A “loucura das mães”

A “loucura das mães” (foto ilustrativa)
A “loucura das mães” (foto ilustrativa)

Existe uma preocupação materna primária nas mães, e Winnicott atribui a essas mães uma capacidade maior para perceber e compreender a criança, estando sempre disponíveis e atentas às necessidades do bebê, suprindo suas necessidades, favorecendo seu desenvolvimento e independência. Winnicott enfatizou a função materna. Um de seus principais conceitos é o da mãe suficientemente boa ou ambiente. Winnicott diz que a preocupação materna primária está presente nas mães suficientemente boas, e que elas permanecem num estado diferenciado psiquicamente, que ele chama de “loucura das mães”, mas que posteriormente é normalizado.

Não acredito que seja possível compreender o funcionamento da mãe na fase mais inicial da vida de um bebê, sem entender que ela deve ser capaz de atingir este estado de sensibilidade aumentada, quase uma doença, e recuperar-se dele (introduzo a palavra “doença” porque é necessário que a mulher seja saudável para desenvolver este estado quanto para se recuperar dele quando o bebê a libera…). (WINNICOTT, 1965: 494, capítulo 24).

A mãe suficientemente boa atende às necessidades do bebê na medida certa, mas é preciso que essa mãe também venha a falhar, pois não sendo tudo perfeito, o bebê registra a falta, e a partir da falha materna, ele é constituído. Existe a percepção do bebê diante de todo investimento que a mãe faz. Winnicott considera a falha materna saudável para o auto desenvolvimento do bebê. E quando é que podemos dizer que essa falha é saudável? Podemos dizer que essa falha é saudável quando a mãe investe em outros objetos como por exemplo: estudos, trabalho, atividades de vida diária, outros relacionamentos etc.

A mãe suficientemente boa começa com uma adaptação quase completa às necessidades de seu bebê, e, à medida que o tempo passa, adapta-se cada vez menos completamente, de modo gradativo, segundo a crescente capacidade do bebê em lidar com o fracasso dela. (WINNICOTT, [1971] 1975: 25).

Winnicott fala sobre um período em que o bebê estabelece com a mãe uma relação fusionada – a que ele chama de dependência absoluta – e que ocorre de zero a seis meses. Ele também fala sobre outra fase onde a criança começa a se integrar e se separar da mãe, relacionando-se com outros objetos e passando a ter autonomia. A essa fase ele chama de dependência relativa.

Após essa fase que corresponde aos 2 anos de idade em diante, a criança estará mais desenvolvida. Isso se constitui a partir da relação da criança com uma mãe suficientemente boa, onde a família permite que a criança vivencie a independência.

Qual é o papel da família para Winnicott? A família representa o ambiente, a sociedade, a cultura, desempenhando a função de desenvolvimento da criança para que ela possa se integrar, se separar e construir sua autonomia de maneira contínua.

Essa noção de continuidade e desenvolvimento do ser é importante para que o bebê se reconheça diferente do outro e isso apenas um ambiente saudável pode proporcionar. A criança precisa de um ambiente favorável, adequado, seguro e saudável para se desenvolver, sendo esse ambiente um lugar, cidade, escola, a mãe e o pai, ou qualquer outra pessoa que cumpra essa função na vida da criança.

Se o ambiente falhar e essa falha for suportável para a criança, colaborando para o seu autodesenvolvimento, podemos pensar em transtornos neuróticos. Na psicose também ocorre uma falha no ambiente, sendo que essa falha é grave e a criança não consegue se integrar, personalizar e se relacionar com outros objetos.

Estabelecer relações com outros objetos de forma criativa é o que possibilitará a criança ir ao encontro do outro, estabelecendo uma ideia de estar no mundo, permitindo assim a continuidade do ser.

Helena Chiappetta

Artigo original publicado em 06 de maio de 2021

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Helena Chiappetta
Maria HELENA Barbosa CHIAPPETTA é Psicanalista Clínica e Avaliadora Datista pela CORETEPE (CRTP-1041) e Psicóloga Clínica pela Faculdade ESUDA (CRP - 02/22041), é também Neuropsicóloga pela Faculdade Anhanguera. Colunista do Portal Folha Gospel: https://tribunagospel.com.br/author/helenachiappetta/ . Possui também Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional FATIN, Especialização em Ciências da Religião FATIN, Licenciatura em Filosofia pela Faculdade Santa Fé FSF, Licenciatura em Pedagogia pela Faculdade Kurios FAK, Bacharelado em Teologia pela Faculdade de Teologia Integrada FATIN. Bacharelanda em Psicanálise UNINTER (cursando), Pós-Graduanda no curso de Arteterapia (cursando), Pós-Graduanda no curso de Psicanálise, Psicopatologia e Saúde Mental (cursando). Extensão em Hebraico Bíblico pela UNINTER. Atualmente também é Docente no SEID Nordeste. É Professora Convidada no Curso de Formação em Psicanálise da SNTPC. Mulher Destaque na Sociedade Pernambucana - Destaque Defesa Animal pelo Partido Verde. Tem experiência como docente nas áreas de: Letras Hebraico, Psicanálise e Teoria Analítica, Educação Religiosa, Artes, Teologia com ênfase em Ciências da Religião Aplicada e Liderança Institucional. Dedica-se ao estudo das neuroses atuais. E-mail para contato: helena.chiappetta@icloud.com
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