Como vencer as divisões e restaurar a unidade na igreja frente aos desafios atuais, segundo análise de Felipe Morais
Um dos pilares da fé cristã é a igreja como um refúgio contra as adversidades do mundo. Contudo, a realidade demonstra que conflitos e dissensões são frequentes dentro das congregações, transformando ambientes de adoração em cenários de sofrimento e prejudicando o testemunho cristão.
As divisões, longe de surgirem abruptamente, desenvolvem-se a partir de divergências menores, alimentadas pelo ego humano. Se não abordadas com maturidade e base bíblica, podem ocasionar danos irreparáveis à comunidade.
A raiz dos conflitos no corpo de Cristo
A ideia de que igrejas, por serem compostas por pessoas salvas, estariam imunes a brigas é um equívoco. A congregação é formada por indivíduos com variados níveis de maturidade espiritual, vivências e personalidades. Quando a natureza humana prevalece sobre a orientação do Espírito Santo, o atrito torna-se inevitável.
A Palavra de Deus estabelece um padrão claro para o ambiente cristão, como exemplificado em 1 Coríntios 14:33 ACF, que afirma “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.” Brigas, fofocas e disputas por posições de destaque são sintomas de carnalidade, surgindo onde a empatia e o amor fraternal cedem espaço para o individualismo.
O perigo silencioso das obras da carne
O apóstolo Paulo, em Gálatas 5:19-21, lista as obras da carne, e muitas delas estão intrinsecamente ligadas a relacionamentos interpessoais, como inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões e heresias. O grave perigo reside na tolerância e disfarce desses comportamentos dentro das igrejas, onde fofocas são tratadas como “motivos de oração” e rebeldia como “opinião forte”.
O sábio Salomão alertou sobre o poder destrutivo de iniciar contendas, conforme Provérbios 17:14 ACF: “Como o soltar das águas é o início da contenda, assim, antes que sejas envolvido afasta-te da questão.” O individualismo e o espírito de competição agem como venenos, adoecendo a igreja se não contidos, ecoando o alerta de Jesus em Mateus 12:25 ACF: “Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.”
O exemplo de Corinto um alerta para a igreja atual
Historicamente, a igreja de Corinto serve como um espelho das congregações modernas. Apesar de possuir dons espirituais abundantes e intensa atividade, faltava-lhes a maturidade e o caráter de Cristo. Grupos rivais e a tolerância ao pecado fragmentaram a igreja, gerando aparências de fervor sem espiritualidade genuína.
Contudo, até em meio à confusão, Deus revela um propósito, como indicado em 1 Coríntios 11:19 ACF: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” Momentos de crise expõem quem está verdadeiramente fundamentado na Rocha, destacando os pacificadores íntegros em meio à discórdia.
A influência espiritual nas divisões
A luta espiritual é real. O adversário das almas busca infiltrar-se para destruir a igreja de dentro para fora, plantando sementes de discórdia para desviar o foco da missão principal. Enquanto membros se consomem em disputas, a tarefa de salvar os perdidos e curar os feridos é paralisada.
Essa influência maligna pode ser sutil, manifestando-se através de palavras persuasivas, como no episódio em Atos 16:16-18, onde uma jovem com espírito de adivinhação seguiu Paulo. A liderança e a membresia necessitam do dom de discernimento para identificar e erradicar o mal antes que crie raízes.
O caminho para a cura maturidade e unidade
A chave para evitar divisões e blindar a igreja é a maturidade. Ser maduro significa abandonar o egoísmo do “velho homem” e revestir-se do caráter de Cristo, suportando diferenças, perdoando ofensas e priorizando o bem do Corpo de Cristo sobre direitos pessoais.
“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15 ACF). A unidade gera um poder incalculável, capaz de mover o impossível quando a igreja se alinha em propósito e comunhão, como ensinam Gênesis 11:6 e Atos 4:32-33.
O verdadeiro avivamento ocorre em corações unidos e quebrantados, não em ambientes de conflito, como descrito em Atos 2:46. A escolha diária deve ser ser instrumentos de paz, agentes de cura que fortalecem a igreja, mantendo-a viva e irrepreensível até a volta de Cristo.
“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.” (Salmos 133:1 ACF).
