Cristãos no Paquistão enfrentam despejo iminente após fuga de perseguições

Mais lidas

Comunidade cristã em Islamabad é ameaçada com ordem de despejo, afetando mais de 20 mil pessoas que fugiram de perseguições

Milhares de famílias cristãs residentes em assentamentos informais na capital do Paquistão foram notificadas pelo governo sobre a iminência de despejos. A Autoridade de Desenvolvimento da Capital (CDA) emitiu uma comunicação verbal no início de março, exigindo a desocupação de diversas áreas em Islamabad, incluindo as colônias Rimsha, Sharpar e Akram Gill, conforme reportado pelo Christian Daily Internacional. Estes três assentamentos são o lar de aproximadamente 25 mil pessoas, majoritariamente cristãos de baixa renda que atuam em setores como saneamento, construção civil e serviços domésticos.

O aviso de despejo gerou apreensão entre os moradores, que já residem na região há mais de uma década e não possuem recursos para se deslocar. A situação tem afetado o bem-estar das famílias, com crianças sofrendo com a ansiedade noturna.

As colônias em questão foram estabelecidas em 2012, após um incidente de perseguição religiosa. Na ocasião, uma adolescente cristã com deficiência mental foi falsamente acusada de profanar o Alcorão, o que desencadeou temores de ataques em comunidades cristãs locais. Diante desse cenário, muitas famílias optaram por fugir de suas residências na região de Mehrabadi, sendo posteriormente realocadas pelo próprio governo para os assentamentos de Rimsha, Sharpar e Akram Gill. O que começou como abrigos temporários evoluiu para lares permanentes para essa comunidade.

Atualmente, esses assentamentos formam uma comunidade coesa, com estruturas como pequenas igrejas, escolas improvisadas e organizações de apoio mútuo. No entanto, ativistas apontam a carência de serviços básicos essenciais, como acesso confiável à água potável, saneamento e cuidados de saúde.

Desde 12 de março, protestos e momentos de oração têm sido realizados contra a ordem de despejo. Moradores expressam que a ação governamental ocorre sem planos concretos de realocação, caracterizando-a como uma grave injustiça, especialmente para aqueles que não possuem condições financeiras para buscar novas moradias em um mercado imobiliário que também apresenta discriminação.

Ativistas de direitos humanos criticaram a decisão, argumentando que ela contraria a legislação paquistanesa. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP) destacou que as próprias autoridades foram responsáveis pelo reassentamento dessas famílias e que os assentamentos informais em Islamabad possuem proteção legal. Uma ordem de suspensão emitida pela Suprema Corte do Paquistão em 2015 proíbe o despejo de moradores de favelas sem arranjos adequados de reassentamento. A HRCP apelou às autoridades máximas do país para que intervenham e impeçam esses despejos iminentes.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias