Nigéria lidera lista de locais com perseguição a cristãos, aponta especialista em direitos humanos
A Nigéria enfrenta uma crise de perseguição religiosa que o líder de comunicações internacionais da Christian Solidarity International (CSI), Joel Veldkamp, descreveu como uma “campanha de limpeza étnica em câmera lenta”. A situação na região conhecida como Middle Belt tem sido marcada por massacres semanais contra comunidades cristãs, majoritariamente compostas por agricultores. Essa violência é atribuída a milícias da tribo Fulani, que estariam avançando sobre a área com armamento pesado, resultando na expulsão e deslocamento de mais de um milhão de pessoas, sem acesso a educação ou meios de subsistência.
Veldkamp compartilhou essas preocupações durante sua participação no podcast “Into the Supernatural”, onde identificou cinco nações onde a perseguição aos cristãos atingiu um nível alarmante. A situação na Nigéria, segundo ele, representa “provavelmente a maior crise de perseguição do mundo neste momento”. A violência contínua tem forçado um número crescente de fiéis a deixarem suas casas, agravando um cenário de crise humanitária.
Outras nações sob observação por perseguição religiosa
Além da Nigéria, o especialista citou o Sudão como outro ponto crítico. O país atravessa uma guerra civil desde abril de 2023, decorrente de um conflito interno entre duas facções islamitas. Essa luta pelo poder, que antes compartilhavam o governo, já resultou em milhões de mortes e um cenário de instabilidade generalizada.
O Líbano também foi mencionado, com Veldkamp alertando para um processo de “islamização lenta”, similar ao que ocorreu no Afeganistão. O país, antes governado por uma ditadura secular, agora é liderado por figuras religiosas, incluindo um novo presidente com ligações passadas com a Al-Qaeda. Embora o governo busque apresentar uma imagem de moderação à comunidade internacional, a tendência aponta para uma crescente influência islâmica.
A Armênia, país com uma identidade cristã milenar desde o ano 301 d.C., também enfrenta desafios. Veldkamp apontou para a agressão do Azerbaijão contra a população cristã de Nagorno-Karabakh. Cerca de 120.000 pessoas foram forçadas a fugir de suas casas devido ao avanço militar. O governo armênio, após perder a guerra, tem culpado tanto os refugiados quanto a igreja local pelo ocorrido, o que tem levado à prisão de líderes religiosos e outros problemas relacionados à fé.
A Síria também figura na lista, onde a população cristã pode enfrentar dificuldades crescentes. A transição de um regime secular para um governo liderado por ex-membros de organizações extremistas levanta preocupações sobre a manutenção dos direitos e da segurança das minorias religiosas.
