A fortuna do clérigo e a pobreza iraniana o regime de Khamenei acumulou bilhões enquanto o povo sofria, fator chave para a permanência no poder
Antes de seu falecimento, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, comandou um vasto império financeiro que, segundo investigações, é hoje liderado por seu filho, Mojtaba. Essa acumulação de riqueza contrasta diretamente com a precária situação econômica enfrentada pela maioria da população iraniana.
Dan Diker, diretor do Jerusalem Center for Public Affairs, em entrevista à CBN News, ressaltou que a insatisfação popular começou com queixas econômicas. “Não há água no Irã, a economia está em frangalhos, o povo está com fome. A inflação está na casa das centenas de porcento”, afirmou Diker.
Khamenei, que se apresentava como um líder religioso modesto, era bilionário. Diker explicou que o regime iraniano opera sob o princípio de ‘Taqiyya’, que significa engano ou dissimulação.
Um relatório investigativo da Reuters de 2013 indicou que Khamenei detinha controle ou influência sobre um império empresarial oculto com participações em setores como petróleo, bancos, telecomunicações e até na fabricação de pílulas anticoncepcionais.
Dr. Udi Levy, do Jerusalem Institute for Strategy and Security, estima que o valor desse império financeiro gire em torno de US$ 100 bilhões. Levy, que atuou como oficial de inteligência nas Forças de Defesa de Israel gerenciando o combate ao financiamento do terrorismo, apontou que grande parte desses recursos fluiu após o levantamento das sanções americanas ao Irã em 2016.
“Desde então, vimos bilhões de dólares, bilhões de dólares, fluindo do Irã para os bolsos privados dos líderes da Guarda Revolucionária”, disse Levy.
O sistema financeiro conhecido como SETAD consolida o poder sob o líder supremo, garantindo vidas luxuosas para a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), seus gruposProxy e familiares de Khamenei, incluindo seu filho Mojtaba, o novo líder supremo.
“O filho de Khamenei possui duas grandes propriedades em Londres, com vista para a embaixada israelense”, revelou Diker. A fortuna inclui ainda investimentos em criptomoedas, uma vila privada em Dubai e hotéis de luxo na Europa.
Registros indicam que a operação lavou dinheiro e construiu um vasto portfólio imobiliário através da apreensão de bens. “Eles pegam imóveis de pessoas pobres, de pessoas pobres”, enfatizou Levy, comparando a prática ao que Assad fez na Síria, onde ativos foram tomados e direitos de propriedade cancelados.
Enquanto isso, a situação para muitos iranianos comuns é de pobreza extrema, com estimativas de que mais da metade da população sofra de desnutrição.
“Eles não têm nada. Não podem comprar nada, não podem conseguir nada. Não há serviço, nada. E, por outro lado, pessoas ligadas ao regime vivem muito bem”, observou Levy.
Embora não haja evidência direta de que Khamenei ou seu filho tenham se apropriado pessoalmente do dinheiro, Levy acredita que essa vasta fortuna é um fator crucial para a escolha de Mojtaba como novo líder pela IRGC e explica a provável resistência do regime em ceder o poder.
“Se me perguntar, não é a ideologia, são os bens, o dinheiro”, afirmou Levy. “Eles têm medo de perder uma enorme quantidade de dinheiro que possuem.”.
Levy sugere que, além de combater o Irã diretamente, Israel e os Estados Unidos deveriam focar na confiscação de ativos iranianos. Ele acredita que essa medida seria a forma mais eficaz de pressionar o regime a depor as armas.
