Autoridades chinesas detêm pastores de igreja independente em Pequim

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Repressão contra igrejas domésticas na China atinge lideranças e fiéis em nova onda de detenções coordenadas pelas autoridades locais

As autoridades da China realizaram a detenção de diversos pastores e colaboradores da Beijing Jiaquan Church, uma igreja independente que atua na capital chinesa há mais de duas décadas. O caso, noticiado pelo portal Christianity Daily, integra um movimento de cerco a grupos religiosos não registrados no país.

A organização ChinaAid manifestou profunda preocupação com o destino dos detidos. “Estamos urgentemente preocupados com a segurança, saúde e direitos legais de cada pastor e colaborador da Jiaquan que foi levado”, declarou o fundador e presidente da instituição, Bob Fu.

Histórico de ações contra redes religiosas

A congregação afetada conta com cerca de 1.000 membros e possui diversos locais de encontro espalhados pelo território chinês. Além de atividades religiosas, a liderança administrava a escola de música Noah em Pequim, focada no treinamento de músicos para igrejas domésticas.

Esta ofensiva recente segue um padrão de intervenções estatais iniciadas em outubro de 2025 contra a Beijing Zion Church. Na ocasião, 18 pessoas foram presas e oito pastores ainda permanecem sob custódia sob acusações de fraude e operações comerciais ilegais.

Impactos na advocacia e liberdade de culto

O rigor estatal também atingiu profissionais do Direito. Ruth Wang, advogada que representava membros da Zion Church, precisou fugir da China com a família após pressão para que seu escritório fosse dissolvido. Atualmente, o grupo enfrenta incertezas sobre asilo político em países como Estados Unidos ou Canadá.

Simultaneamente, outros grupos como a Early Rain Covenant Church, em Chengdu, continuam sob vigilância. Em junho e setembro deste ano, a polícia interrompeu reuniões e deteve fiéis, muitos deles idosos. Em contrapartida, houve a soltura de Lian Xuliang, pastor da Xi’an Church of Abundance, após mais de quatro anos sob custódia. Relatos indicam que ele e outros detidos teriam sofrido maus-tratos, incluindo privação de alimento e espancamentos durante o período em que estiveram isolados.

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