Além das Máscaras: a Persona na Psicologia Analítica de Jung e a busca pela autenticidade

Um dos conceitos centrais da psicologia analítica de Jung é o conceito de Persona. A Persona é a máscara social que usamos para nos apresentar ao mundo.

A psicologia analítica de Carl Jung é uma abordagem teórica e terapêutica que se concentra na exploração do inconsciente e do simbolismo para entender a psique humana e promover o crescimento pessoal. Essa abordagem é baseada na ideia de que a psique é composta por uma série de complexos psicológicos que influenciam nosso comportamento e pensamentos.

Um dos conceitos centrais da psicologia analítica de Jung é o conceito de Persona. A Persona é a máscara social que usamos para nos apresentar ao mundo. É a imagem que projetamos de nós mesmos e que é influenciada pelas expectativas e normas sociais. A Persona pode ser vista como uma construção defensiva que usamos para nos proteger e para nos adaptar ao mundo ao nosso redor. No entanto, a Persona pode ser uma fonte de conflito interno quando há uma desconexão entre a imagem que projetamos e quem realmente somos.

De acordo com a psicologia analítica de Carl Jung, a persona é um dos conceitos fundamentais para entender a estrutura da personalidade. A persona representa a máscara ou o papel social que o indivíduo assume em diferentes situações sociais, muitas vezes como uma forma de adaptação ou defesa diante das exigências externas.

A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito sobre os outros e, por outro, a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo […]. A sociedade espera e tem de esperar de todo indivíduo o melhor desempenho possível na tarefa a ele confiada; assim, um sacerdote não só deve executar, objetivamente, as funções do seu cargo, como também desempenhá-las sem vacilar a qualquer hora e em todas as circunstâncias […]. Atrás desta máscara forma-se então o que chamamos de “vida particular”. A separação da consciência em duas figuras que às vezes diferem uma da outra de um modo quase ridículo é um fato bastante conhecido e constitui uma operação psicológica decisiva, que não deixa de ter consequências sobre o inconsciente (JUNG, OC 7, § 305).

Na festa de carnaval, é comum vermos pessoas se fantasiando com roupas e personagens que representam uma identidade diferente da sua. Essas fantasias e máscaras permitem que as pessoas assumam diferentes personas, ou seja, diferentes identidades sociais e comportamentais, de acordo com a ocasião e o contexto social. Assim como na vida cotidiana, na festa de carnaval as pessoas usam suas personas para se relacionar com os outros e lidar com as situações sociais.

No entanto, segundo a teoria junguiana, a persona pode se tornar tão rígida e identificada com o ego consciente, que acaba reprimindo ou escondendo aspectos da personalidade que não são considerados socialmente aceitáveis. Isso pode levar a uma desconexão do Self e a uma sensação de falta de autenticidade e integridade pessoal.

Portanto, assim como nas festas de carnaval, onde as pessoas assumem diferentes personas, é importante que as pessoas possam reconhecer e integrar suas personas de forma consciente, sem se identificar demasiadamente com elas, para que possam expressar e desenvolver todos os aspectos da sua personalidade.

Outro conceito importante de Jung é o de Sombra. A Sombra representa a parte mais escura e desconhecida de nossa psique, composta de aspectos reprimidos, negados ou esquecidos de nós mesmos. Esses aspectos podem incluir emoções, desejos, pensamentos e comportamentos que são considerados socialmente inaceitáveis ou moralmente condenáveis. A Sombra é considerada uma parte importante da psique que precisa ser reconhecida e integrada para alcançar a totalidade e o equilíbrio psicológico.

A parte inferior da personalidade. Devido à sua incompatibilidade com a forma de vida conscientemente vivida, a soma de todas as disposições psíquicas pessoais e coletivas não é vivida e se aglutina numa personalidade parcial, relativamente autônoma, com tendências contrárias no inconsciente. A sombra se comporta compensatoriamente em relação à consciência, seu efeito pode ser nisso tanto positivo quanto negativo. Como figura onírica, a sombra tem, na maioria das vezes, o mesmo sexo que o sonhador. Como parte do inconsciente pessoal a sombra pertence ao eu […]. Tornar consciente a sombra é o trabalho inicial da análise (JUNG, apud JAFFÉ, 1983: 233).

O Ego, por sua vez, é o centro de consciência da psique. É a parte de nós que tem consciência de si mesma e que lida com a realidade externa. O Ego pode ser visto como uma estrutura organizadora que ajuda a integrar e a sintetizar as diferentes partes da psique.

O Self é o conceito mais amplo e abrangente na psicologia analítica de Jung. É a totalidade da psique, que inclui não apenas as partes conscientes e inconscientes, mas também o potencial para o desenvolvimento e a realização pessoal. O Self é uma fonte de orientação e propósito e é representado por imagens arquetípicas como o Símbolo da Totalidade ou o Si-mesmo.

Em resumo, a psicologia analítica de Jung é uma abordagem que se concentra na exploração do inconsciente e na integração de diferentes aspectos da psique para promover o crescimento pessoal. Os conceitos de Persona, Sombra, Ego e Self são parte integrante dessa abordagem e ajudam a explicar a complexidade e a profundidade da psique humana.

Referências

JUNG, C. G. Psicologia do inconsciente. In: Obras Completas de C. G. Jung, vol. VII/1. Petrópolis: Vozes, 2011b.

JAFFÉ, A. (1983). C.G. Jung in Bild und Wort. Olten: Walter.

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Helena Chiappetta
Maria HELENA Barbosa CHIAPPETTA é Psicanalista Clínica e Avaliadora Datista pela CORETEPE (CRTP-1041) e Psicóloga Clínica pela Faculdade ESUDA (CRP - 02/22041), é também Neuropsicóloga pela Faculdade Anhanguera. Colunista do Portal Folha Gospel: https://tribunagospel.com.br/author/helenachiappetta/ . Possui também Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional FATIN, Especialização em Ciências da Religião FATIN, Licenciatura em Filosofia pela Faculdade Santa Fé FSF, Licenciatura em Pedagogia pela Faculdade Kurios FAK, Bacharelado em Teologia pela Faculdade de Teologia Integrada FATIN. Bacharelanda em Psicanálise UNINTER (cursando), Pós-Graduanda no curso de Arteterapia (cursando), Pós-Graduanda no curso de Psicanálise, Psicopatologia e Saúde Mental (cursando). Extensão em Hebraico Bíblico pela UNINTER. Atualmente também é Docente no SEID Nordeste. É Professora Convidada no Curso de Formação em Psicanálise da SNTPC. Mulher Destaque na Sociedade Pernambucana - Destaque Defesa Animal pelo Partido Verde. Tem experiência como docente nas áreas de: Letras Hebraico, Psicanálise e Teoria Analítica, Educação Religiosa, Artes, Teologia com ênfase em Ciências da Religião Aplicada e Liderança Institucional. Dedica-se ao estudo das neuroses atuais. E-mail para contato: helena.chiappetta@icloud.com
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