Introdução precoce de alimentos reduz alergias infantis, revela pesquisa

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Estudos recentes mostram que introduzir alimentos comuns na dieta infantil precocemente pode reduzir significativamente o desenvolvimento de alergias alimentares. A pesquisa, publicada na JAMA Pediatrics, indica que a prevalência de alergia a ovo em crianças diminuiu mais de 17%.

Antigas orientações médicas desaconselhavam a oferta de ovos para bebês. Contudo, as recomendações atuais são o oposto, sugerindo a introdução do alimento por volta dos seis meses de idade. Essa mudança de paradigma coincide com a queda nas taxas de alergia a ovo em crianças.

Da mesma forma, os casos de alergia a amendoim entre crianças americanas caíram quase pela metade após pais reverterem a prática de adiar a introdução do alimento. Por anos, o amendoim foi a principal alergia alimentar infantil, podendo causar reações como urticária, dificuldade respiratória e, em casos raros, óbito.

Pediatras alertavam contra o consumo de amendoim por crianças antes dos três anos. Essa orientação mudou em 2015, promovendo resultados notáveis. Um estudo publicado na revista Pediatrics, conduzido pelo Children’s Hospital of Philadelphia, analisou a redução expressiva nas alergias a amendoim.

A pesquisa acompanhou crianças cujos pais seguiram as novas diretrizes, introduzindo o amendoim a partir dos quatro meses de idade. O autor do estudo, Dr. David Hill, classificou o feito como um dos maiores sucessos da saúde pública em alergias na era moderna.

“O que nossos dados mostram é que, por causa, ou pelo menos associado, a essas diretrizes de introdução precoce, existem cerca de 60.000 crianças a menos com alergia alimentar hoje do que haveria. E isso é algo notável, certo? É o tamanho de algumas cidades.”

A alteração nas diretrizes foi impulsionada por um estudo fundamental de 2015, publicado no New England Journal of Medicine. Ele envolveu 600 crianças e demonstrou que bebês que consumiram amendoim a partir dos quatro meses desenvolveram menos alergias em comparação com aqueles que iniciaram aos três anos.

Essa observação foi inspirada pela constatação de que, entre crianças judias no Reino Unido, onde a introdução do amendoim era tardia, a alergia era dez vezes mais comum do que entre crianças judias em Israel. Nessas últimas, um snack popular à base de amendoim, chamado Bamba, é consumido desde a infância.

Médicos recomendam a introdução do amendoim a bebês misturando duas colheres de chá de manteiga de amendoim cremosa com leite materno ou fórmula. Acredita-se que a introdução precoce ajuda o corpo a reconhecer essas substâncias como inofensivas, evitando respostas imunes exageradas.

As novas orientações também sugerem a introdução de outros alimentos potencialmente alergênicos, como laticínios, trigo, soja, ovos, mariscos e nozes, durante a infância. Nas últimas décadas, as taxas de alergia a esses alimentos diminuíram cerca de um terço.

Dr. Hill destacou a redução nas taxas de diagnóstico de alergia alimentar. “É incrível para mim poder dizer hoje, pela primeira vez na história moderna, que não só reduzimos a taxa de diagnósticos de alergia alimentar, mas na verdade estamos mais baixos do que há cinco anos”, afirmou.

A teoria de que a introdução de alimentos na infância previne alergias se estende a outros tipos. Estudos indicam que a exposição a alérgenos de animais de estimação e pragas na infância está associada a menor risco de asma e alergia a caspa de animais.

Crianças que crescem com cães e gatos tendem a ter menos alergias ambientais. Isso ocorre devido à exposição precoce, que desenvolve imunidade não apenas a bactérias nos animais, mas também aos micróbios que eles carregam.

Pesquisas também mostram que crianças criadas em fazendas, expostas a uma variedade de animais desde cedo, apresentam incidência de asma, problemas respiratórios crônicos e alergias significativamente menor do que aquelas que não têm essa exposição.

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