Igreja Episcopal celebra 50 anos da resolução de inclusão LGBT+
A Igreja Episcopal prepara uma conferência comemorativa para o outono de 2026, marcando meio século desde a aprovação de uma resolução fundamental que afirmava a presença de indivíduos homossexuais na denominação. O evento, intitulado “Totalmente & Igual: 50 Anos na Busca de uma Promessa”, ocorrerá de 3 a 5 de setembro em Minneapolis, Minnesota.
Esta reunião especial celebrará a passagem da Resolução A069 em setembro de 1976, um marco que buscava “reconhecer as reivindicações iguais dos homossexuais”. A resolução declarou que “é o senso desta Convenção Geral que as pessoas homossexuais são filhos de Deus que têm uma reivindicação igual com todas as outras pessoas ao amor, aceitação, e preocupação e cuidado pastoral da Igreja”.
O caminho para a igualdade: uma reflexão histórica
A organização para este evento de aniversário foi liderada pela Força-Tarefa para a Inclusão LGBTQ+ da igreja, sob a presidência da Reverenda Susan Russell, uma sacerdotisa abertamente lésbica atuante na Diocese de Los Angeles. Registros históricos da convenção de 1976 revelam um debate considerável entre os delegados, com propostas de emendas focadas em referências a “perdão” e na universalidade da declaração de que todos são filhos de Deus, em vez de especificar grupos.
Apesar das discussões, a resolução foi aprovada em sua forma original, sendo posteriormente ratificada pela Casa dos Bispos em 22 de setembro de 1976. A decisão, pioneira para a época, enfrentou resistência e gerou controvérsias no mundo anglicano, levando à separação de algumas congregações teologicamente conservadoras.
Personalidades e o futuro da inclusão
A conferência contará com a participação de figuras proeminentes da Igreja Episcopal, incluindo clérigos abertamente gays como os Reverendos Michael Hopkins e Miquel Escobar, e o Reverendo Cameron Partridge, que se identifica como transgênero e já pregou na Catedral Nacional de Washington. O Bispo Presidente Sean Rowe participará de um painel e presidirá o serviço de Eucaristia de encerramento.
“Ao celebrarmos esse marco, também reconhecemos que a jornada para alcançar a plena inclusão de todos os filhos de Deus ainda não terminou”, afirmou o Bispo Presidente Sean Rowe. “À medida que o Mês do Orgulho começa, estou rezando especialmente por nossos irmãos e irmãs LGBTQ+, que são frequentemente postos em perigo e alvos por sua identidade e expressão de gênero. Suas lutas nos revelam o reino de Deus, e estamos comprometidos em ficar em solidariedade com todos aqueles que sofrem o mal do ódio e da discriminação.”
Entre os convidados especiais estará o Rt. Rev. Gene Robinson, que em 2003 tornou-se o primeiro bispo abertamente gay da denominação. Sua consagração pela Diocese de New Hampshire marcou um ponto de virada e continua a ser um símbolo importante na história da inclusão.
Desafios e resiliência em tempos de mudança
A celebração ocorre em um período em que a Igreja Episcopal enfrenta um declínio contínuo em seu número de membros. Dados indicam uma queda de aproximadamente 2,1 milhões de membros em 2006 para cerca de 1,54 milhão em 2023. Apesar desses desafios demográficos, a igreja reafirma seu compromisso com os princípios de inclusão e igualdade estabelecidos há meio século.
