A busca de Ryan Gosling por um épico de ficção científica que seus filhos pudessem assistir
Ryan Gosling, além de protagonista, atuou como produtor de “Devoradores de Estrelas” com a motivação central de criar uma ficção científica épica que fosse acessível a toda a família. A obra cinematográfica, programada para estrear no Brasil em 19 de março com classificação indicativa de 14 anos, carrega temas de coragem, curiosidade e a notável capacidade humana de resolver problemas, refletindo ainda a mensagem de João 15.13 sobre o sacrifício. A motivação e os detalhes da produção foram compartilhados pela Gospel Mais.
O ator, vencedor do Oscar e pai de duas filhas com Eva Mendes, revelou que a busca por produções que agradassem a toda a família, mas que não fossem animações, tem sido um desafio constante. Esta dificuldade, segundo ele, o aproximou da adaptação do best-seller de 2021, “Devoradores de Estrelas”, de Andy Weir.
Acho que foi muito importante para mim. Minha esposa Eva e eu procuramos filmes que possamos assistir com toda a família, e achamos difícil encontrar.
Obviamente, fazer filmes é um negócio de família, mas nós também queremos ir ao cinema. E é difícil encontrar algo que agrade a todos nós, principalmente se não for animação.
Além da diversão, Gosling expressou que o filme, dirigido pelos criadores de “Homem-Aranha no Aranhaverso”, Phil Lord e Christopher Miller, veicula temas que ele espera que seus filhos e o público em geral possam assimilar. Ele destacou a importância de mostrar algo tematicamente relevante.
Há algo tematicamente que você quer mostrar aos seus filhos. E acho que isso não foi apenas escapismo.
Adaptado para o cinema por Drew Goddard, que já havia sido indicado ao Oscar pela adaptação de outro romance de ficção científica de Weir, “Perdido em Marte”, o filme acompanha Ryland Grace, interpretado por Gosling. Grace é um professor de ciências do ensino fundamental que acorda sozinho a bordo de uma nave espacial, sem memória de como chegou ali.
À medida que suas lembranças retornam lentamente, Grace descobre ter sido enviado em uma missão desesperada para deter uma ameaça cósmica que está drenando a energia do sol e, consequentemente, colocando em risco toda a vida na Terra. Ao longo dessa jornada, ele estabelece uma amizade improvável com um alienígena a quem batiza de Rocky, uma relação que se mostra fundamental para a sobrevivência da humanidade.
A produção, com um orçamento de US$ 200 milhões de dólares, apresenta uma fotografia de notável beleza, sendo filmada integralmente sem o uso de telas verdes. No entanto, para o protagonista, a verdadeira força da história reside em sua mensagem central sobre coragem, curiosidade e a capacidade intrínseca do ser humano para resolver problemas complexos.
Houve uma reação emocional muito forte ao livro e agora ao filme. Parece que é mais do que apenas a história. A história é incrível. É épica. Você viaja para outra galáxia, faz amizade com um alienígena, salva o mundo. Quer dizer, é tão épico quanto possível e tão cinematográfico quanto se pode ser.
Gosling acrescentou que o autor Andy Weir oferece a oportunidade de deixar de lado o medo do futuro e passar a encará-lo com mais curiosidade. O ator observou que, nos últimos anos, o público tem sido saturado por narrativas distópicas, que pintam o futuro como sombrio e inevitável.
Estamos tão saturados desses cenários apocalípticos, futuros distópicos, que eles parecem inevitáveis. Acho que o que ele fez foi nos lembrar que não se trata de escapismo. No fim das contas, parece um lembrete do que somos capazes como seres humanos. Que somos capazes de coisas incríveis. Essa é a nossa essência.
A mensagem central do filme explora a ideia de sacrifício e a disposição de se doar por algo maior, fazendo uma ponte com João 15.13: “Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos seus amigos”. A narrativa retorna repetidamente à ideia de arriscar tudo por outra pessoa, notadamente através do vínculo entre Grace e Rocky.
Gosling enfatizou que este tema parece particularmente relevante em um momento cultural que, segundo ele, por vezes privilegia o individualismo em detrimento da responsabilidade coletiva. A história, conforme o ator, serve como um lembrete ao público sobre o que a humanidade pode alcançar quando as pessoas optam pela cooperação em vez do interesse próprio.
O que foi tão comovente nisso tudo foi a ideia de transformar o medo em curiosidade. Transformar a ansiedade em curiosidade. Não deixe de ter medo, perceba que você é capaz de grandes coisas. Percebam que a humanidade é capaz de grandes feitos. Já resolvemos grandes problemas antes. Continuaremos a fazê-lo. O futuro não deve ser temido. É algo que precisamos desvendar.
Pessoalmente, Gosling também se identificou com o papel de Ryland Grace como professor e mentor. Antes de ser recrutado para a missão interestelar, Grace atuava como professor de ciências do ensino fundamental, uma mudança de carreira após enfrentar críticas da comunidade científica.
Os instintos de cuidado do personagem se manifestam não apenas em sua sala de aula, mas também em seu relacionamento com Rocky, com quem Grace aprende gradualmente a se comunicar e em quem passa a confiar. Gosling afirmou que sua própria experiência como pai ajudou a moldar sua abordagem ao papel. O ator observou que o personagem passa grande parte do filme aterrorizado, uma reação que ele considerou totalmente realista dadas as circunstâncias.
O personagem está apavorado. Como você estaria. … Na verdade, eu estava apavorado durante as filmagens.
Mas o que mais lhe interessou, disse Gosling, foi a forma como Grace reage após o medo inicial.
O que acontece depois do pânico? Você o supera e começa a trabalhar. Começa a resolver as coisas.
Essa transição do medo para a ação é o que Gosling acredita fazer a narrativa de Weir ressoar com tantas pessoas. Ele descreveu Andy Weir como um roteirista especial, pois muitos filmes focam no pânico, enquanto Weir inicia suas histórias após esse ponto inicial, questionando: “Ok, mas o que fizemos a respeito?”
Essa mentalidade, acrescentou Gosling, confere a “Devoradores de Estrelas” seu tom esperançoso. Em vez de se deter na catástrofe, o filme celebra a curiosidade, a resiliência e a capacidade de pessoas comuns superarem desafios extraordinários.
É uma lembrança do que somos capazes. E isso é algo muito poderoso para transmitir.
