Especialista em geopolítica avalia conflito no Oriente Médio e o impacto na paz mundial
A atual escalada do conflito envolvendo Irã e Israel levanta questionamentos sobre um possível risco de uma terceira guerra mundial. No entanto, Gabriel Schorr, especialista em geopolítica do Oriente Médio e ex-paraquedista das Forças de Defesa de Israel (IDF), sugere que a situação pode ter um efeito contrário.
Segundo Schorr, a guerra em curso, embora grave, pode estar evitando um conflito global maior. Ele explica que a intervenção israelense foi uma resposta calculada a uma ameaça existencial iminente representada pelo programa nuclear iraniano. A estratégia, em sua visão, foi bem planejada, afastando a possibilidade de uma guerra de maior escala para um momento posterior.
O brasileiro-israelense, que serviu nas IDF entre 2001 e 2004, em meio à Segunda Intifada, ressalta a natureza espiritual do conflito, algo que ele sentiu na linha de frente. “No exército existe o capacete, existe o colete à prova de balas, mas existe uma proteção divina que, quanto mais dentro do campo de batalha você entra, mais você a conhece”, relatou.
Schorr faz uma distinção importante entre o povo iraniano e o regime teocrático que governa o país desde 1979. Ele lembra que a Pérsia, historicamente, manteve uma relação antiga com Israel, chegando a facilitar o retorno dos judeus a Sião sob o rei Ciro. A Revolução Islâmica, contudo, transformou a nação em um regime tirânico e financiador de grupos armados como Hamas, Hezbollah e houthis.
A motivação de Israel para o ataque foi a necessidade de neutralizar a ameaça nuclear. Schorr afirmou que o regime iraniano estava muito próximo de desenvolver capacidade de ataque nuclear, tornando uma ação preventiva crucial. “Se a gente não atacasse, eles atacariam em breve”, declarou.
A rotina em Israel foi afetada, com famílias como a de Schorr buscando abrigo em quartos blindados devido ao risco de mísseis. Apesar da gravidade, a queda do regime iraniano não é o foco principal da missão israelense. O objetivo primordial é neutralizar a ameaça nuclear e militar.
Schorr acredita que este confronto pode trazer uma paz mais sólida para o Oriente Médio, ao enfrentar uma força que tem alimentado conflitos na região por décadas. “Hoje é uma guerra que vai nos limpar de uma ameaça existencial muito importante e, pelo visto, vai liberar o Irã e possivelmente o Oriente Médio das garras do mal também”, concluiu.
