Machismo disfarçado de espiritualidade é violência com maquiagem sagrada

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A análise de Clarice Ebert aponta que ideias de superioridade masculina, disfarçadas de espiritualidade, legitimam um sistema de controle e medo contra mulheres.

Ideias que estabelecem posições desiguais entre homens e mulheres, sugerindo que um deve mandar e o outro obedecer, ainda persistem. Esses discursos frequentemente promovem o mito da superioridade masculina, alimentando um sistema baseado em controle, medo e silêncio, segundo a psicóloga Clarice Ebert.

Essa mentalidade, muitas vezes apresentada como espiritualidade, transforma opressão em “ordem” e submissão em “virtude”. A dinâmica de parceria dá lugar ao domínio e o cuidado se converte em controle, caracterizando o que Ebert chama de “violência com maquiagem sagrada”.

Nessa visão distorcida, o homem é visto como superior e a mulher como um recurso, um objeto a serviço de suas vontades. A interpretação machista de textos religiosos pode levar homens a crerem ter o direito de gritar, humilhar, vigiar, punir, agredir e até matar, em uma lógica de provedor e dono da mulher. “É abuso. E abuso não vira sagrado só porque alguém cita um texto bíblico”, ressalta a autora.

Ebert critica a interpretação de que amar “como Cristo amou” significa assumir controle sobre a vida das mulheres. Para ela, o chamado bíblico é para um amor de entrega que não oprime, não invade e não violenta. A submissão feminina, segundo a análise, não se refere a mandos e comandos, mas sim ao acolhimento e à correspondência a esse amor sacrificial.

A especialista lamenta que, enquanto essa verdade não for plenamente compreendida, muitas mulheres continuarão sendo orientadas a sofrer em silêncio, acreditando que suportar abusos é demonstração de fé. “Silêncio não redime violência. Opressão não gera cura. E, acima de tudo, não reflete nenhum princípio de vida, dignidade ou paz”, afirma.

Para Clarice Ebert, homens e mulheres existem para caminhar lado a lado, e qualquer relação que não reflita essa parceria precisa ser revista com coragem e honestidade. Ela defende a necessidade urgente de romper com interpretações que aprisionam e de dar voz a uma espiritualidade que sustente a vida, a dignidade, o amor e o respeito. “Nenhuma mulher nasceu para ser dominada. Todas nasceram para viver em plenitude, liberdade e honra”, conclui.

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