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sexta-feira, 30 janeiro 2026

Igreja Batista no Cazaquistão sofre duas invasões em um mês, polícia exige registro e acusações por aulas bíblicas a crianças geram críticas

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Nos últimos meses, comunidades batistas no Cazaquistão relatam aumento da ação policial durante cultos e atividades religiosas, incluindo filmagens, prisões e exigência de registro estatal.

Líderes locais dizem que a pressão afeta principalmente igrejas ligadas ao Conselho de Igrejas, que exercem sua fé sem solicitar autorização do Estado, conforme normas internacionais de direitos humanos.

As informações foram divulgadas pelo Guiame, com dados do Evangelical Focus e reportagens do Forum 18, que relataram duas incursões policiais em menos de um mês.

Invasões em cultos e apreensões

Em outubro, dois policiais interromperam um culto dominical da comunidade batista do Conselho de Igrejas na vila de Balpyk-Bi, distrito de Koksu, exigindo que os líderes registrassem oficialmente a igreja.

Semanas depois, oito agentes, alguns uniformizados e outros à paisana, voltaram à igreja, e, segundo membros, “Um deles começou a filmar os presentes imediatamente”.

Após o término da reunião, os oficiais pediram que todos escrevessem declarações, colocaram um guarda nas portas e não permitiram que ninguém saísse, e quando houve recusa, cerca de dez pessoas foram levadas a um veículo e à delegacia local.

Acusações formais e tribunal

Na delegacia, foram apresentadas acusações contra pelo menos nove integrantes, sob a alegação de que haviam “descumprido as exigências da Lei da Religião referentes à realização de ritos, cerimônias ou reuniões religiosas”.

Os casos chegaram ao Tribunal Administrativo Interdistrital Especializado de Taldykorgan, que analisou os nove processos.

Segundo os batistas ao Forum 18, “o policial local e os responsáveis por assuntos religiosos não conseguiram demonstrar que o acusado havia cometido qualquer infração”.

Ao final, o juiz rejeitou todos os processos, alegando “ausência do elemento de infração”.

Acusações sobre aulas bíblicas e interrogatório de crianças

No distrito de Shu, no sul do país, autoridades informaram à igreja que uma mulher havia denunciado atividades onde, segundo a queixa, a comunidade “estaria conduzindo aulas para crianças, nas quais os membros ensinavam versículos bíblicos decorados e princípios de moralidade baseados na Bíblia”.

Membros disseram que “a essência do problema permanecia obscura, já que o estudo bíblico acontecia em uma igreja onde reuniões de crentes são realizadas há 40 anos”.

Policiais foram à escola frequentada pelos filhos de um pastor e, conforme relato, interrogaram a criança sem a presença dos pais, fazendo “todas as perguntas que queriam sobre as reuniões da igreja”.

Para os membros, “Interrogar uma criança na ausência dos pais, especialmente dentro de uma escola, sobre questões que não têm relação com a educação, é uma séria violação dos direitos da criança. A polícia violou esse direito de forma grosseira”.

Além disso, a igreja afirma que a polícia mantém fotos de todas as crianças que participam das atividades infantis da comunidade.

Reações locais e implicações para liberdade religiosa

A situação tem gerado preocupação entre os fiéis, que percebem uma campanha de intimidação, e entre defensores de direitos humanos que veem risco à liberdade religiosa e ao respeito a direitos infantis.

Um elemento revelador do caso é que a mulher que apresentou a denúncia à polícia, que trabalha como professora na escola, admitiu ao pai da criança que escreveu o relato “sob pressão e por orientação dos policiais”.

Especialistas e líderes comunitários dizem que a exigência de registro estatal para práticas religiosas, combinada com ações policiais em cultos e escolas, cria um ambiente de insegurança para grupos religiosos, especialmente os ligados ao Conselho de Igrejas.

Organizações internacionais e locais acompanham o caso, enquanto comunidades buscam garantias legais para continuar suas atividades sem interferência, reafirmando o direito à prática religiosa sem necessidade de autorização estatal, conforme normas internacionais de direitos humanos.

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