Grupos religiosos de Nova York lutam contra nova lei de suicídio assistido que impõe dilema ético e risco de punição a freiras
Dez organizações religiosas que oferecem cuidados paliativos em Nova York entraram com uma ação judicial contra o estado. Elas alegam que a recém-aprovada lei de suicídio assistido viola suas liberdades religiosas e de expressão, entrando em conflito com os princípios fundamentais de suas missões. A legislação, com data para entrar em vigor em 5 de agosto, está sendo contestada antes de sua aplicação.
A Becket, organização que defende casos de liberdade religiosa e representa os autores da ação, incluindo quatro ordens de freiras católicas e vários ministérios de saúde católicos, explicou a situação. Benjamin Fleshman, advogado da Becket, afirmou à CBN News que a lei obriga as instituições a auxiliarem pacientes em estado terminal a cometer suicídio, o que contradiz diretamente suas crenças.
“Elas querem poder continuar fazendo o que fazem há mais de cem anos, oferecendo cuidados compassivos, amorosos e focados em Cristo a esses pacientes sem ter que sacrificar suas crenças religiosas para isso”, declarou Fleshman.
A lei de Nova York, que torna o estado o 14º a permitir o suicídio assistido, permite que alguns profissionais de saúde se recusem a administrar os medicamentos letais por motivos religiosos. No entanto, Fleshman ressaltou que o estado ainda exige que esses profissionais aconselhem pacientes terminais sobre todas as opções disponíveis, o que inclui o suicídio assistido. Em muitos casos, os trabalhadores são compelidos a ajudar os pacientes a encontrar quem administrará o procedimento.
A Madre Mary Rose Heery, Superiora Geral das Carmelite Sisters for the Aged and Infirm, expressou sua preocupação através da Becket. “Em nossos lares, levamos o amor ilimitado de Cristo a nova-iorquinos idosos de todas as origens e estilos de vida. Nós nos esforçamos para trazer Sua compaixão aos que nos são confiados em nossos cuidados, garantindo que nenhum residente precise morrer sozinho. Esta lei atinge o cerne dessa vocação.”
A Madre Marie Edward, Superiora Geral das Dominican Sisters of Hawthorne, também se manifestou. “Por mais de 125 anos, servimos os pobres que morrem de câncer como se fossem o próprio Cristo”, disse ela. “Nossa vocação é oferecer conforto, oração e cuidados médicos amorosos aos que estão em seus últimos dias – não a morte. Esperamos que o tribunal proteja nossa liberdade de permanecer fiéis a esse ministério que Deus nos confiou.”
O Bispo John O. Barres, da Diocese de Rockville Centre, em Nova York, declarou enfaticamente: “Jamais nos submeteremos à cultura da morte de Nova York. O suicídio assistido é uma grave falha moral que expõe idosos, deficientes e pessoas que sofrem de doenças mentais e emocionais a riscos de abuso e manipulação. Cristo, o Divino Médico, nos chama a acompanhar os doentes e moribundos com compaixão, não a abandoná-los à morte. O tribunal deve proteger essa missão milenar.”
O descumprimento da lei pode ter sérias consequências para as instituições, incluindo multas e possíveis sanções criminais. Fleshman alertou sobre a possibilidade de prisão para os profissionais que se recusarem a prescrever ou referenciar o suicídio assistido.
Em 17 de julho de 2026, a Becket apresentou uma ação judicial federal no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte de Nova York, contestando a obrigatoriedade da lei. A organização busca uma liminar e proteção permanente para que os autores possam continuar a cuidar de pacientes em estado terminal sem serem forçados a participar ou discutir o suicídio.
A governadora Kathy Hochul defendeu a lei, afirmando que ela protege “o direito à autonomia corporal”, oferecendo aos pacientes diagnosticados com menos de seis meses de vida a opção de utilizar medicamentos para encerrar a vida.
