a jovens muçulmanos que exploram o cristianismo.

Esta política é uma medida direcionada para restringir as atividades de uma comunidade religiosa específica em resposta a mudanças no cenário religioso. Embora o protesto público tenha forçado uma paralisação temporária na aplicação em Selangor, a engrenagem subjacente permanece intacta. As diretrizes de novembro de 2025 não foram uma falha administrativa; representam o resultado preciso e calculado de uma agenda de longo prazo para reestruturar a paisagem pública e religiosa da Malásia.

A proibição é descrita não como uma questão de planejamento urbano, mas como um exercício de controle e um exemplo de como ferramentas burocráticas são empregadas para perpetuar a perseguição religiosa. A máquina burocrática está ativamente participando dessa perseguição ao restringir as atividades de uma comunidade religiosa específica, num reflexo direto das mudanças no panorama religioso do país.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias