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segunda-feira, 16 março 2026

Comandante Curdo assume posto chave na Defesa da Síria após acordo

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Comandante curdo Sipan Hemo é nomeado vice-ministro da Defesa da Síria, foco em controle governamental

Líderes em Damasco designaram o proeminente comandante curdo Sipan Hemo para o cargo de Vice-Ministro da Defesa, com atribuições voltadas principalmente para a região leste da Síria. Esta nomeação ocorre em meio a crescentes esforços do governo sírio para consolidar seu controle sobre a região curda autônoma no nordeste do país.

Uma estratégia central para atingir esse objetivo tem sido a integração das forças curdas ao exército nacional. Contudo, essa proposta tem enfrentado rejeição por parte de muitos curdos. O atual governo sírio é liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa, que assumiu o poder em dezembro de 2024 após depor Bashar al-Assad.

Especialistas em liberdade religiosa manifestaram preocupação com as iniciativas de Damasco para absorver as forças curdas. Tais receios são fundamentados em massacres em larga escala contra minorias como os drusos e alauítas, ocorridos desde a posse de Sharaa. Em janeiro, as forças curdas relataram um ataque não provocado, que levou a abusos descritos como crimes de guerra, embora em escala menor do que os sofridos pelas minorias religiosas.

A milícia curda SDF, em janeiro, perdeu aproximadamente 80% do território sob seu domínio, culminando em um cessar-fogo anunciado em 28 de janeiro, após negociações mediadas pelos Estados Unidos. A nomeação de Hemo como vice-ministro da Defesa é amplamente vista como uma consequência direta desse acordo.

Hemo, um defensor declarado dos direitos curdos, pode indicar que a administração de Sharaa reconhece o valor da colaboração com os curdos. Ainda assim, observadores de direitos humanos e analistas regionais expressam apreensão quanto ao grau de controle que Damasco busca exercer sobre curdos e outras comunidades minoritárias.

Muitos defendem a concessão de um nível de autonomia limitado, porém significativo, a essas comunidades, e solicitam que forças locais, como a SDF, permaneçam como entidades distintas em vez de serem completamente incorporadas às forças nacionais.

A preocupação com a integração total reside no histórico ideológico de Sharaa. Apesar de sua retórica recente promover inclusão e direitos humanos, ele foi membro do Estado Islâmico e se declara jihadista, o que torna suas motivações difíceis de decifrar. Apesar de declarações públicas sobre compromisso com a paz, forças ligadas ao seu governo cometeram ou permitiram tragédias em massa, frequentemente contra minorias étnicas e religiosas.

Em um evento em setembro de 2025, em Washington, intitulado “Fortalecendo a Liberdade Religiosa na Síria”, grupos da sociedade civil defenderam a descentralização. O modelo estabelecido na região curda semiautônoma do nordeste foi um tema central. Palestrantes e convidados instaram os formuladores de políticas dos EUA e o governo sírio a protegerem este modelo, bem como a SDF, e a estendê-lo a outras comunidades minoritárias.

Nadine Maenza, organizadora do evento, comentou após o encontro: “A inclusão deles no governo sírio fortaleceria toda a Síria. Uma Síria unida, com descentralização ou federalismo, oferece a esta bela nação sua melhor chance de paz e estabilidade.”

A nomeação de Hemo pode representar um avanço no reconhecimento dos direitos curdos no novo governo sírio. No entanto, a campanha agressiva do governo contra os curdos neste ano sugere que um progresso significativo ainda está distante. Sharaa parece estar caminhando para um sistema que concede autoridade substancial ao governo central, em detrimento de um sistema federado com autogoverno local robusto.

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