Ministro do STF autoriza transferência de Daniel Vorcaro para unidade de segurança máxima em Brasília atendendo pedido da Polícia Federal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira (5) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a Penitenciária Federal de Brasília. A unidade, considerada de segurança máxima, receberá o empresário após pedido da Polícia Federal (PF) no âmbito da Petição 15.556.
Vorcaro havia sido preso na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, ele estava detido na Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, onde passava por procedimento de isolamento padrão para novos detentos.
Riscos de articulação motivaram pedido de transferência
A Polícia Federal argumentou ao STF que a permanência de Vorcaro em um presídio estadual apresentava riscos. A corporação citou a suposta “capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder” como um dos motivos para a solicitação. Segundo a PF, o caso exigia “cautela redobrada” devido à “potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais”.
Ao analisar o pedido, Mendonça entendeu que a situação se enquadra na Lei 11.671/2008, que rege o sistema penitenciário federal. A legislação permite a inclusão de presos em estabelecimentos federais quando justificado “no interesse da segurança pública ou do próprio preso”. A PF também destacou que a transferência para Brasília visa proteger a integridade física de Vorcaro e permitir um monitoramento mais rigoroso.
Operação Compliance Zero investiga organização criminosa
A prisão de Daniel Vorcaro ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, que apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por uma organização criminosa. As investigações apontam que o banqueiro liderava um esquema com um núcleo financeiro e uma estrutura paralela, apelidada de “A Turma”, responsável por monitoramento de alvos e obtenção de informações sigilosas.
A PF indica que o grupo possuía uma estrutura de vigilância e coerção privada, com acesso indevido a sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como FBI e Interpol. Conversas interceptadas sugerem que Vorcaro teria ordenado a simulação de um assalto para agredir um jornalista.
Situação de outro investigado e estrutura do presídio
Na mesma operação, foi preso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que seria responsável pelo monitoramento e obtenção de informações sigilosas. Ele era identificado no celular de Vorcaro como “Sicário” e recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão. Mourão tentou suicídio na carceragem da PF em Minas Gerais e permanece internado em estado grave.
A Penitenciária Federal em Brasília conta com 208 celas individuais. Vorcaro passará por um período de adaptação antes de ser integrado à população carcerária. A Secretaria Nacional de Políticas Penais informou que os trâmites para o cumprimento da decisão judicial estão sendo realizados, e a transferência deve ocorrer nesta sexta-feira (6), com plano de escolta preparado pela Polícia Penal Federal.
A defesa de Daniel Vorcaro, representada pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval, declarou que o empresário sempre colaborou com as investigações e negou as alegações, confiando no esclarecimento dos fatos.
