Crise humanitária no Iêmen, cristãos presos no Iêmen são retirados das ruas, levados a locais secretos e interrogados, segundo relatos de persecutores e grupos de apoio
Mais de 90 seguidores de Jesus foram alvo de prisões e sequestros no Iêmen em janeiro de 2026, em um episódio que aumentou o clima de medo entre comunidades cristãs locais.
Vítimas foram, segundo relatos, levadas para locais secretos, onde sofreram interrogatórios e tortura até que dessem informações sobre outros cristãos.
O caso provocou fuga de famílias e um pedido global de apoio e oração pelas pessoas afetadas, conforme informação divulgada pela Portas Abertas.
Prisões e sequestros em janeiro
De acordo com a organização citada, os rebeldes houthis prenderam mais de 50 cristãos e sequestraram outros 43 apenas em janeiro de 2026, totalizando mais de 90 pessoas detidas ou raptadas.
Relatos indicam que os detidos conseguiram, em alguns casos, ligar para familiares a partir da prisão, pedindo comida e roupas, o que confirmou a separação forçada entre parentes e a gravidade das condições.
O episódio representa um aumento acentuado na intensidade das ações contra cristãos no país, que já figura na Lista Mundial da Perseguição.
Motivações apontadas e contexto religioso
Daniel Hodge, especialista em Iêmen da Portas Abertas, afirmou que a situação gerou “muito medo”, levando pessoas a fugir da região por receio de “que os houthis também estejam atrás delas”.
Hodge observou que alguns não entendem a motivação por trás dos ataques, e que há especulações sobre uma tentativa dos houthis, apoiados pelo Irã, de reforçar sua reputação após distúrbios recentes no país.
Sobre a possível base religiosa dos atos, Hodge citou o texto sagrado islâmico, dizendo, “No Alcorão está escrito que qualquer pessoa que vire as costas para seu Deus é considerada apóstata e pode ser punida com a morte. Então, pode ser uma convicção religiosa”.
Ele também alertou que os houthis podem querer “limpar a terra de qualquer um” que não compartilhe sua ideologia, ampliando o risco para minorias religiosas.
Impacto na comunidade cristã e apoio
O Iêmen ocupa a terceira posição na Lista Mundial da Perseguição, e o relatório de 2026 descreve o país como um grande desafio para os cristãos.
Hodge afirmou que não viu nada parecido com isso “nos últimos 30 anos da história da igreja no Iêmen”, destacando a singularidade e gravidade da atual escalada.
A organização Portas Abertas tem prestado assistência, oferecendo apoio médico, alimentos, roupas e capacitação a líderes locais, com o objetivo de aliviar necessidades imediatas e fortalecer a comunidade.
Pedidos de oração e apelo internacional
Além da ajuda material, a entidade pediu oração global pela situação, repetindo as palavras de Hodge: “A oração é tudo o que podemos fazer neste momento”.
Ele pediu orações “pelas famílias, oração por aqueles que estão na prisão. Ore para que eles sejam curados das feridas físicas, oração por aqueles que estão muito temerosos nestes dias e também para que Deus levante novos líderes”.
Acima de tudo, Hodge solicitou que se ore para que “no meio desta situação, as bênçãos e a glória de Cristo sejam reveladas aos iemenitas”.
Enquanto a comunidade internacional observa, a situação dos cristãos presos no Iêmen segue sendo uma emergência humanitária e religiosa, com pedidos por maior visibilidade, proteção e assistência às vítimas e suas famílias.
