África Subsaariana é a região mais violenta para cristãos no mundo, com um óbito a cada 1,95 horas
A África Subsaariana se consolida como o principal palco de perseguição religiosa contra cristãos globalmente. Conforme a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, divulgada pela Portas Abertas, no período entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, a região concentrou 93% das mortes relacionadas à fé cristã registradas mundialmente. Das 4.849 fatalidades contabilizadas, impressionantes 4.491 ocorreram em países subsaarianos, o que equivale a um cristão vitimado a cada 1,95 hora.
A Nigéria emerge como o epicentro dessa crise, sendo responsável por cerca de 70% de todas as mortes registradas. Contudo, a violência não se restringe a um único país, impactando 14 das 50 nações que compõem a LMP 2026, o que denota uma insegurança generalizada na área.
Jo Newhouse, porta-voz da Portas Abertas para a África Subsaariana, descreveu o cenário como “profundamente preocupante”. “Cristãos vivem sem estabilidade, carregando cicatrizes físicas, econômicas e emocionais por causa do perigo constante, das mortes, da destruição e dos deslocamentos”, relatou.
Outras formas de violência e deslocamento em massa
Os assassinatos, apesar de chocantes, representam apenas uma parte da severa perseguição vivenciada. A África Subsaariana também lidera em destruição e confisco de propriedades e locais de culto cristão, abrigando oito dos dez países com os maiores índices nesse quesito.
Quase 90% dos 3.302 cristãos sequestrados durante o período analisado são originários da região. A Nigéria e a República Democrática do Congo são responsáveis por quase metade dos casos de violência sexual contra cristãos. Adicionalmente, mais de 165 mil cristãos foram forçados a deixar seus lares na África Subsaariana devido à perseguição.
Resiliência da fé diante da adversidade
Apesar da brutalidade e das perdas significativas, os dados da LMP 2026 também evidenciam a resiliência da fé cristã na região. A igreja na África Subsaariana, mesmo ferida, mantém-se ativa e vibrante.
Em meio ao sofrimento, emergem testemunhos notáveis de perdão e esperança. O pastor Zachariah, da Nigéria, que sofreu a perda de sua esposa e filho, expressa o desejo de perdão para os agressores: “Estou pedindo a Deus que os perdoe, e que eles entrem no Reino de Deus”. Sua fala exemplifica um espírito de reconciliação em meio à tragédia.
Martine*, cristã de Burkina Faso que perdeu familiares, reafirma sua confiança: “A partir de agora, o Senhor cuidará da minha vida de dia e de noite. Não tenho mais ninguém a quem levar meus problemas”. Essas histórias ecoam o encorajamento bíblico de 1 Pedro 4:14, demonstrando que a igreja subsaariana, mesmo sob ataque, continua a professar sua fé com profundidade.


