Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por mais de 30 anos, teria morrido em ataques na madrugada de sábado
O aiatolá Ali Khamenei, que liderou o Irã por mais de três décadas, morreu em decorrência de ataques coordenados por Israel e Estados Unidos na madrugada de sábado (28). A informação foi confirmada por uma autoridade israelense de alto escalão à Fox News Digital. Segundo o relato, o complexo onde Khamenei se encontrava em Teerã foi completamente destruído pelos bombardeios.
Behnam Ben Taleblu, diretor sênior do programa para Irã da FDD, descreveu Khamenei como “o autocrata mais longevo do Oriente Médio contemporâneo”, destacando que ele “perseguiu implacavelmente a preservação e proteção de sua ideologia”. A visão de mundo de Khamenei, moldada por um “militante antiamericanismo e antissemitismo”, remonta a seus protestos contra o xá do Irã.
Nascido em 19 de abril de 1939, Khamenei foi um dos ativistas islâmicos na revolução de 1979 que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi. Aliado próximo de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, ascendeu rapidamente, servindo como presidente de 1981 a 1989, antes de assumir a liderança suprema após a morte de Khomeini.
Ao longo de seu mandato, Khamenei consolidou o controle sobre o sistema político e de segurança iraniano. Lisa Daftari, especialista em Irã e editora-chefe do The Foreign Desk, afirmou que seu governo foi marcado por “brutalidade e repressão implacáveis, tanto dentro do Irã quanto além de suas fronteiras”, citando execuções e rígidos controles sociais.
O estilo conservador de Khamenei enfrentou desafios significativos. Em 2009, após eleições contestadas, protestos massivos eclodiram. Manifestações ainda mais expressivas ocorreram em 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moral, que foram brutalmente reprimidas.
A fonte aponta que investigações indicam um alto número de mortes em protestos recentes. A Anistia Internacional relatou mais de mil execuções em 2025, o maior número anual em 15 anos, e um relatório da ONU mencionou pelo menos 975 execuções em 2024.
Internacionalmente, Khamenei investiu em milícias aliadas, como o Hamas, Hezbollah e houthis. No entanto, esses grupos e o regime de Bashar al-Assad na Síria enfrentaram pressão militar israelense após o ataque de 7 de outubro de 2023. Em junho de 2025, Israel eliminou figuras importantes de segurança ligadas a Khamenei.
Analistas sugerem que o legado de Khamenei pode ser a estrutura institucional que ele criou. Kasra Aarabi, coautor de um relatório sobre o Escritório do Líder Supremo (Bayt), descreveu a instituição como “o centro nervoso oculto do regime no Irã… opera como um Estado dentro do Estado”. Aarabi enfatiza que a remoção de Khamenei isoladamente não desmantelaria o sistema, defendendo a desestruturação do aparato que o cerca.
“A República Islâmica é mais produto de Khamenei do que de Khomeini”, concluiu Ben Taleblu, da FDD, contrastando-o com o fundador do regime.


