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sábado, 14 março 2026

Cuba em Crise Profunda Mobiliza Ações de Igrejas Diante de Sofrimento Generalizado

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Diretor da Trans World Radio em Cuba relata situação crítica sem precedentes, com população buscando sustento em meio a colapso de infraestrutura

A situação em Cuba atingiu um nível de gravidade nunca antes visto, segundo Moisés Pérez Padrón, diretor do escritório da Trans World Radio (TWR) na ilha. A deterioração generalizada se manifesta em ruas tomadas pelo lixo, crianças e idosos buscando alimentos em detritos e quedas de energia que ultrapassam 12 horas diárias. Em declarações recentes, Pérez Padrón descreveu a realidade de famílias que precisam desmanchar móveis para cozinhar, evidenciando a escassez extrema.

Pérez Padrón, que também atua como copastor da Igreja Batista Salem e vice-reitor do Seminário Teológico Batista de Havana, tem usado sua voz para disseminar mensagens de esperança. Através do podcast devocional “Mensagens de Fé e Esperança”, transmitido pela TWR e distribuído em plataformas digitais, ele enfatiza a importância de depositar confiança em Deus, e não em líderes políticos. Citando a Bíblia, ele aponta Cristo como a “pedra angular” sobre a qual se deve construir, desestimulando a confiança em acordos políticos ou crenças falsas.

Contexto da crise cubana abrange fatores econômicos, ambientais e de saúde

O agravamento da crise cubana nos últimos meses tem múltiplas causas. Sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos em janeiro de 2025, visando pressionar por reformas, somaram-se aos estragos causados pelo furacão Melissa quatro meses antes, que devastou cinco províncias e deixou mais de 735 mil pessoas desabrigadas. A infraestrutura básica e moradias sofreram danos extensos.

Paralelamente, o país enfrenta uma acentuada queda populacional, reflexo da baixa taxa de natalidade e de um êxodo em massa de jovens em busca de melhores condições de vida. Um surto de chikungunya, que já infectou mais de 50 mil pessoas e causou 55 mortes desde novembro de 2025, agrava o cenário, sendo a escassez de medicamentos como o acetaminofeno um fator crítico no tratamento.

Comunidades cristãs oferecem suporte material e espiritual em meio à escassez

Em meio ao cenário de caos, a comunidade cristã cubana, que representa cerca de 85% da população, tem se destacado na oferta de auxílio. O Mennonite Central Committee (MCC), com 43 anos de atuação na ilha, enviou seis contêineres com suprimentos essenciais nos últimos 12 meses, incluindo alimentos, produtos de higiene e material escolar. Esses donativos são distribuídos através de programas sociais desenvolvidos pela Associação dos Irmãos em Cristo (BIC) e pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo.

Jacob Lesniewski, codiretor regional do MCC, descreve cidades abandonadas e em ruínas ao viajar para o leste da ilha, refletindo um colapso generalizado. A falta de combustível, intensificada pelas sanções, impõe desafios logísticos severos, levando congregações a utilizarem carroças puxadas por cavalos para o transporte de doações.

Resiliência e papel social dos cristãos em um Estado deficitário

A socióloga Mayra Espino destaca a emigração acelerada de profissionais qualificados, a incapacidade governamental de criar oportunidades e o colapso de setores como o turismo como as principais causas da crise atual. Ela observa que os cristãos evangélicos ganharam notoriedade por seu trabalho social, especialmente após furacões em 2008, quando igrejas priorizaram reparos em telhados de vizinhos não cristãos.

“Em um país onde o Estado não consegue mais fornecer serviços básicos como saúde e educação, as igrejas tornaram-se espaços essenciais — não apenas para receber ajuda humanitária e conforto espiritual, mas também para construir comunidade”, afirma Espino.

Liberdade religiosa sob restrições em um contexto de perseguição histórica

A liberdade religiosa em Cuba apresenta um quadro complexo. Embora cultos regulares sejam permitidos, o espaço para expansão e construção de novas igrejas é limitado. A história recente do país é marcada por perseguições, iniciadas com o regime comunista ateu após 1959, que enviou pastores a campos de trabalho. A situação começou a mudar a partir dos anos 1990, com a alteração constitucional para definir o país como “laico” e a influência de visitas papais.

Apesar de avanços, restrições persistem. Publicações cristãs não circulam livremente, grupos religiosos não possuem concessões de rádio ou TV, e a criação de denominações anteriores a 1959 é vedada. A Open Doors classifica Cuba como o país mais perigoso da América Latina para cristãos, ocupando a 24ª posição global em sua Lista Mundial da Perseguição. O Observatório Cubano de Direitos Humanos registrou 873 violações da liberdade religiosa em 2025.

Diante do aumento da fome e da criminalidade, Pérez Padrón expressa preocupação com a segurança de sua família, mas busca transmitir esperança às crianças. “No meio das dificuldades, mostramos que ainda há motivos para agradecer a Deus. Eu tenho um emprego. Elas podem ir à escola. Deus é bom”, relata.

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