Cristãos em Cuba sofrem com racionamento de energia e escassez de alimentos que afeta 60% do país e paralisa rotinas diárias
Cristãos em Cuba relatam uma situação crítica com acesso a apenas duas horas de energia elétrica por dia, reflexo de uma crise econômica que também causa escassez severa de alimentos e medicamentos. A Missão Portas Abertas Brasil informa que as manifestações contra os apagões, que afetam cerca de 10 milhões de cubanos, já completam mais de três semanas no país. Em Havana, um “panelaço” foi realizado na segunda-feira (16) como protesto contra as constantes interrupções no fornecimento de eletricidade.
O pastor Gregorio, que atua em Cuba, descreveu à Portas Abertas a dura realidade enfrentada pela população. “O barulho das panelas não para”, relatou ele sobre os protestos. A falta de energia, somada à carência de itens básicos, impacta diretamente igrejas e famílias cristãs. “A maioria das pessoas recebe apenas cerca de duas horas [de eletricidade] por dia”, explicou Gregorio. Em regiões fora da capital, os apagões podem se estender por 22 a 24 horas, atingindo 60% do território cubano, conforme dados divulgados pelo Infobae.
Crise afeta necessidades básicas e produção de alimentos
A severa crise econômica cubana elevou os preços de itens essenciais a níveis proibitivos. O litro da gasolina, por exemplo, pode custar o equivalente a dois salários mínimos. Os alimentos também sofreram aumentos expressivos, com os ovos chegando a custar mais que um salário mensal, segundo relatou Luis, outro pastor que apoia comunidades vulneráveis. A falta de combustível prejudica a produção e o transporte de alimentos, resultando em prateleiras vazias nos mercados e em muitas famílias enfrentando fome.
O pastor Gregorio detalhou as consequências da insegurança alimentar. “Algumas famílias vão dormir sem jantar e acordam sem café da manhã, e muitas crianças deixam de ir à escola porque a fome as vence antes de chegarem lá”, lamentou. A crise energética também compromete o abastecimento de água, pois cerca de 80% do sistema hídrico cubano depende de eletricidade, afetando inclusive hospitais. “Dias sem água ou energia tornam a vida quase impossível. Pessoas estão morrendo porque não há medicamentos nem suprimentos”, acrescentou o pastor Luis.
Apagões impactam segurança e cultos religiosos
As frequentes quedas de energia representam um risco à segurança das igrejas cubanas. “Sem energia, as igrejas se tornam alvos fáceis para ladrões”, alertou o pastor Luis. Como medida de precaução, diversas congregações precisaram suspender seus cultos noturnos e implementar vigias para proteger seus espaços. Mesmo diante das adversidades e com recursos limitados, as igrejas buscam auxiliar os necessitados. “Acordamos às três da manhã, mesmo exaustos, para preparar as refeições. É claro que a situação nos afeta, mas somos chamados a servir”, declarou Gregorio.
Laura*, integrante da equipe da Portas Abertas no país, descreveu o cenário de caos. “Apagões recorrentes estão dificultando a comunicação e a resposta a emergências em todo o país. A real extensão da situação só ficará clara quando a energia for restabelecida”, afirmou.
Perseguição e fé em igrejas domésticas
Cristãos representam cerca de 85% da população cubana, sendo a maioria católica e aproximadamente 11% evangélicos, segundo o Banco de Dados Cristão Mundial. No país, a comunidade cristã enfrenta detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Embora cultos sejam permitidos, a abertura de novas igrejas é proibida. Em resposta à repressão, milhares de cristãos têm encontrado refúgio espiritual em igrejas domésticas. Essas pequenas comunidades, que se reúnem em residências de pastores ou membros, funcionam sem identificação oficial e muitas vezes sob vigilância constante, tornando-se essenciais para a manutenção da fé na ilha.
Dados da associação ASCE Cuba indicam a existência de 20 mil a 30 mil igrejas domésticas ativas. Cuba figura na 24ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.
